Militares já se afastam de Bolsonaro em sinalização a LULA, diz jornalista

O comandante do Exército, Paulo Sérgio, O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante o desfile de blindados da Marinha, que ficaram famosos por soltarem muita fumaça, na ocasião que teve por objetivo a intimidação do Congresso no dia da votação sobre o voto impresso / Foto de Evaristo Sá em 10 de agosto de 2021 / AFP. Na imagem principal, LULA aparece de costas | Sobreposição de imagens


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

A prova disso são os três recentes ‘episódios no Exército e na Marinha” que “tentam contornar” a “falta de interlocução atual com o ex-presidente‘, escreve

O afastamento de militares de Bolsonaro sugere que, nos casos dos episódios recentes do Exército e da Marinha, sinaliza a LULA uma abertura que substitui a falta de interlocução com o ex-presidente. As Forças Armadas demonstraram distanciamento do atual ocupante do Palácio do Planalto, o que sinaliza “posição e aceno a outros candidatos na disputa presidencial, com LULA à frente“, diz na Folha de São Paulo o jornalista Igor Gielow, acrescentando que seu jornal “ouviu de oficiais-generais das três Forças”.

Segundo sua matéria, “apesar de a interlocução com” LULA “ser basicamente inexistente neste momento, os eventos falariam por si e serviriam para tirar o bode de um golpe militar contra” o ex-presidente “em caso de vitória em outubro“.

Gielow lista três fatos ocorridos nas duas últimas semanas que “se colocaram na sempre espinhosa relação entre os militares e Bolsonaro“:

No primeiro, o jornalista lembrou que “o Exército determinou que todos os 67 exercícios militares programados para o ano fossem encerrados até setembro para liberar a tropa no caso de haver violência eleitoral ou, ainda pior, algum cenário ao estilo Capitólio dos EUA“.

No segundo, Gielow argumentou, ainda com relação ao Exército, sobre as “diretrizes no trato público da pandemia que vão contra o negacionismo preconizado por Bolsonaro, em particular criminalizando a divulgação de fake news, tão ao gosto do bolsonarismo, o que causou ruído no Planalto“.

Finalmente, e mais ruidosamente ainda, ocorreu a divulgação da polêmica e “duríssima nota” do “diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres“, em que o contra-almirante chama “o presidente à responsabilidade por ter acusado o órgão de ter interesses escusos na vacinação de crianças, que Bolsonaro critica“.

Gielow afirma que “o conjunto de eventos estabeleceu de saída no ano eleitoral uma linha divisória entre a balbúrdia presidencial e as Forças“, conforme disseram “fardados em altos postos do serviço ativo” e, “mais que isso, buscou dizer aos candidatos ao Planalto que, independentemente de quem vença a eleição, a Força se manterá neutra“.

Segundo o jornalista, generais, almirantes e brigadeiros dizem que o foco é LULA, pois “na cúpula, há o pragmatismo de que hoje” o ex-presidente “é o favorito para vencer a eleição”, sendo a “leitura benigna” a “de que os militares buscam reiterar isenção” e a “mais maquiavélica a de que não querem revanchismo por parte do novo chefe, caso o petista volte ao poder“.

Todos os ouvidos lembram o que chamam de tempos de vacas gordas sob LULA”, prossegue Gielow em seu texto. Nas gestões passadas do ex-presidente o jornalista lembra que “a bonança internacional das commodities e uma gestão fiscal responsável até a etapa final de seu mandato permitiram o reequipamento das Forças com programas como o de submarinos, de caças e de blindados“.

LULA “vê com reserva o comportamento do Exército em 2018, quando o então comandante Eduardo Villas Bôas pressionou o Supremo Tribunal Federal em um tuíte para não conceder habeas corpus que evitaria sua prisão“, escreve o jornalista. Mas, “por outro lado“, a força diz não acreditar na existência de “óbice institucional algum numa eventual relação” com o ex-presidente.

“LULA tem compreendido os sinais de fumaça que vêm da caserna“, opina Gielow.


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