Paola Schietekat foi apontada falsamente pelo agressor como sua namorada que permitiu que ele entrasse no apartamento, mas como o sexo fora do casamento é um delito no país ela estaria infringindo a lei e mereceria uma punição

Por COPA ALÉM DA COPA
No Twitter em 19/02/2022
A mexicana Paola Schietekat sofreu abuso sexual no Catar, onde trabalhava na organização da Copa do Mundo. Ao denunciar o ato, surpresa: o agressor foi liberado e ela foi condenada a 100 chibatadas e 7 anos de prisão. É mais um caso de violação de direitos humanos ligado à Copa.
Com a ajuda da ONG internacional de direitos humanos Human Rights Watch, a pena não foi aplicada, porque Paola conseguiu deixar o país. O abuso ocorreu em junho de 2021. Ela conseguiu um laudo médico que mostrava que comprovava a agressão e o levou à polícia. Não adiantou.
O agressor afirmou à polícia que eles eram namorados e que ela permitiu que ele entrasse no apartamento. Foi aí que Paola passou de acusadora a acusada: no Catar, o sexo fora do casamento é considerado um delito. Portanto, ela estaria infringindo a lei e mereceria uma punição.
Para evitar isso, sua advogada recomendou que ela se casasse com o abusador. Depois de muita insistência de Paola, agora, finalmente o ministro de Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, se comprometeu a envolver o país na defesa dela perante as autoridades cataris.
A questão é mais um escândalo envolvendo a Copa do Mundo do Catar.
Já relatamos aqui, por exemplo, o alto número de mortes de trabalhadores imigrantes nas obras para o Mundial: [23/FEV/2021 – Mais de 6500 trabalhadores imigrantes morreram no Catar desde 2010, quando o país ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022, revelou hoje o jornal britânico The Guardian. Essas mortes (em média 12 por semana) estão ligadas a uma série de obras de grande porte pro Mundial]
No início deste ano, falamos também dos problemas com a rede hoteleira do país, o menor a sediar uma Copa do Mundo na história: [O Catar é o menor país a receber uma Copa do Mundo na história. A Suíça, 2ª nessa lista, é três vezes maior. E só teve que receber metade das seleções que o Catar terá de acolher em 2022. Já há preocupações sobre a capacidade da rede hoteleira catari em atender torcedores].




