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Moraes manda prender desembargador no Rio: celular de ex-presidente da Alerj desencadeia nova bomba na Operação Unha e Carne

    Vazamento de operação contra parlamentar ligado ao crime organizado expõe suposta rede entre legislativo e judiciário no Rio

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    O Ministro
    O Ministro Alexandre de Moraes em sessão plenária do STF / Foto: Gustavo Moreno/STF | O desembargador Macário Ramos Júdice Neto no carro da PF após ser preso — Foto: Anna Bustamante/O Globo | No detalhe, Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj/Foto: Reprodução/Thiago Lontra (Alerj)

    Brasília, 16 de dezembro 2025

    A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (16/dez) a segunda fase da Operação Unha e Carne, com a prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), e novas buscas contra o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil).

    A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu um mandado de prisão e dez de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.

    Macário Júdice Neto foi detido em sua residência na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Ele é o relator no TRF-2 do processo envolvendo o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, preso em setembro na Operação Zargun por suspeita de tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e negociação de armas para o Comando Vermelho (CV).

    Investigadores apontam que Macário teria colaborado no vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun.

    Segundo fontes da PF, o desembargador estava em um restaurante com Rodrigo Bacellar no momento em que o então presidente da Alerj telefonou para TH Joias alertando sobre a iminência dos mandados. Além disso, mensagens trocadas entre Bacellar e Macário, encontradas no celular do ex-deputado, serviram de base para os novos mandados.

    A atual fase da Operação Unha e Carne é desdobramento direto da primeira etapa, deflagrada em 3 de dezembro, quando Rodrigo Bacellar foi preso dentro da superintendência da PF no Rio, após ser convocado para uma “reunião”.

    Na ocasião, agentes apreenderam R$ 90 mil em espécie em seu veículo. A PF suspeita que Bacellar obstruiu investigações contra o crime organizado, inclusive com influência no Poder Executivo estadual.No dia seguinte à prisão, a Alerj revogou a detenção por 42 votos a 21.

    Alexandre de Moraes confirmou a soltura em 9 de dezembro, mas impôs medidas cautelares rigorosas: uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana, afastamento da presidência da Casa, proibição de contato com investigados e entrega de passaportes.

    No dia 10, Bacellar, já licenciado do mandato, pediu afastamento temporário de 10 dias para tratar de “assuntos particulares”.

    O nome da operação remete a um vídeo enviado por TH Joias a Bacellar na véspera da Operação Zargun, no qual o então deputado mostra um freezer cheio de carnes e brinca: “Ô presida! Não tem como levar não, irmão. Pô, como é que leva?! Tem como levar não, irmão. Esses filhas das p vão roubar as carnes, hein”*.

    Para a PF, a gravação reforça que Bacellar alertou o investigado, permitindo que ele organizasse mudança e tentasse destruir provas.

    A prisão de Macário Júdice Neto representa o primeiro desdobramento judicial direto da análise do celular de Rodrigo Bacellar, segundo apurou o Blog do Octavio Guedes no g1.

    Já os detalhes operacionais da segunda fase, incluindo a prisão em casa e as buscas contra Bacellar, foram inicialmente divulgados pela reportagem do g1 Rio.

    A investigação segue em sigilo, mas expõe a fragilidade do sigilo de operações contra o crime organizado quando há suposta interferência de autoridades dos poderes Legislativo e Judiciário.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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