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Mísseis na embaixada dos EUA em Bagdá são advertência contra assassinatos a sangue frio de manifestantes contrários à presença militar americana


    Os cinco foguetes que atingiram as proximidades da embaixada americana em Bagdá, na noite deste domingo (26), na zona verde, são na realidade uma advertência contra a morte, a tiros, gás e até com fogo, de manifestantes contrários à presença das tropas militares americanas na região.

    A movimentação reúne, dentre outros, combatentes (as chamadas milícias) que protestam sem parar nos últimos dias, do lado de fora da Embaixada dos EUA, onde o número de pessoas feridas por balas vivas e sufocamento de gás lacrimogêneo aumentou para 33, de acordo com uma fonte médica local.

    Neste domingo, mais dois manifestantes foram mortos a tiros nos confrontos com as forças de segurança iraquianas na capital, Bagdá.

    Jornais do mundo noticiam que uma pessoa foi ferida em um ataque de míssil que atingiu a Zona Verde ontem à noite e afetou um restaurante dentro do complexo da embaixada dos EUA.

    Contudo, a menção aos confrontos entre aqueles manifestantes e o pessoal de segurança em torno da embaixada americana não tem a devida transparência em retratar uma violência sem igual, da parte dos repressores.

    Retorno de protestos e violência repressiva

    Ontem, várias cidades iraquianas testemunharam um forte retorno às manifestações nas áreas de concentração e confrontos entre forças de segurança e manifestantes. 

    A Comissão de Direitos Humanos também anunciou o assassinato de 12 manifestantes em Bagdá e na província de Dhi Qar, sul do país, ontem e anteontem, onde mais de 80 também ficaram feridos na cidade de Nasiriyah (o centro da província) depois que a polícia tentou abrir o cruzamento do saguão, que foi fechado pelos manifestantes.

    Fontes locais em Dhi Qar também disseram que os manifestantes conseguiram remover a polícia de choque da ponte Nasr e cruzaram-na indo em direção à área de Shamiya – área de sedes governamentais.

    As forças de segurança usaram balas vivas para confrontar os manifestantes e tentar dispersá-los das ruas ao redor da praça central Al-Haboubi, na cidade de Nasiriyah. Grupos armados atacaram a praça e queimaram as tendas dos manifestantes.

    As forças de segurança avançaram para a escalada desde sábado passado, invadindo as praças em Bagdá, Dhi Qar, Basra e outras províncias, usando violência excessiva, incluindo fogo vivo, em um movimento repentino que ocorreu horas depois que os apoiadores do líder do movimento Sadr Muqtada al-Sadr se retiraram das praças.

    Embaixada Americana

    Por outro lado, pelo menos uma pessoa foi ferida por três dos cinco foguetes Katyusha que atingiram ontem à noite a Zona Verde, fortemente fortificada.

    Autoridades americanas confirmaram às redes de televisão americanas que um refeitório no interior do complexo da embaixada americana em Bagdá foi danificado após o lançamento de cinco mísseis na Zona Verde, três dos quais atingiram o complexo da embaixada.

    O primeiro-ministro iraquiano renunciado, Adel Abdul-Mahdi, denunciou o alvo da embaixada americana e ordenou a prisão daqueles que dispararam os mísseis para obter sua punição no tribunal.

    Abdul-Mahdi alertou que o que ele descreveu como um ato unilateral irresponsável tem sérias repercussões no país inteiro, prejudica seus interesses supremos e relações externas e pode transformá-lo em um campo de batalha.

    Ele disse que orientou as forças de segurança a procurar e investigar para impedir a recorrência de tais ataques, enfatizando que o governo iraquiano está comprometido em proteger todas as missões diplomáticas e toma todas as medidas necessárias para conseguir isso de acordo com a lei.

    A embaixada dos EUA em Bagdá foi submetida a repetidos ataques com mísseis durante o período recente, mas é a primeira vez que os foguetes pousam dentro do complexo da embaixada.

    Com informações do AlJazeera

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