Militar do escândalo dos cartões corporativos de Bolsonaro é afastado pelo novo comandante do Exército de Lula

Em foto de arquivo, Mauro Cid caminha ao lado de Bolsonaro em viagem aos EUA | Imagem: Alan Santos / Presidência da República

Coronel Cid entrega requerimento a Tomás Paiva pedindo adiamento de comando do 1º Batalhão de Ações e Comandos de Goiânia, após conversas

O tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid entregou um requerimento ao novo comandante do Exército, general Tomás Paiva, pedindo adiamento de comando do 1º Batalhão de Ações e Comandos de Goiânia, após conversarem sobre a decisão. Paiva recebeu o documento, nesta terça-feira (24/1), horas antes da primeira reunião do Alto Comando, presidida pelo comandante. A pauta do encontro foi a situação do ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL).

O comandante aceitou o pedido de afastamento e agora deve designar um novo oficial para o posto. No requerimento, Cid diz que está se defendendo de acusações na Justiça e que, por isso, não quer assumir. A decisão foi vista como “bastante adequada” por generais do alto comando, tirando um peso das costas do novo chefe do Exército.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou incomodado com a situação do antigo ajudante de ordens de Bolsonaro e pediu ao ministro da Defesa, José Múcio, para que a situação fosse resolvida. A recusa do último comandante, Júlio César de Arruda, em desfazer a nomeação de Cid foi a gota d’água para sua demissão. Tomás chegou com o desafio de atender o pedido de Lula sem amplificar ainda mais a crise com os militares.

O novo comandante teria que convencer o Alto Comando na reunião de ontem de que o ex-homem de confiança de Bolsonaro não poderia chefiar o batalhão. Na caserna, havia resistência por parte de alguns militares, que alegavam que Cid não poderia ser condenado apenas por estar sendo investigado. A nomeação de Cid para o posto já estava decidida desde maio do ano passado quando foi publicada a designação dele e de todos os outros comandantes nomeados para o biênio 2023-24, lembra o UOL.

Caso assumisse o comando agora em fevereiro e as investigações avançassem, o peso para a Força seria maior. Um general, no entanto, destacou que o pedido de afastamento de Cid não indica que o tenente-coronel ficará impedido de assumir o comando no futuro. Caso ele seja absolvido, no ano que vem ele poderia assumir este ou outros batalhões.

Considerado o braço direito de Bolsonaro e um de seus principais conselheiros, Mauro Cid foi indiciado pela Polícia Federal sob acusação de produzir desinformação disseminada pelo ex-presidente. Em dezembro, a PF concluiu que Bolsonaro associou, falsamente, a vacina contra a covid-19 e o vírus HIV em uma live feita em outubro de 2021. Na mesma transmissão ao vivo, Bolsonaro disse, sem apresentar provas, que a maioria das vítimas de gripe espanhola não teria morrido da doença, mas de “pneumonia bacteriana causada pelo uso de máscara“.

A investigação indica que Mauro Cid levantou as informações e, por isso, ele foi indiciado por dois crimes: Art. 141 da Lei de Contravenções Penais: “Provocar alarma, anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar ato capaz de produzir pânico ou tumulto“; Art. 286 do Código Penal: “Incitação ao crime“.

Segundo reportagem do site Metrópoles, o militar também teria coordenado um suposto caixa 2 no gabinete de BolsonaroCid é apontado ainda como responsável pela produção da apresentação de Bolsonaro a embaixadores, na qual o então presidente novamente questionou as urnas.

Em campanha para reeleição no ano passado, Bolsonaro se exaltou em live ao defender seu ajudante. Ele atacou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e o acusou de ter “vazado” informações da quebra de sigilo de Cid para a imprensa: “Quebrar o sigilo do meu ajudante de ordem é uma covardia, covardia. Por que ele quebrou o sigilo do ajudante de ordem? ‘Ah, ele que abastece o Bolsonaro com fake news‘ […] Quem vazou foi você, seja homem“,afirmou.

As investidas de Bolsonaro ocorreram após a publicação de uma reportagem da Folha de S.Paulo sobre mensagens encontradas pela PF no celular de um assessor. Isso renovou as suspeitas a respeito das movimentações financeiras da família, em especial de Michelle Bolsonaro. A quebra de sigilo bancário de Cid foi autorizada por Moraes, a pedido dos investigadores.

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