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Missão de senadores do Brasil nos EUA para negociar tarifaço une PSD, PP, PT, PL, MDB e Podemos

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    Os senadores
    Os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e líder da comitiva; Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado; Tereza Cristina (PP-MS); Astronauta Marcos Pontes (PL-SP); Esperidião Amin (PP-SC); Rogério Carvalho (PT-SE); Fernando Farias (MDB-AL); e Carlos Viana (Podemos-MG) | Divulgação Senado Federal


    Saiba o que o Brasil pode estar disposto a negociar e o que é considerado fora de cogitação, bem como aquilo que interessa aos EUA



    Brasília, 26 de julho de 2025

    A comitiva de senadores brasileiros que foi aos Estados Unidos para negociar as tarifas de 50% impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros, com início previsto para 1º de agosto de 2025, foi composta por oito parlamentares.

    A missão, que ocorre entre 28 e 30 de julho, em Washington, incluiu os seguintes senadores:

    • Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e líder da comitiva;
    • Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado;
    • Tereza Cristina (PP-MS);
    • Astronauta Marcos Pontes (PL-SP);
    • Esperidião Amin (PP-SC);
    • Rogério Carvalho (PT-SE);
    • Fernando Farias (MDB-AL);
    • Carlos Viana (Podemos-MG).

    A escolha dos nomes para a missão teve caráter suprapartidário. O grupo busca abrir canais de diálogo com parlamentares e empresários norte-americanos para tentar reverter ou adiar a aplicação das tarifas, que impactariam setores como indústria, agronegócio, Embraer, e exportações de carne e suco de laranja.

    A liderança da missão é confiada ao senador Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), sugerindo que a posição dele foi um fator determinante.

    A inclusão de Jaques Wagner, líder do governo no Senado, e outros senadores é estratégica, provavelmente coordenada pela Casa Legislativa e pelo governo brasileiro, com o objetivo de equilibrar interesses políticos, regionais e econômicos.

    A urgência da situação, desencadeada pelo anúncio de Trump em 9 de julho, sugere que a escolha foi feita com foco em senadores com experiência em relações internacionais, influência política ou conexão com setores econômicos afetados, como agronegócio e indústria.

    O que Trump quer de fato?

    Com motivações que vão além de questões comerciais, os principais objetivos declarados por Trump incluem pressão sobre o processo judicial contra Jair Bolsonaro. O republicano vinculou as tarifas à sua visão de que o ex-presidente brasileiro está sofrendo uma “caça às bruxas” no Brasil, devido às acusações de tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

    Ele exigiu que o processo judicial contra Bolsonaro seja encerrado imediatamente, chamando-o de “uma desgraça internacional“. seja encerrado imediatamente, chamando-o de “uma desgraça internacional”.

    Trump também acusou o Brasil de práticas comerciais “injustas” e de impor barreiras não-tarifárias, além de alegar ataques à liberdade de expressão de empresas americanas de tecnologia, como a suspensão de contas em redes sociais por ordens judiciais brasileiras.

    Ele também mencionou uma investigação “Seção 301” sobre práticas de comércio digital no Brasil, sugerindo que essas ações justificam as tarifas.

    Trump ainda expressou desagrado com a cúpula do BRICS realizada no Rio de Janeiro, chamando o bloco de “anti-americano” e ameaçando impor uma tarifa adicional de 10% aos países membros, incluindo o Brasil.

    Ele vê o movimento de desdolarização do BRICS como uma ameaça à economia dos EUA.

    Apesar de os EUA terem um superávit comercial com o Brasil (US$ 7,4 bilhões em 2024), Trump afirmou que a relação comercial é “muito injusta” e que as tarifas são necessárias para criar um “campo de jogo nivelado”.

    No entanto, essa justificativa é contestada, já que os dados mostram que os EUA exportam mais para o Brasil do que importam.

    Além disso, a decisão parece ter motivações políticas e pessoais, incluindo a amizade de Trump com Bolsonaro e a influência de figuras como Eduardo Bolsonaro, que tem pressionado autoridades americanas em Washington.

