Ex-primeira-dama ainda não recebeu, no entanto, a benção oficial do condenado para concorrer ao Palácio do Planalto contra o estadista
Brasília, 09 de novembro 2025
Apesar do ex-presidente condenado por tentativa de golpe de estado e inelegível até 2062, Jair Bolsonaro, não ter definido oficialmente um sucessor para seu capital político visando as eleições de 2026, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem se afirmado como forte candidata a cada evento que participa.
Em busca de se consolidar para a disputa, seja pela presidência da República ou pelo Senado — posição preferida pelo marido que aguarda decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, sobre a data do início da pena em regime fechado, provavelmente na Papuda, Michelle tem replicado as bandeiras ideológicas que impulsionaram a direita ao poder no Brasil.
O palco mais recente dessa movimentação política foi no último sábado (8/nov), durante um discurso no evento do PL Mulher em Londrina (PR), conforme lembra o jornal O Estado de S. Paulo. Neste encontro, a principal estratégia adotada foi o ataque direto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O discurso de Michelle Bolsonaro focou na suposta submissão do Congresso Nacional ao Judiciário. A ex-primeira-dama declarou que o Congresso Nacional “está de joelhos em frente ao STF”. Ela classificou a situação como “uma tristeza”, afirmando que “só quem governa é o Judiciário” e que os deputados “aprovam leis e, se não tiver em concordância, eles anulam”.
É importante notar que, dentro da estrutura dos Três Poderes, o controle de constitucionalidade das leis aprovadas pelos parlamentares é uma atribuição constitucional do Judiciário. Isso inclui a prerrogativa de derrubar a validade de normas caso haja incompatibilidade com a Constituição Federal.
A ofensiva verbal de Michelle ocorreu logo após a defesa de Jair Bolsonaro ter sido derrotada no julgamento de um recurso à condenação por tentativa de golpe de Estado. Além da condenação do ex-presidente, a direita também se sentiu incomodada pelo fato de o STF ter frustrado o caminho para o Congresso aprovar a anistia aos condenados pela trama golpista. Com a certeza de que o perdão seria derrubado pelo Supremo, o Congresso optou por adiar esse plano.
Apesar de Jair Bolsonaro estar inelegível desde 2023 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e com as urnas “ainda mais trancadas” para 2026 devido à sentença do STF, que prorroga a inaptidão política do condenado até 2062, Michelle Bolsonaro dedicou parte de seu discurso a glorificar o marido.
Para cativar o eleitor bolsonarista raiz, ela sustentou que Bolsonaro é a única alternativa viável para governar o País, enfatizando: “Não há outra opção para a Presidência da República. A única opção para presidente da República da direita chama-se Jair Messias Bolsonaro”.
A ex-primeira-dama foi além, indicando que a restrição de sua candidatura representaria um golpe: “Se não acontecer, não existe democracia, se não acontecer, este é o verdadeiro golpe que o Judiciário está dando no povo de bem, no povo brasileiro”. Ela também afirmou que Jair veio para “resgatar o patriotismo e o amor à pátria”.
Durante o evento, Michelle forneceu informações sobre a saúde do ex-presidente, que está prestes a completar 100 dias de prisão domiciliar. Ela mencionou que, após a última cirurgia, ele não conseguiu mais se recuperar do soluço e sofre de “vários problemas de saúde decorrentes dessa última cirurgia” por falta de “paz de espírito para se recuperar, um ambiente favorável”.

Segundo a ex-primeira-dama, Bolsonaro tem “vivido dias muito difíceis, tendo todos os seus direitos violados”. A defesa do ex-presidente utiliza esse mesmo raciocínio de saúde e vulnerabilidade para garantir que ele continue em prisão domiciliar, evitando uma possível transferência para a Penitenciária da Papuda ou para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília ainda neste mês.
Além dos ataques ao STF e a glorificação do marido, Michelle usou o palanque para criticar outros inimigos da direita, repetindo a fórmula que alçou Jair Bolsonaro à liderança.
Ela dirigiu críticas ao atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de fazer “aliança com o crime” e de “ficar do lado do crime e abandona a vítima”. A ex-primeira-dama também criticou o falecido ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, classificando-o como “comunista ou socialista raiz”. Historicamente, a fórmula Bolsonaro é impulsionada por ataques à esquerda, discurso de combate violento à criminalidade, e ode à pátria e à família.
O engajamento de Michelle tem se traduzido em resultados eleitorais promissores, mesmo sem o endosso oficial do marido. Pesquisa do Instituto Gerp, publicada na sexta-feira, 7, indica que ela é um dos nomes preferidos dos eleitores de direita. No cenário de primeiro turno, ela alcançaria 30% das intenções de voto, contra 35% de Lula. Em um eventual segundo turno, a pesquisa mostra que Michelle obteria 47% dos votos, superando os 44% do atual presidente, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Apesar desses dados, um levantamento anterior, da Quaest, realizado em 9 de outubro, indicava que, embora Michelle estivesse em crescimento, nenhum nome do campo conservador demonstrava força suficiente para se destacar isoladamente na disputa.
O movimento político de Michelle Bolsonaro pode ser comparado a um navio que assume a rota de um capitão consagrado, mesmo que este último tenha sido forçado a parar no porto. Ela não apenas herdou a embarcação (o capital político), mas também está navegando com o mapa e a bússola exatos (a fórmula ideológica de ataques) que garantiram a popularidade da viagem anterior.
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Como sempre ridícula pensa com o.mesmo espirito de grandeza do resto da familia miliciana!!! Oh coitada!!!
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