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Mino Carta, ícone do jornalismo brasileiro, morre aos 91 anos: um legado de defesa da democracia

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    Mino Carta
    Mino Carta durante seu programa no Carta Capital entrevistando a ex-presidenta Dilma Rousseff |6.7.2020| Imagem reprodução/Carta Capital


    Defensor incansável dos valores democráticos, o jornalista deixa uma marca indelével na imprensa nacional



    Brasília, 02 de setembro de 2025

    Na manhã desta terça-feira (2/ago), o Brasil perdeu Mino Carta, um dos maiores nomes do jornalismo nacional, aos 91 anos.

    Fundador de veículos icônicos como Quatro Rodas, Jornal da Tarde, Veja, IstoÉ e CartaCapital, Mino Carta faleceu após duas semanas internado na UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde lutava contra problemas de saúde que se agravaram no último ano.

    A notícia foi confirmada pela CartaCapital, revista que ele dirigiu desde sua fundação em 1994.

    O vice-presidente Geraldo Alckmin lamentou a perda em suas redes sociais, destacando a trajetória de Mino Carta como defensor dos valores democráticos:

    “O Brasil perdeu hoje um de seus maiores jornalistas. Mino Carta dedicou toda sua vida à criação e ao desenvolvimento de publicações que fizeram história na imprensa brasileira, dando voz à defesa dos valores democráticos. Que seu exemplo siga inspirando as novas gerações de jornalistas”.

    GERALDO ALCKMIN
    Vice-Presidente da República Federativa do Brasil

    A declaração reflete o impacto de Carta não apenas no jornalismo, mas também na formação de uma imprensa crítica e engajada.

    Nascido em Gênova, Itália, em 6 de setembro de 1933, Demetrio Carta, conhecido como Mino, chegou ao Brasil em 1946, aos 13 anos.

    Estudou Direito na Universidade de São Paulo (USP), mas abandonou o curso para se dedicar ao jornalismo, uma paixão que o levou a criar publicações que revolucionaram o cenário midiático brasileiro.

    Sua visão inovadora moldou a imprensa nas décadas de 1960 e 1970, com destaque para o Jornal da Tarde, que ele considerava uma criação “revolucionária” por seu estilo ousado e moderno.

    Mino Carta também foi um crítico feroz da ditadura militar (1964-1985), embora tenha enfrentado controvérsias sobre sua atuação inicial na Veja, onde, segundo críticos, teria adotado posturas alinhadas ao regime em seus primórdios.

    No entanto, sua trajetória posterior, especialmente à frente da CartaCapital, consolidou sua imagem como defensor de uma imprensa progressista e combativa.

    Ele se posicionou contra o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, chamando-o de “o pior golpe que o Brasil sofreu”, e criticou duramente a atuação do então juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato.

    Recentemente, em entrevista ao escritor Lira Neto para o livro Memória do Jornalismo Brasileiro Contemporâneo, publicado pelo Centro de Memória do IREE, Mino Carta expressou preocupação com o futuro da imprensa em um mundo dominado pelas redes sociais:

    “A internet, na verdade, matou as melhores ideias e as criações mais brilhantes. Ela limitou o jornalismo de uma maneira francamente daninha”.

    MINO CARTA

    Ele alertava para a perda de um jornalismo ativo e corajoso, pautado pela busca da verdade.

    Além de sua contribuição como editor, Carta também deixou um legado literário com obras como O Castelo de Âmbar (2000) e A Sombra do Silêncio (2003), nas quais retratou, de forma ficcional, os bastidores da relação entre imprensa e poder no Brasil.

    Em 2006, ele recebeu o prêmio de Jornalista Brasileiro de Maior Destaque no Ano pela Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE), reconhecimento de sua influência global.

    A morte de Mino Carta gerou comoção no meio jornalístico e político.

    A CartaCapital publicou uma nota oficial destacando sua trajetória como fundador e líder da revista, enquanto personalidades como Caco Barcellos, também premiado por sua coragem jornalística, lamentaram a perda de um colega que inspirou gerações.

    O legado de Mino Carta permanece como um farol para o jornalismo brasileiro, em um momento em que a profissão enfrenta desafios como a concentração de verbas publicitárias e a influência das redes sociais.

    Sua dedicação à verdade e à democracia continua a ecoar, incentivando novos jornalistas a seguirem seu exemplo de independência e compromisso com a sociedade.



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