    Trump pode baixar as tarifas de 50%?

    Sim, Trump tem autoridade para modificar as tarifas, conforme indicado em suas próprias declarações e no uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).

    Ele afirmou que as tarifas “podem ser modificadas, para mais ou para menos, dependendo da relação com o país“.

    Isso sugere que as tarifas poderiam ser reduzidas ou suspensas caso o Brasil atenda a algumas das demandas de Trump, como:

    Mudanças no processo contra Bolsonaro: Embora o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tenha poder direto sobre o Judiciário, que é independente, Trump pode interpretar qualquer sinal de abrandamento no caso como uma vitória política.

    Negociações comerciais: Trump já indicou que as tarifas podem ser ajustadas se os países chegarem a acordos comerciais com os EUA. No entanto, até o momento, apenas dois acordos foram fechados (com Reino Unido e Vietnã) após a promessa de “90 acordos em 90 dias“.

    Concessões em políticas digitais: Trump criticou ordens judiciais brasileiras contra plataformas de mídia social americanas, como a suspensão temporária do X no Brasil. Alterações nessas políticas poderiam ser usadas como moeda de troca.

    No entanto, há fatores que complicam a redução das tarifas:

    Resistência brasileira: Lula respondeu que o Brasil retaliará com tarifas equivalentes, citando a Lei de Reciprocidade Econômica, e rejeitou qualquer interferência na soberania judicial do país. Isso pode escalar o conflito comercial.

    Reação pública e política no Brasil: As tarifas de Trump geraram uma onda de apoio a Lula e críticas a Bolsonaro, o que pode dificultar concessões políticas sem parecer que o Brasil cedeu à pressão externa.

    Legalidade questionável: Críticos, como o economista Paul Krugman, argumentam que as tarifas são “grosseiramente ilegais” sob acordos comerciais internacionais e a legislação americana, já que interferir em processos judiciais de outro país não é uma justificativa válida para impor tarifas.

    Isso pode levar a contestações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

    Possibilidade de redução das tarifas: Embora Trump tenha o poder de reduzir as tarifas, sua retórica sugere que ele está disposto a manter ou até aumentar as taxas se o Brasil retaliar.

    A comitiva de senadores brasileiros, que chegou a Washington busca negociar com autoridades e empresários americanos para evitar ou adiar as tarifas.

    A pressão econômica e política, incluindo o impacto das tarifas em setores como café, carne e Embraer, pode forçar negociações, mas qualquer redução dependerá de Trump perceber que obteve alguma concessão significativa do Brasil.

    O que o Brasil está disposto a negociar:

    Ajustes em práticas comerciais:

    O Brasil tem enfatizado que sua relação comercial com os EUA é equilibrada, destacando o superávit comercial dos EUA com o Brasil (US$ 7,4 bilhões em 2024). O governo brasileiro está disposto a discutir medidas para corrigir eventuais “desequilíbrios” apontados por Trump, como barreiras tarifárias ou não tarifárias.

    Por exemplo, o Brasil poderia oferecer reduções em tarifas específicas, como as aplicadas ao etanol americano (atualmente 18%), que já foi citado como um ponto de atrito comercial.

    Há possibilidade de negociar isenções ou reduções de tarifas para setores estratégicos, como alimentos, petróleo, petroquímicos e minerais raros, onde o Brasil é competitivo e os EUA não têm produção equivalente.

    Acordos bilaterais de comércio:

    O Brasil está aberto a intensificar negociações para um acordo comercial mais amplo com os EUA, buscando um “relacionamento econômico mutuamente favorável“.

    O vice-presidente Alckmin, em conversas com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, destacou o interesse em negociações que evitem “contaminação política ou ideológica“.

    O governo brasileiro já realizou mais de 10 reuniões com os EUA desde abril de 2025 e apresentou uma proposta de negociação em 16 de maio, indicando disposição para continuar o diálogo.

    Atração de investimentos americanos:

    Uma possível concessão seria incentivar empresas americanas a investir ou fabricar no Brasil, já que Trump mencionou que as tarifas não se aplicariam a produtos fabricados nos EUA por empresas de países-alvo.

