Segundo a jornalista, diante da resistência de comandantes, a mudança dos militares em seu governo fez tudo ficar mais acelerado. Mas agora, pela primeira vez na história do Brasil, militares de alta patente são indiciados por tentativa de golpe de Estado
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De acordo com a colunista do Globo, Míriam Leitão, “é a primeira vez que generais são indiciados por tentativa de golpe de Estado no Brasil: dois ex-ministros da Defesa e ex-comandantes do Exército, um ex-comandante da Marinha“, escreve a jornalista.
“O inquérito da tentativa de golpe de Estado não é inédito apenas por ter indiciado um ex-presidente da República, mas pelo simbolismo de colocar militares de alta patente para responder por crime de ameaçar a democracia brasileira“. Ela completa informando que, “ao todo, 24 militares responderão pelo crime“.
Leitão diz que acertou sua previsão, pois mais cedo postou outra matéria afirmando que “estariam entre os indiciados o ex-presidente Jair Bolsonaro, os generais Walter Braga Netto e Augusto Heleno“, além do “delegado da Polícia Federal Alexandre Ramagem“. Ela também disse que, “provavelmente, e se confirmou, o presidente do PL Valdemar Costa Neto“.
A colunista explica que “o almirante Almir Garnier Santos foi o comandante da Marinha, o único dos três comandantes das Forças, que aceitou a proposta de colocar os seus comandados para seguir o plano de ruptura da ordem constitucional“. Argumenta também que “o ex-ministro da Defesa, e que também comandou o Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, é outro que está entre os indiciados“.
Depois ela fala sobre o general Walter Braga Netto, que “assumiu o Ministério da Defesa quando o general Fernando de Azevedo foi demitido, junto com os comandantes das três Forças, em março de 2021“. “Aquele momento foi crucial para o plano de Jair Bolsonaro“, observa a jornalista. Isso porque, “diante da resistência de Azevedo aos seus planos, Bolsonaro mudou toda a cúpula“.
“A partir daí, com o deslocamento de Braga Netto da Casa Civil para a Defesa, o ex-presidente acelerou seus planos golpistas. Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, outro indiciado, era o chefe do Comando de Operações Terrestres (Coter), à época dos fatos, e portanto tinha uma posição estratégica“, explicou Míriam Leitão.
Ela finaliza a matéria afirmando que, “ao longo da história do Brasil, os militares várias vezes tentaram golpe de Estado, e em 1964 impuseram uma ditadura de 21 anos. Nunca responderam por isso. Esse indiciamento de hoje quebra essa tradição“.
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