Defensor incansável dos valores democráticos, o jornalista deixa uma marca indelével na imprensa nacional
Brasília, 02 de setembro de 2025
Na manhã desta terça-feira (2/ago), o Brasil perdeu Mino Carta, um dos maiores nomes do jornalismo nacional, aos 91 anos.
Fundador de veículos icônicos como Quatro Rodas, Jornal da Tarde, Veja, IstoÉ e CartaCapital, Mino Carta faleceu após duas semanas internado na UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde lutava contra problemas de saúde que se agravaram no último ano.
A notícia foi confirmada pela CartaCapital, revista que ele dirigiu desde sua fundação em 1994.
O vice-presidente Geraldo Alckmin lamentou a perda em suas redes sociais, destacando a trajetória de Mino Carta como defensor dos valores democráticos:
“O Brasil perdeu hoje um de seus maiores jornalistas. Mino Carta dedicou toda sua vida à criação e ao desenvolvimento de publicações que fizeram história na imprensa brasileira, dando voz à defesa dos valores democráticos. Que seu exemplo siga inspirando as novas gerações de jornalistas”.
GERALDO ALCKMIN
Vice-Presidente da República Federativa do Brasil
A declaração reflete o impacto de Carta não apenas no jornalismo, mas também na formação de uma imprensa crítica e engajada.
Nascido em Gênova, Itália, em 6 de setembro de 1933, Demetrio Carta, conhecido como Mino, chegou ao Brasil em 1946, aos 13 anos.
Estudou Direito na Universidade de São Paulo (USP), mas abandonou o curso para se dedicar ao jornalismo, uma paixão que o levou a criar publicações que revolucionaram o cenário midiático brasileiro.
Sua visão inovadora moldou a imprensa nas décadas de 1960 e 1970, com destaque para o Jornal da Tarde, que ele considerava uma criação “revolucionária” por seu estilo ousado e moderno.
Mino Carta também foi um crítico feroz da ditadura militar (1964-1985), embora tenha enfrentado controvérsias sobre sua atuação inicial na Veja, onde, segundo críticos, teria adotado posturas alinhadas ao regime em seus primórdios.
No entanto, sua trajetória posterior, especialmente à frente da CartaCapital, consolidou sua imagem como defensor de uma imprensa progressista e combativa.
Ele se posicionou contra o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, chamando-o de “o pior golpe que o Brasil sofreu”, e criticou duramente a atuação do então juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato.
Recentemente, em entrevista ao escritor Lira Neto para o livro Memória do Jornalismo Brasileiro Contemporâneo, publicado pelo Centro de Memória do IREE, Mino Carta expressou preocupação com o futuro da imprensa em um mundo dominado pelas redes sociais:
“A internet, na verdade, matou as melhores ideias e as criações mais brilhantes. Ela limitou o jornalismo de uma maneira francamente daninha”.
MINO CARTA
Ele alertava para a perda de um jornalismo ativo e corajoso, pautado pela busca da verdade.
Além de sua contribuição como editor, Carta também deixou um legado literário com obras como O Castelo de Âmbar (2000) e A Sombra do Silêncio (2003), nas quais retratou, de forma ficcional, os bastidores da relação entre imprensa e poder no Brasil.
Em 2006, ele recebeu o prêmio de Jornalista Brasileiro de Maior Destaque no Ano pela Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE), reconhecimento de sua influência global.
A morte de Mino Carta gerou comoção no meio jornalístico e político.
A CartaCapital publicou uma nota oficial destacando sua trajetória como fundador e líder da revista, enquanto personalidades como Caco Barcellos, também premiado por sua coragem jornalística, lamentaram a perda de um colega que inspirou gerações.
O legado de Mino Carta permanece como um farol para o jornalismo brasileiro, em um momento em que a profissão enfrenta desafios como a concentração de verbas publicitárias e a influência das redes sociais.
Sua dedicação à verdade e à democracia continua a ecoar, incentivando novos jornalistas a seguirem seu exemplo de independência e compromisso com a sociedade.








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