Entenda a corrida contra o tempo e os bastidores políticos após armadilha de Alcolumbre contra a indicação de Messias ao STF
Brasília, 30 de novembro 2025
O advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF) — que era de Luís Roberto Barroso — enfrenta uma intensa pressão e uma corrida contra o tempo para angariar os 41 votos necessários para sua aprovação no Senado Federal.
A urgência era ditada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que marcou a sabatina de Messias para o dia 10 de dezembro.
Esta antecipação foi vista pelo Governo como uma estratégia de Alcolumbre para apressar o período de negociações, o que prejudica o indicado.
Há um grande pessimismo no Congresso em relação à aprovação do nome de Messias, que já admitiu publicamente, na quarta-feira (26/nov), que a busca por votos “não está fácil”.
O Embate Político e a Resistência de Alcolumbre
A principal dificuldade enfrentada por Messias não é técnica (currículo ou reputação ilibada), mas política.
A resistência é liderada por Davi Alcolumbre e está ligada a uma demanda pessoal.
Alcolumbre era contra a indicação de Messias, pois preferia o nome de seu aliado político, o ex-senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
O presidente Lula realizou a indicação de Messias “sem um diálogo prévio ou articulação mais próxima” com Alcolumbre, que soube da decisão pela imprensa.
Essa preterição a Pacheco e a falta de consulta aprofundaram um mal-estar entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado.
A antecipação da sabatina e a resistência política são vistas como instrumentos estratégicos para Alcolumbre reafirmar seu poder e autonomia.
Ele está sinalizando ao Executivo que o apoio do Senado não é automático e que a falta de consulta ao seu grupo tem um custo, exercendo poder de barganha para obter concessões em outras áreas.
Aliados de Lula tentam marcar uma conversa com Alcolumbre para diminuir a tensão. Contudo, no clima atual de atrito entre Governo e Congresso, com disputas sobre derrubada de vetos, o projeto de lei antifacção e a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), aliados de Alcolumbre indicam que ele deve permanecer irredutível.
Articulações, Votos e Manobras
Messias está em intensa articulação. Na semana passada, ele se reuniu com líderes como Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Sua estratégia para a próxima semana é concentrar esforços nas bancadas temáticas, notadamente a bancada evangélica.
Como integrante da Igreja Batista, Messias busca garantir o apoio de senadores da direita que professam a mesma fé, o que lhe confere certa entrada com nomes como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o ministro do STF André Mendonça.
A Ação do STF e a Mensagem Pendente
Ministros do STF decidiram entrar em campo para ajudar Messias a conseguir os votos, mesmo que houvesse preferência por Pacheco na Corte, conforme o g1.
O entendimento no Supremo é que a escolha de Lula deve ser respeitada por ser prerrogativa do Presidente da República.
Um fato relevante é que o Palácio do Planalto não havia enviado, até o momento da notícia, a mensagem oficial de indicação à mesa diretora do Senado.
Sem essa mensagem, a sabatina e a votação não podem ser formalmente agendadas.
Aliados de Alcolumbre interpretam essa omissão como uma estratégia do Planalto para tentar jogar essa votação para o ano que vem, mais especificamente para fevereiro, após a retomada das atividades legislativas.
O Risco de Rejeição e as Críticas
A aprovação de Messias era o resultado mais esperado, mas a chance de a indicação ser rejeitada pelos senadores é real.
Embora seja extremamente raro o Senado rejeitar uma indicação presidencial ao STF, o processo é considerado difícil.
O processo é dividido em duas etapas críticas:
- CCJ: São necessários 14 votos dos 27 membros. Levantamentos preliminares indicam que o cenário é favorável a Messias na CCJ.
- Plenário: São necessários 41 votos de 81 senadores. A base aliada de Lula tem cerca de 30 votos assegurados, exigindo que Messias conquiste um número significativo de votos entre a oposição e os independentes.
A oposição deve usar a sabatina para levantar questões sensíveis, criticando o vínculo político de Messias com o Governo Lula (por ser AGU) e relembrando o caso “Bessias”, a menção a ele na conversa interceptada entre Dilma Rousseff e Lula em 2016.
Há setores no Senado que temem que Messias possa ser um novo Flávio Dino, no sentido de ser visto como um risco a pautas caras ao Congresso.
A intensa queda de braço entre o Palácio do Planalto e a presidência do Senado teve um desfecho temporário.
A sabatina e a votação de Jorge Messias, que geravam grande pessimismo, foram de fato adiadas.
Diante da falta de consenso e da ausência de envio da mensagem oficial de indicação por parte do Executivo, o Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não pautou a matéria para dezembro.
A expectativa é que a indicação de Messias só seja analisada após o recesso parlamentar, em fevereiro de 2026, o que concede ao Governo Lula mais tempo para negociar os 41 votos necessários e tentar apaziguar a relação com o grupo de Alcolumbre.

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Corte a cabeça da cobra (Eduardo Cunha), capitão do caos, que o mundo gira normsl.
Dá algerisa lembrar como Lula enalteceu o Deslumbre e o Marmota na eleição da presidências das mesas do senado e da câmara, dois traíras de marca maior, HIPÓCRITAS!
Lula governa com uma faca no pescoço e outra nas costas.
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