“Se não tivéssemos a pandemia, as manifestações de rua já teriam criado um clima político favorável ao impeachment do presidente. Não é preciso levar em conta a ação do governo na pandemia para impedi-lo de continuar na presidência da República“, disse o colunista do Globo após o ’29M’
O jornalista Merval Pereira, do Globo, afirma que “já há documentos suficientes: Bolsonaro é culpado pelos mortos brasileiros”. Sobre os protestos do ’29M’, ele diz que “se não tivéssemos a pandemia, as manifestações de rua já teriam criado um clima político favorável ao impeachment do presidente. Não é preciso levar em conta a ação do governo na pandemia para impedi-lo de continuar na presidência da República“.
Leia os principais trechos de seu pensamento publicado, sem repercussão, no início do domingo:
“(…)
Antes disso, [Bolsonaro] já havia cometido barbaridades, como as manifestações antidemocráticas contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. A partir da divulgação daquele vídeo com o “golden shower”, logo no início de seu governo, Bolsonaro deu motivos suficientes para ser impedido de estar na presidência da República.
(…)
(…) As aglomerações que o presidente Bolsonaro continua a promover, e as bravatas com que impressiona seus seguidores o incriminam (…) Uma terceira onda cada vez mais provável é a condenação do presidente Bolsonaro e das políticas sanitárias insanas que seu governo patrocina.
Já há documentos suficientes para provar que o governo postergou a compra de vacinas, se não por deliberação assassina, por incompetência que levou ao mesmo triste fim. De uma maneira ou de outra, o governo Bolsonaro é culpado pelos mortos brasileiros atingirem números estratosféricos, caminhando para, proporcionalmente, ser o maior do mundo.
Talvez a tragédia indiana impeça que atinjamos esse triste recorde, mas quase certamente ultrapassaremos os Estados Unidos, que estão contendo a pandemia enquanto nós continuamos com ela descontrolada. Uma pandemia como essa exigiria, desde seu início, um governo diligente que mobilizasse o país como em uma guerra, que é o que estamos vivendo.
A mobilização, no entanto, foi no sentido de negar a gravidade da doença, e a tragédia não está sendo maior ainda porque os estados e municípios assumiram uma autonomia federativa, respaldada pelo Supremo Tribunal Federal, que certamente amenizou os efeitos da doença com lockdowns e distanciamento social, a obrigatoriedade do uso de máscaras, que o presidente Bolsonaro contesta até mesmo no Supremo.
Como se o direito de ir e vir fosse mais importante do que a saúde pública. Como se os governantes, especialmente o presidente da República, não tivesse obrigação de proteger seus cidadãos numa guerra”.

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