Militares usaram o ‘indisciplinado soldado’ Bolsonaro para voltar à politica e agora acenam a LULA

15/01/2022 0 Por Redação Urbs Magna
Militares usaram o ‘indisciplinado soldado’ Bolsonaro para voltar à politica e agora acenam a LULA

 Militares durante o desfile de blindados da Marinha, que ficaram famosos por soltarem muita fumaça, na ocasião que teve por objetivo a intimidação do Congresso no dia da votação sobre o voto impresso / Detalhe de foto invertida de Pedro França, no Jornal Grande Bahia | O ex-presidente LULA acenando | Sobreposição de imagens

Fardados” se movimentam em face da indubitável e potencialíssima posição do ex-presidente nas pesquisas, a qual pode lhe garantir a recuperação da cadeira que em 2018 seria sua

Os militares que agora acenam a LULA, ante sua indubitável e potencialíssima posição nos resultados de pesquisas de intenção de voto para o pleito de outubro, operaram, em 2018, uma “volta à política nas costas de Bolsonaro quando foi exacerbado o sentimento antipetista na cúpula fardada”, escreve Igor Gielow, na Folha de São Paulo, acrescentando que o “soldado indisciplinado e processado, então deputado, era visto com desprezo por generais, até que um grupo na reserva atentou a seu potencial eleitoral e viu uma possibilidade de volta ao poder.

O jornalista diz ainda que “o serviço ativo aquiesceu, e forneceu quadros para o novo governo. Ao longo de 2019 e 2020 [desde quando Bolsonaro se sentou, sem merecer, na cadeira presidencial], a relação foi turbulenta”, haja vista que ele “usava a proximidade de forma instrumental na sua disputa com outros Poderes, notadamente o Judiciário, cuja cúpula é malvista entre os fardados“.

O saldo é positivo, segundo Gielow: “os militares obtiveram, além de cargos, reforma de carreira e de Previdência que pediam havia 20 anos“.

O sucessor de Villas Bôas [Comandante do Exército Brasileiro de 5 de fevereiro de 2015 até 11 de janeiro de 2019], Edson Leal Pujol [mesmo cargo entre 11 de janeiro de 2019 e 20 de abril de 2021]”, chocou-se diretamente com Bolsonaro e acabou derrubado, no escopo da crise militar que levou toda a cúpula da Defesa em março passado, dando sequência a uma nova nomeação para o mais alto posto desta força, quando surgiu o sucessor, Paulo Sérgio Oliveira.

Desde então, o comandante “vem navegando com mais habilidade, embora tenha tido de ceder ao não punir Eduardo Pazuello quando o general intendente da ativa, ex-ministro da Saúde, foi a ato político com o presidente“, escreve Gielow. “Tanto foi assim que, na sequência dos dois episódios recentes, ele se reuniu com Bolsonaro, que afirmou estar tudo bem na relação com sua antiga casa militar”.

Na prática, os militares saíram dos holofotes desde que o presidente baixou o tom de seu embate com Poderes e firmou a aliança com o centrão, depois da crise aguda do 7 de Setembro de 2021“, explica o jornalista. “Como as falas recentes de Bolsonaro sugerem, isso é bastante frágil como arcabouço“.

Oficiais da ativa se queixam dos movimentos dos generais de terno no governo. As conversas mais recentes giram em torno de Braga Netto, que foi ministro da Casa Civil antes de assumir a Defesa na esteira da crise de março”, escreve Gielow. “Ele se mostrou um dos mais bolsonaristas dos militares no governo e tem seu nome especulado para ocupar a vaga do também general de quatro estrelas da reserva Hamilton Mourão como candidato a vice-presidente na chapa governista“.

Há dúvidas se o centrão, que na prática irá governar neste último ano com a cessão de poderes orçamentários à Casa Civil sob o comando do PP, terá apetite para indicar um vice“, informa o jornalista. “O apoio e a bancada que será eleita mesmo que Bolsonaro patine abaixo dos 20% no primeiro turno podem ser suficientes, sem carregar o eventual caixão político do presidente de forma tão explícita“.

Neste caso, Braga Netto surge forte, até porque ele é visto como um cumpridor de ordens. O arranjo é apoiado por Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral), que segundo aliados quer ocupar a Defesa neste último ano de mandato”.

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