O material atribuía falsamente ao futuro presidente do BC uma fala em defesa de uma moeda dos BRICS contra a influência do dólar, o que fez com que a moeda chegasse ao recorde histórico de R$ 6,20, na quarta-feira (18/12) – Mais tarde, Galípolo negou publicamente qualquer “ataque especulativo“
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Uma fake news difundida desde a terça-feira (17/12), atribuindo falsas declarações ao futuro presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, prejudicou ações do Governo Lula para conter a alta especulativa do dólar, o que levou a AGU (Advocacia-Geral da União) a acionar na quarta-feira (18/12) a PF (Polícia Federal.
Gabriel Galípolo é o atual diretor de Política Monetária do Banco Central e foi indicado pelo presidente Lula para comandar o banco a partir de 2025.
O material falso atribuía a Galípolo a falsa fala a seguir: “A moeda dos Brics nos salvaguardaria da extrema influencia que o dólar exerce no nosso mercado“. A mentira dizia também que futuro presidente do BC chamou o dólar de “moeda estadunidense” e que previa uma cotação a R$ 5, o que fez com que chegasse ao recorde histórico de R$ 6,20, na quarta-feira (18/12).
Ofícios foram encaminhados pela AGU à PF e à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) solicitando a instauração de procedimentos para a apuração de possíveis crimes contra o mercado de capitais, a partir da veiculação de desinformação envolvendo, além do economista, a política monetária do Brasil.
“A desinformação, ao interferir diretamente na percepção do mercado, comprometeu a eficácia da política pública federal de estabilização cambial, evidenciando o elevado potencial lesivo de boatos neste contexto”, escreveu a AGU em nota.
Por conta da desinformação, a jornalista com foco em Economia, Míriam Leitão, afirmou, na GloboNews, que o mercado financeiro realiza, sim, ataques especulativos: “Tem muita gente falando, até o ex-presidente do Banco Central, o Henrique Meirelles, diz dizendo: “Olha, não existe ataque especulativo”. E explicou: “É porque as pessoas têm em mente aquele mundo em que o Brasil tinha um câmbio fixo e que ataque especulativo é para forçar o governo a desvalorizar a moeda”.
Leitão afirma, contudo, que “esse mundo ficou pra trás, mas mesmo assim especuladores continuam. E continuam agindo. E agora agem assim, dessa outra forma, que é fazer atribuir ao futuro presidente do Banco Central [Gabriel Galípolo], declarações que ele não fez. Isso produziu um aumento da cotação naquele momento e que, quando se desmentiu, voltou a cair“.
Mas o contexto geral da alta do dólar é muito maior. Mas nesse momento de nervosismo, todo cuidado é pouco. Pode sim ter esses novos ataques especulativos que são porque agora o câmbio é flutuante. Porque o Brasil tem mais de US$ 300 bilhões de reserva, sabe se defender”, diz Leitão no vídeo abaixo. É diferente e não está defendendo uma cotação exatamente essa, que é a diferença naquele momento, antes do Plano Real. Nos primeiros quatro anos do Plano Real, eles defendiam uma cotação e agora não. Agora, o que querem é alguma tranquilidade, exatamente para que o dólar não suba”.
“Tanto que quando o dólar sobe por nervosismo, por motivo ou sem motivo, especulação ou sem especulação, o fato é que isso vai para a economia real. Porque, quanto mais sobe o dólar, mais os preços ficam impactados. E nós estamos agora diante de um momento em que a inflação está acima do teto da meta”, disse.
“Então, nesse momento, esse tipo de especulação – ou esse tipo de nervosismo -, tenha ou não razão, pelos dados não tem muita razão, mas há temores, sim, disso que tá acontecendo, desidratação do pacote no Congresso, necessidade de fazer um equilíbrio maior, falta de força política para o governo fazer aprovar seu projeto de contas públicas, mas tenha ou não razão, em algumas coisas, tem razão, o fato é que, concretamente, a alta do dólar, desta forma, o dólar sem controle, ele produz o seguinte: você demora a importar e você exporta. Você demora mais a exportar e você importa com medo de subir mais. Então, tudo isso vai causando muita decisão”, afirmou.
“São decisões tomadas que afetam a economia, afetam os preços, afetam o preço dos produtos importados. Enfim, tem uma consequência na vida real. Não é uma coisa que acontece no mundo abstrato do mercado financeiro, porque vai pra economia real também”, finalizou.
Mais tarde, Gabriel Galípolo negou quaisquer ataques especulativos.
Assista ao vídeo de Leitão e leia, a seguir, a mais recente declaração de Galípolo:
@urbs.magna Míriam Leitão defende LULA ao explicar que o mercado está especulando com o dólar, sim!
♬ som original – https://urbsmagna.com
Mais tarde, Galípolo concedeu entrevista em que afirmou que não é correto ver o mercado como um bloco único, pois ele é composto por posições contrárias; há compradores e vendedores. Quando o preço de um ativo muda, há vencedores e perdedores, afirmou. Segundo o futuro presidente do BC, a ideia de ataque especulativo como algo coordenado não representa bem o que acontece no mercado.
O indicado de Lula à autarquia esclareceu que essa visão é fundamental, e que sempre a reitera em reuniões com líderes como o ministro Fernando Haddad, a ministra Simone Tebet, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o próprio Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ele afirmou que reconhece a existência de ruídos na comunicação e que considera essencial esclarecê-los. “Todos nós devemos fazer o melhor para garantir que os preços dos ativos reflitam o desempenho da economia, trazendo benefícios para a sociedade“.
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