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    Ministro de Israel defende morte de até 40 palestinos em Gaza todas as noites, porque eles “não merecem viver” (vídeo)

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    Gaza Gvir

    📷 Itamar Ben-Gvir, Ministro da Segurança Nacional de Israel, durante entrevista ao “Podcast de 8 de outubro” |15.8.2026| o entrevistador Rom Breslavsky é um dos sequestrados pela Jihad Islâmica Palestina para a Faixa de Gaza |•| URBS MAGNA

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Tel-Aviv (IL)
    17 de agosto de 2026

    O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, defendeu publicamente a realização de assassinatos seletivos na Faixa de Gaza, afirmando que Israel deveria matar entre 30 e 40 pessoas todas as noites, inclusive indivíduos que não representassem uma ameaça imediata.

    A declaração foi feita em uma entrevista com Rom Braslavski, ex-refém mantido em Gaza, no episódio inaugural do podcast “October 8”, publicado em 15 de agosto de 2026. O conteúdo foi noticiado pela Associated Press e pelo Financial Times.

    “Não é segredo que discordo do primeiro-ministro”, disse Ben-Gvir. “Acho que assassinatos seletivos deveriam ser realizados em Gaza, eliminando 30 a 40 [pessoas] todas as noites. Não apenas aqueles que representam uma ameaça imediata — há pessoas lá que não são dignas de viver. Elas não deveriam viver. Elas nem sequer são pessoas.”

    A fala ocorreu durante uma discussão sobre a redução recente dos ataques israelenses em Gaza. Segundo a AP, Ben-Gvir criticou essa redução e defendeu a retomada de operações de assassinato seletivo.

    É importante observar que Ben-Gvir é ministro da Segurança Nacional, mas não possui autoridade para ordenar ataques militares israelenses em Gaza. A AP destaca que ele supervisiona a polícia nacional e o sistema prisional, enquanto as Forças de Defesa de Israel estão sob outra cadeia de comando.

    Defesa da permanência israelense em Gaza

    Na mesma entrevista, Ben-Gvir também afirmou: “Vejo toda Gaza como nossa”.

    Ele defendeu a reconstrução de assentamentos israelenses na Faixa de Gaza, não apenas na área de Gush Katif, de onde Israel retirou seus assentamentos em 2005. Também defendeu incentivar a emigração de palestinos de Gaza.

    Sobre aqueles que considera terroristas, Ben-Gvir afirmou que não deveria haver emigração, mas “apenas matá-los um por um”.

    Essas declarações representam uma posição política de Ben-Gvir e não significam que exista uma decisão oficial do governo israelense de executar diariamente 30 ou 40 pessoas em Gaza. Trata-se de uma defesa pública feita pelo ministro.

    A lei de pena de morte

    As declarações também ocorreram meses depois da aprovação, pelo Parlamento israelense (Knesset), de uma lei que amplia a possibilidade de aplicação da pena de morte em determinados casos de terrorismo.

    A legislação foi aprovada em 30 de março de 2026. Segundo o registro oficial da Knesset, a votação terminou com 62 votos a favor, 48 contra e uma abstenção.

    A legislação estabelece a pena de morte para determinadas condenações por terrorismo no sistema de tribunais militares aplicável aos casos previstos na lei. A medida foi fortemente defendida pela direita israelense e recebeu apoio de Ben-Gvir.

    A aprovação da lei provocou críticas de organizações de direitos humanos e reacendeu o debate sobre a pena capital, a aplicação diferenciada da legislação e sua compatibilidade com princípios do direito internacional.

    O contexto das declarações

    As novas declarações de Ben-Gvir se inserem em uma trajetória política marcada por posições extremamente duras contra palestinos e pela defesa de medidas de segurança mais severas.

    A AP relata que declarações anteriores de Ben-Gvir e de outros políticos israelenses foram apresentadas perante a Corte Internacional de Justiça no contexto das alegações de intenção genocida em Gaza. Isso não significa, contudo, que a Corte tenha concluído que as declarações de Ben-Gvir, isoladamente, comprovem genocídio. Israel rejeita a acusação de genocídio.

    No episódio do podcast, Ben-Gvir também defendeu a saída em massa de palestinos de Gaza e o estabelecimento de assentamentos israelenses no território. A AP informou que especialistas em direito internacional consideram que uma política de expulsão ou deslocamento forçado de uma população civil pode configurar crimes internacionais, dependendo das circunstâncias e da forma como for implementada.

    O que a declaração significa

    A fala de Ben-Gvir é, portanto, particularmente grave: o ministro defendeu publicamente que Israel realize assassinatos seletivos todas as noites em Gaza, com um número de 30 a 40 pessoas, e afirmou que isso deveria incluir pessoas que não representassem uma ameaça imediata.

    Ao mesmo tempo, é importante distinguir a declaração pessoal e política do ministro de uma ordem militar ou de uma política oficialmente adotada pelo Estado de Israel. Ben-Gvir não comanda as Forças de Defesa de Israel e não tem autoridade para determinar sozinho os ataques em Gaza.

    A declaração, entretanto, evidencia o grau de radicalização do discurso de uma das figuras mais influentes da extrema direita israelense e ocorre em meio a uma disputa política sobre o futuro de Gaza, a presença israelense no território, a população palestina e o uso da força militar.



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