Ministro do STF se mostra preocupado e afirma que “isso é perigoso”, referindo-se à construção de um dossiê que “planilha preferência política”

Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), disse hoje, quinta-feira (20), que houve “desvio de finalidade” na construção do dossiê, que mais parece uma “fofocaiada”, com 579 nomes de servidores estaduais e federais ligados à segurança pública, bem como alguns professores, identificados como pertencentes ao movimento antifascista, contrários ao Governo Bolsonaro.
De acordo com publicação da jornalista Carolina Brígido, o ministro disse que a utilização das informações colhidas pela Inteligência, para saber quem (acha que) é contra o governo, é “extremamente perigosa”.
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“Isso é extremamente perigoso e, a meu ver, há um desvio de finalidade (…) [em] tentar planilhar as preferências politicas e filosóficas de agentes policiais sem que eles tivessem praticado qualquer atividade ilícita”
Alexandre de Moraes
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O ministro Alexandre de Moraes fez as seguintes declarações:
“Há utilização das informações do poder do Estado, do Sistema Brasileiro de Inteligência, para separar quem o relatório de Inteligência acha que é a favor ou contra (o governo) e, partir dai, comunicar autoridades. Isso é extremamente perigoso e, a meu ver, há um desvio de finalidade. O que mais me preocupou, o que mais me parece desvio de finalidade é tentativa de órgãos de inteligência de tentar planilhar as preferências politicas e filosóficas de agentes policiais sem que eles tivessem praticado qualquer atividade ilícita. Não é essa a razão de existência dos órgão de inteligência”
“Não importa se o policial é a favor politicamente de A ou B, se ele vota em A, B ou C. Desde que exerça sua função dentro dos limites legais, ele tem absoluta liberdade para aderir à posição que ele quiser”
De acordo com informações adicionais da jornalista, Moraes disse também que a qualidade ruim do dossiê, que teve cópias enviadas aos ministros do STF, é uma compilação de dados públicos da internet e de redes sociais que se assemelham a um clipping de notícias.
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Ontem à noite, Cármen Lúcia determinou que ‘não compete a órgão estatal fazer dossiês contra quem quer que seja‘ e ordenou que sejam suspensas quaisquer produções de dossiês, pelo Ministério de André Mendonça, que possam se referir à vida pessoal e política de servidores públicos.
A existência do dossiê foi revelada em reportagem do jornalista Rubens Valente, do UOL.
