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Míriam Leitão lamenta a direita perdida, a ‘elite do atraso’ e a relação ‘inconciliável’ entre bolsonarismo e democracia

    Com a direita capturada pelo autoritarismo, e a elite econômica subserviente ao atraso, o nosso projeto de potência ambiental, inclusiva e democrática fica mais distante“, escreve a colunista do Globo

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    A jornalista Míriam Leitão produziu um artigo para sua coluna no jornal O Globo em que afirmou que a direita no Brasil está perdida, que a elite não tem cultura e que bolsonarismo e democracia não são “conciliáveis“. Sua conclusão é a de que tudo isso “coloca em risco o projeto de país“. Ela também coloca a elite brasileira no nível que o sociólogo Jessé Souza a retratou em seu livro A Elite do Atraso.

    Argumentando sobre a eleição municipal, Leitão diz que a direita está dividida e cita que recentemente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou o governador de GoiásRonaldo Caiado (União Brasil) é “covarde“; que o sócio do candidato à Prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal (PRTB), deu um soco no publicitário de seu rival que tenta a reeleição, o prefeito Ricardo Nunes (MDB).

    Leitão também comenta última pesquisa Datafolha, que revelou que 20% do eleitorado paulistano que se dizem bolsonaristas, mas entregam 48% de intenção de votos a Marçal e 39% a Nunes.

    Outra observação da colunista do jornalão é que a Faria Lima, que administra o dinheiro poupado da classe média e dos ricos, se inclina por um candidato que não tem uma única ideia de como administrar a maior cidade do país.

    Os fatos mostram a devastação da elite brasileira, diz Míriam Leitão, acrescentando que isso é o resultado do processo político recente que transformou a direita em satélite da extrema direita antidemocrática e contra a ciência.

    Mesmo sobre 700 mil mortos, o ex-presidente [Bolsonaro] continua contra a proteção da vida de brasileiros” e “nada o demove do seu obscurantismo“, escreve, ao comentar o motivo do xingamento contra Caiado, que é médico e foi a favor da vacina e das medidas protetivas durante a pandemia.

    Ronaldo Caiado surgiu como líder do ruralismo de direita no período pós-ditadura. Propunha-se a defender suas ideias sobre o agronegócio dentro da democracia. Contudo ele esteve no palanque da Paulista, no último 25 de fevereiro, bajulando Bolsonaro numa manifestação de defesa do golpismo e dos golpistas“, diz Leitão.

    No mesmo palanque onde se cultuou Bolsonaro como líder maior estava o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas [Republicanos], que tem sido apresentado como bolsonarista democrático, como se essas categorias fossem conciliáveis“, argumenta a jornalista.

    Estava também o prefeito Ricardo Nunes que, nos últimos dias, teve que abjurar a vacinação obrigatória contra Covid, que ele um dia apoiou por causa de Bruno Covas [que foi prefeito da cidade de São Paulo entre 6 de abril de 2018 e 16 de maio de 2021, quando morreu em decorrência de um câncer no aparelho digestivo]”.

    O neto do grande democrata Mário Covas [o 55º governador do estado de São Paulo, entre 1 de janeiro de 1995 e 22 de janeiro de 2001, quando se afastou do cargo, também em decorrência de um câncer] fez seu papel de líder contra a Covid. Mesmo sendo imunossuprimido, Bruno circulava por hospitais, lutando pessoalmente contra o vírus mortal. É esse legado que Nunes trai para tentar conquistar votos da extrema direita, que prefere Pablo Marçal“, escreve a colunista.

    “Um acionista de um grande banco me perguntou: como é possível que a Faria Lima [uma das mais importantes artérias da cidade de São Paulo e também um importante centro comercial e financeiro do país] se encante por uma pessoa como Pablo Marçal?”, questiona. “As escolhas políticas dos operadores de mercado financeiro não os recomendam como gestores do dinheiro alheio, por falta absoluta de visão estratégica. Pense numa cidade de 11 milhões de habitantes sendo administrada por um misto de arruaceiro, curandeiro, farsante, com propostas como fazer teleféricos em áreas planas e mandar os homens para a reciclagem“.

    Também não se recomenda um curso da G4 Educação. A startup foi fundada por Tallis Gomes e três sócios. A empresa treina gestores para os desafios do mundo atual. Ele ficou famoso por dizer “Deus me livre de mulher CEO” e sustentar que mulher gestora passa por um processo de “masculinização” e deixa o lar em “quarto plano”. Tallis tem 37 anos e carrega ideias medievais sobre a mulher, mas é professor de gestores. Foi afastado, porém permanece sócio de uma empresa que quer educar o mundo corporativo“, argumenta a jornalista.

    O país foi incendiado por criminosos. Em São Paulo, foram atacadas usinas de cana- de- açúcar. O agronegócio foi atingido diretamente. Na Amazônia, os incêndios são provocados para que depois da queima da floresta sejam feitos pastos para a pecuária. Aguarda-se ansiosamente que o agronegócio, que se diz bom, moderno e tecnológico, rompa publicamente com toda a cadeia de produção sustentada pelo crime. É possível fazer a rastreabilidade da produção brasileira e limpá-la do crime ambiental. Passa por mudar a pauta da bancada ruralista. Quem vai começar a ruptura? O primeiro bônus será o acordo com a União Europeia“, escreve.

    Por fim, Leitão conclui: “Uma democracia precisa de forças políticas de direita, esquerda, centro. Todas comprometidas com os valores institucionais da democracia. O progresso econômico exige gestores e empresários com visão de futuro e capazes de enfrentar desafios climáticos e de inclusão num país desigual. Com a direita capturada pelo autoritarismo, e a elite econômica subserviente ao atraso, o nosso projeto de potência ambiental, inclusiva e democrática fica mais distante“.

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