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Merval diz que Lula é sucesso internacional após a imagem do Brasil ser “enxovalhada” por Bolsonaro

    Mas, como sempre, o lendário e tendencioso crítico do estadista o culpa ao afirmar que ele não consegue negociar com a extrema direita, da qual o jornalista não cita as fake news e de cujo movimento político o autor da matéria também faz parte, produzindo seu alimento intelectual

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    O sucesso que o presidente Lula faz no exterior justifica suas viagens internacionais, polindo a própria imagem e a do país, que passou quatro anos sendo enxovalhada pelas atitudes radicais e retrógradas do seu antecessor“, escreve o jornalista e presidente da ABL (Academia Brasileira de Letras), Merval Pereira, no jornal ‘O Globo‘, referindo-se, por último, ao ex-presidente derrotado nas urnas pelo primeiro, o hoje declarado inelegível Jair Bolsonaro.

    Contudo, o agraciado com a condecoração da ‘Ordem Nacional do Mérito Científico‘, recebida em julho do ano passado, em nome da ABL, das mãos do Presidente da República Federativa do Brasil e Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diz que o interesse mundial pelo estadista “não tem consequências para as crises de seu governo, onde se vê a cada dia mais impotente diante do avanço da oposição“.

    Merval cita a reunião da “Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Genebra“, onde “Lula foi aplaudido de pé ao defender a democracia, e emitiu conceitos estimulantes a seus correligionários de esquerda no mundo, como a direta afirmação contra Elon Musk, ao afirmar que não precisamos buscar em Marte a solução de nossos problemas, é a Terra que precisa de cuidados“.

    O jornalista cita também “outras críticas a Musk, que assumiu recentemente um apoio ao bolsonarismo e atacou o Supremo Tribunal Federal (STF)“, através de mensagens postadas na plataforma social da qual hoje é proprietário, o ‘X‘. Segundo Merval, “foram infantis ou equivocadas” críticas “como estranhar que quem nunca plantou “um pé de alface” no Brasil pudesse criticar os ministros do Supremo“.

    O presidente da ABL diz depois, tendenciosamente, que “a plateia internacional continua sendo a melhor audiência para Lula, como sempre foi antes de estourar o escândalo do mensalão” – o caso do escândalo de compra de votos denunciado em 2005 pelo então deputado Roberto Jefferson, hoje presidiário, que ameaçou derrubar a primeira gestão Lula, e que, aqui, o jornalista desenterrou para temperar sua matéria. O ex-ministro José Dirceu afirmou, em uma entrevista ao programa ‘Conversas com Hildegard Angel‘, no ano passado, que “para entender o mensalão basta ver o que fez Roberto Jefferson até hoje e o que eu fiz“, chamando atenção para “o que vale a palavra dele e o que vale a minha”.

    Merval lembra a fala histórica do então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e diz que o democrata “foi o primeiro” a destacar o estadista, “chamando-o de “o cara” e dizendo que Lula era “o político mais popular do mundo”“. E diz que “seu retorno à Presidência” se deveu ao fato de “ter sido liberado pelo Supremo“, o que “deu-lhe condições de retornar ao palco internacional“, fazendo-o recuperar “o tempo perdido“, mas o critica ao dizer que o Presidente comete “os mesmos erros de supervalorização de sua persona, tentando um lugar de destaque no mundo multipolar como mediador das crises internacionais, o que não corresponde à sua atuação internamente“.

    Neste ponto, o jornalista quer culpar Lula pelo extremismo de direita no Brasil e pelo bolsonarismo tático, que produzem a polarização infinita, a qual o próprio Presidente tentou amenizar, ao anunciar, no início de sua terceira gestão, que pretendia “unir o Brasil“, mas, previsivelmente, lá estavam seus opositores para seguir produzindo o alimento da indústria política de fake news contra o governo federal. Por conta disso, o jornalista diz que “a imagem de Lula no exterior continua congelada no seu passado político“. O que é óbvio, haja vista que antes do bolsonarismo e da Vaza Jato, o país viveu suas melhores experiências econômicas.

    Ele mesmo faz questão de alimentar esse mito, pois, como fez agora no mesmo discurso da OIT, para defender a democracia, frisa que somente nesse regime um operário poderia chegar à Presidência da República“, lembra Merval, podendo estar demonstrando aporofobia. E diz que “o que se aplaude nesses encontros internacionais são as teorias de Lula, não sua ação na atualidade“. O jornalista se esquece que Lula ainda é vítima de um movimento que tentou impedi-lo de voltar a governar, tendo que, para isso, criar laços políticos fora de suas bases.

    E o jornalista diz também que “no exterior, essa postura de líder do mundo em desenvolvimento tem sua validade, ainda mais quando Lula defende pontos importantes, como acabar com a desigualdade“, querendo dizer que o Presidente está se transformando em uma pedra no sapato dos super ricos e poderosos do planeta . Por fim, Merval é ainda mais tendencioso ao afirmar que “se o governo Lula não consegue levar adiante uma negociação no seu próprio país, como vai liderar uma ação global nesse sentido?

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