Militar do GSI – da segurança do Presidente, diz que Lula não tomará posse e defende matar seus eleitores

Ronaldo Ribeiro Travassos trabalha na divisão administrativa, no gabinete do general Heleno, no Palácio do Planalto, e deveria, em 2023, proteger Lula

Um militar da Marinha, Ronaldo Ribeiro Travassos, lotado no GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República), chefiado pelo general Augusto Heleno, um dos aliados mais fiéis de Jair Bolsonaro (PL), aparece em áudios e vídeos enviados em um grupo de mensagens incentivando os atos antidemocráticos em frente aos quartéis das Forças Armadas, afirmando que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tomará posse, além de também defender o assassinato de brasileiros eleitores do petista.

Matéria dos jornalistas Fabio Serapião, Marianna Holanda e Matheus Teixeira, na Folha de S. Paulo, diz que Travassos foi procurado, mas disse que “não comentaria suas falas e argumentou não saber se era ele mesmo nos áudios“. Por sua vez, o GSI, por meio de nota, disse que não é sua competência “autorizar servidores para que participem de qualquer tipo de manifestação” e que “as supostas declarações demandadas são de responsabilidade do autor em atividade pessoal fora do expediente“.

O GSI, onde o militar trabalha, passará a atuar na segurança de Lula a partir de 1º de janeiro. “Há um clima de desconfiança no ar“, diz a matéria. “A PF, responsável pela segurança de Lula, excluiu o GSI da sede da transição do governo, no CCBB [Centro Cultural do Banco do Brasil], em Brasília. Também tem evitado sua participação na posse e concentrando a coordenação do evento“. E Travassos trabalha na divisão administrativa, no gabinete do general, lotado no Palácio do Planalto, desde o final de 2016, quando Michel Temer (MDB) era presidente.

Aí pessoal, tá lotado. 24 de novembro de 2022, horário do jogo do Brasil, mas o povo não quer nem saber, o povo está aqui lutando pelo Brasil. Eu tenho certeza que o ladrão não sobe a rampa. Agora, você que tá bonitinho em casa, quando seu filho virar boiola ou uma sapatão esquerdista, não reclame“, diz Travassos em um vídeo gravado no dia 24 de novembro, data de estreia do Brasil na Copa do Mundo do Catar.

O general Brandão me perguntou lá no gabinete: Marujo, o que você acha? Acho não, tenho certeza, o ladrão não vai subir a rampa. Por que você diz isso? Porque eu confio no povo que tá lá no QG, em todos quartéis Brasil afora, confio nos caminhoneiros e nos índios. Se as Forças Armadas não fizerem nada, nós vamos fazer“, diz o militar em outro áudio.

Segundo o jornal, nas redes sociais há registros do militar nos atos do feriado de 7 de Setembro. Na manifestação no QG do Exército, fotos, áudios e vídeos compartilhados em um grupo mostram que Travassos chegou a dormir ao menos uma uma noite no local junto aos manifestantes.

Além das falas golpistas, o militar diz nas conversas as quais o jornal teve acesso que haverá uma “guerra civil” no país:

Estevão, apagou por quê? É isso mesmo, tem um monte de colega omisso. Tem gente aqui nesse grupo, tem grupo de fora, meu prédio tem 17 moradores, dos 17, seis fazem o L. Nós precisamos saber quem é quem, porque a guerra civil vai rolar“, afirma Travassos.

A mensagem enviada ao grupo era uma resposta a Estevão Luiz Soares, outro militar da Marinha lotado na Presidência. Após a citação à suposta guerra civil, Travassos afirma que defenderia qualquer patriota, como os apoiadores de Bolsonaro se autointitulam, mas daria um tiro na cabeça do próprio irmão se ele fizesse o ‘L’ [gesto característico dos eleitores de Lula].

Não tô falando isso de brincadeirinha, não, é sério. Quem faz o ‘L’ é terrorista. Tem que morrer mesmo, ou mudar ou morrer, porque não tem jeito uma pessoa dessa“, diz Travassos, que segundo o texto é militar da ativa e, portanto, não poderia participar de manifestações político-partidárias.

A Constituição proíbe a filiação de militares da ativa a partidos políticos e a norma que rege a categoria diz que é proibida “quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político“, explica o jornal.

Em uma outra fala, Travassos afirma que “o general” tem conhecimento da sua participação nos atos antidemocráticos, sem citar se o general seria Augusto Heleno, chefe do GSI.

Pelo amor de Deus, alguém tá preocupado com isso? Ah, não vou não porque sou militar e não posso. O general sabe que eu tô aqui e eu falei que tem bastante gente, tem gente da segurança e tudo. Oh, meu irmão, é tudo ou nada, não tem conversinha“, disse.

Comente

Comente

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.