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Mesa da Câmara aciona Conselho de Ética após Gilvan da Federal afirmar que Gleisi “devia ser prostituta” (vídeo)

    Mesa da Câmara aciona Conselho de Ética após Gilvan da Federal afirmar que  Gleisi “devia ser prostituta” (vídeo)


    LINDBERGH FARIAS e GLEISI HOFFMANN | Imagem reprodução Instagram | GILVAN DA FEDERAL discursa na Câmara | Imagem reprodução


    “Essa turma passou de todos os limites”, disse Lindbergh Farias, companheiro da ministra. Ele anunciou que o PT entraria com ações contra o bolsonarista, que agora enfrenta pedido de suspensão por conduta incompatível com decoro parlamentar – SAIBA MAIS E ASSISTA

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    Brasília, 01 de maio de 2025

    A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados acionou o Conselho de Ética contra o deputado Gilvan da Federal (PL-ES) por ataques misóginos e difamatórios dirigidos à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT).

    A representação, protocolada na quarta-feira (30/abr) aponta “conduta incompatível com o decoro parlamentar” e solicita a suspensão do mandato do parlamentar por seis meses.

    O caso, que ganhou repercussão imediata, reflete a crescente polarização política e a luta contra a violência de gênero no ambiente legislativo.

    O incidente ocorreu durante uma sessão da Comissão de Segurança Pública da Câmara, quando Gilvan da Federal proferiu ofensas contra Gleisi Hoffmann, insinuando que a ministra “devia ser uma prostituta” ao fazer referência pejorativa à sua citação na chamada “lista da Odebrecht”.

    As declarações, registradas em vídeo e amplamente divulgadas no canal da TV Câmara no YouTube, foram consideradas “ultrajantes, desonrosas e depreciativas” pela Mesa Diretora.

    A representação destaca que o deputado extrapolou suas prerrogativas parlamentares, ferindo não apenas a honra da ministra, mas também a dignidade do próprio Parlamento.

    A conduta de Gilvan também gerou reações imediatas de aliados de Gleisi. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), líder da legenda na Câmara e companheiro da ministra, denunciou que “essa turma passou de todos os limites”.

    Ele anunciou que o partido entraria com ações no Conselho de Ética e na Corregedoria da Câmara, reforçando a gravidade das ofensas.

    A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) foi uma das primeiras a se manifestar publicamente, destacando que as declarações de Gilvan “não cairão no esquecimento”.

    Em postagens no X, ela enfatizou a gravidade das insinuações e a necessidade de punição exemplar para coibir ataques semelhantes.

    O posicionamento de Petrone reflete o sentimento de indignação de parlamentares progressistas, que veem no caso um exemplo de violência política de gênero.

    Deputadas do PT também se mobilizaram, protocolando um pedido de punição contra Gilvan por suas falas misóginas.

    A ação coletiva reforça a articulação feminina no Congresso para enfrentar discursos de ódio e desrespeito.

    Gilvan menciona “lista da Odebrecht” e tenta associar Gleisi a práticas ilícitas de forma pejorativa.

    A ministra foi absolvida em processos relacionados à Operação Lava Jato, com denúncias rejeitadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018 e 2019, além de uma ação extinta em 2022.

    Gilvan da Federal não é o primeiro parlamentar bolsonarista a enfrentar o Conselho de Ética por ataques a Gleisi Hoffmann. Em março, o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) foi alvo de representações por insinuar um “trisal” envolvendo Gleisi, Lindbergh Farias e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

    As falas machistas de Gayer resultaram em seis processos no STF por declarações ofensivas e preconceituosas, além de uma queixa-crime movida por Gleisi, que pediu indenização de R$ 30 mil por danos morais.

    Outro caso emblemático envolve o deputado estadual Ricardo Arruda (PL-PR), condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) a indenizar Gleisi e o PT em R$ 20 mil por chamá-la de “amante” em uma publicação de outubro de 2024.

    Arruda também foi obrigado a se retratar publicamente, após tentar justificar sua fala como “ironia política”.

    Esses episódios evidenciam um padrão de ataques misóginos contra Gleisi, frequentemente impulsionados por narrativas bolsonaristas que buscam desqualificá-la tanto no âmbito pessoal quanto político.

    A ministra, por sua vez, tem respondido com ações judiciais e articulação política, consolidando sua posição como uma das principais lideranças do governo Lula.

    A representação contra Gilvan da Federal ocorre em um momento de alta tensão no Congresso, marcado por disputas em torno do Projeto de Lei da Anistia, que busca perdoar condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

    Gleisi Hoffmann tem sido uma voz firme contra o projeto, chamando-o de “golpe continuado” e criticando deputados da base aliada que o apoiam.

    Sua postura gerou atritos com setores bolsonaristas, que intensificaram os ataques contra ela.

    O caso também reforça a pressão sobre o Conselho de Ética, que tem enfrentado desafios para punir parlamentares por quebra de decoro.

    A solicitação de suspensão do mandato de Gilvan por seis meses, prevista no Regimento Interno da Câmara, é uma medida drástica que, se aprovada, pode servir de precedente para coibir discursos de ódio no Legislativo.

    As ofensas a Gleisi Hoffmann são parte de um cenário mais amplo de violência política de gênero no Brasil.

    O país ocupa a 133ª posição no ranking global de representação feminina em parlamentos, e episódios como esse evidenciam as barreiras enfrentadas por mulheres na política.

    A representação protocolada pelo PT, assinada pelo senador Humberto Costa (PE), destaca que as falas de Gilvan configuram crimes como difamação, injúria e violência política de gênero, previstos no Código Penal.

    Parlamentares têm defendido a criação de mecanismos mais eficazes para punir esse tipo de comportamento, incluindo a implementação de políticas de formação e conscientização no Congresso.

    A mobilização feminina no Legislativo tem ganhado força, mas enfrenta resistência em um ambiente ainda dominado por narrativas conservadoras e polarizadas.

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    O acionamento do Conselho de Ética contra Gilvan da Federal por ataques a Gleisi Hoffmann é mais do que um episódio isolado: é um reflexo das tensões políticas e da luta por um ambiente legislativo mais ético e igualitário.

    A resposta articulada de Gleisi, Lindbergh Farias, Talíria Petrone e outras lideranças progressistas sinaliza um esforço para enfrentar a violência política de gênero e fortalecer a democracia.

    Enquanto o caso tramita no Conselho de Ética, a sociedade acompanha de perto, cobrando punições que sirvam de exemplo contra o discurso de ódio no Congresso.

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