    Isso poderia incluir facilidades para companhias americanas em setores como tecnologia, defesa ou energia.

    Aprofundamento de parcerias estratégicas:

    O Brasil pode buscar reforçar laços diplomáticos e econômicos, destacando os 200 anos de relações bilaterais amistosas com os EUA.

    A estratégia inclui negociar com base em interesses mútuos, como segurança regional ou cooperação em tecnologia, para reduzir as tensões comerciais.

    O que o Brasil não está disposto a negociar:

    Interferência no Judiciário:

    Lula e o governo brasileiro deixaram claro que não cederão à pressão de Trump para interferir no processo judicial contra Jair Bolsonaro, que é acusado de tentar um golpe de Estado após as eleições de 2022.

    O Brasil considera essa demanda uma violação da soberania nacional, já que o Judiciário é independente.

    Lula afirmou que o caso de Bolsonaro é “responsabilidade exclusiva do Judiciário brasileiro” e rejeitou qualquer “tutela” externa.

    Regulação de plataformas digitais:

    Trump criticou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que ordenaram a suspensão de contas em redes sociais, alegando que isso afeta a liberdade de expressão de empresas americanas.

    Lula defendeu essas medidas, argumentando que elas combatem conteúdos como discurso de ódio, racismo e ameaças à democracia. O Brasil não parece disposto a recuar nessa regulamentação, que conta com apoio público significativo.

    Estratégia brasileira:

    Diplomacia como prioridade: O Brasil enfatiza a negociação como primeira resposta, com o vice-presidente Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, liderando esforços para dialogar com autoridades americanas.

    O governo busca evitar uma guerra comercial, que poderia prejudicar setores como café, suco de laranja, carne e aviação (Embraer).

    Reciprocidade como última opção: Caso as negociações falhem, o Brasil está preparado para impor tarifas retaliatórias de até 50% sobre produtos americanos, conforme a Lei de Reciprocidade Econômica aprovada pelo Congresso.

    Lula mencionou alvos específicos, como etanol, produtos farmacêuticos ou lucros de empresas americanas no Brasil, mas prefere evitar medidas amplas que afetem toda a importação dos EUA.

    Diversificação de mercados: Para mitigar o impacto das tarifas, o Brasil planeja expandir acordos comerciais com outros países, como os membros do Mercosul e a União Europeia, e intensificar exportações para a China, principal destino de seus produtos agrícolas.

    Contexto das negociações:

    A comitiva de senadores que viajou a Washington busca abrir canais de diálogo com congressistas e empresários americanos, mas não há detalhes públicos sobre propostas específicas a serem apresentadas.

    O Brasil também considera levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as tarifas de Trump são injustificadas, especialmente devido ao superávit comercial dos EUA com o Brasil.

    A estratégia brasileira é guiada pela busca de um equilíbrio entre proteger a economia (que depende de exportações para os EUA, como café e aço) e manter a soberania nacional, evitando ceder a pressões políticas de Trump.

    Limitações e desafios:

    A pressão de Trump é vista como uma “chantagem inaceitável” por Lula, o que limita a margem de manobra política para concessões significativas, especialmente em questões judiciais.

    A polarização política no Brasil, com aliados de Bolsonaro usando as tarifas para criticar Lula, complica a narrativa interna do governo.

    A dependência de setores como aço e agronegócio no mercado americano (os EUA são o maior comprador de aço brasileiro) torna urgente uma solução negociada, mas sem comprometer a imagem de firmeza de Lula.

    Enfim, o Brasil está disposto a negociar reduções de tarifas específicas, incentivar investimentos americanos e buscar acordos comerciais mais amplos, mas não cederá em questões de soberania, como o processo contra Bolsonaro ou a regulação de redes sociais.

    A estratégia combina diplomacia, pressão por reciprocidade e diversificação de mercados, com o objetivo de minimizar o impacto econômico das tarifas de Trump.

    O resultado das negociações dependerá da capacidade do Brasil de oferecer concessões comerciais atraentes sem comprometer sua posição política interna e externa.



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