Investigadores encontram transações suspeitas entre ex-ajudante de Bolsonaro com fornecedora do governo federal, que teve um dos contratos custeado com dinheiro de emenda parlamentar
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, durante evento do PL Mulher, com o ex-presidente ao fundo, em participação remota – Foto de Gabriela Biló/Folhapress
A Polícia Federal pediu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Luis Marcos dos Reis, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para investigar transações com uma empresa que teve contratos com o governo federal, um deles custeado com dinheiro de emenda parlamentar.
Os pedidos foram autorizados pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, entre os meses de outubro e dezembro de 2022, informa a ‘Folha de S. Paulo‘, neste domingo (14/5).
Os investigadores do órgão encontraram indícios de transações suspeitas entre Reis e a empresa Cedro Libano Comércio de Madeira e Materiais de Construção.
O ex-ajudante também foi um dos presos no último dia 3 de maio na operação Venire, que investiga a inserção fraudulenta de dados no sistema de vacinação do Ministério da Saúde.
Durante o governo Bolsonaro, a Cedro Líbano recebeu recursos federais por meio de contratos com a Universidade Federal do Espírito Santo, Instituto Federal de Tocantins e Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba).
A análise nas contas de Reis mostra várias transações entre ele e a empresa ou pessoas vinculadas a ela, além de negócios com o pai de uma das sócias da empresa.
No mesmo período em que recebe da empresa, o ajudante aparece envolvido nas transações que são investigadas pela PF sob suspeita de desvio de dinheiro da Presidência por meio de Mauro Cid e a pedido de Michelle Bolsonaro.
A PF diz que o assessor repassou valores para pessoas indicadas pelas assessoras de Michelle Bolsonaro. Entre elas, a tia da ex-primeira-dama, Maria Graces de Moraes Braga, para quem o assessor de 12 depósitos em espécie.
Reis também fez três depósitos para Rosimary Cardoso Cordeiro, responsável por emitir um cartão de crédito utilizado por Michelle.
No pedido de quebra de sigilo para avançar na investigação sobre a relação do assessor de Bolsonaro, a PF aponta a empresa e as transações de Reis com outros ajudantes de ordens. São citados Mauro Cid e Osmar Crivelatti.
Todas essas transações envolvem o custeio de despesas solicitadas pela ex-primeira dama e sob análise dos investigadores no inquérito das milícias digitais.
Além das transações financeiras, chamou atenção da PF as informações coletadas sobre a empresa Cedro Libano, sediada em Goiânia (GO).
No caso da Codevasf, chamou atenção dos investigadores o fato da Cedro, sediada em Goiânia (GO), fornecer quatro plantadeiras e adubadeiras para um projeto no Amapá custeadas com emenda parlamentar da bancada de deputados do estado.
