Presença da presidente do bloco europeu, Ursula Von der Leyen, é vista como o prenúncio de que o acordo de livre-comércio Mercosul-UE será concluído na LXIV Cúpula de Chefes de Estado e Estados Associados
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Na tarde desta quinta-feira (5/12), o presidente da República Oriental do Uruguai, Luis Lacalle Pou, recebeu em Montevidéu, na Torre Executiva, sede da presidência, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Ambos discutiram sobre o acordo comercial que o Mercosul (Mercado Comum do Sul) e o bloco europeu negociam há anos.
Desde 1999, divergências ocorrem principalmente de países da Europa, como, a França, cujo setor agrícola enumera diversas objeções. Agricultores franceses pressionam o governo por temer que a abertura do mercado prejudique os produtos locais.
A presença de Von der Leyen tem sido interpretada como o prenúncio de que o acordo de livre-comércio Mercosul-UE será concluído na LXIV Cúpula de Chefes de Estado e Estados Associados, disseram negociadores de diferentes países sul-americanos.
O chanceler uruguaio Omar Paganini anunciou à imprensa que “todos os países do Mercosul” estão a favor de um acordo comercial com a União Europeia. O ministro de Estado do Uruguai chegou a afirmar, na saída da reunião com Von der Leyen, que estão “nas etapas finais” para fechar este acordo.
Paganini disse que na manhã desta sexta-feira (6/12), durante a Cúpula entre os presidentes da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e a presidente da Comissão Europeia, os líderes poderão “dar a decisão final“, já que o texto do acordo “está praticamente pronto“. O chanceler afirmou: “esperamos amanhã poder dar uma boa notícia“.
Caso se confirme, o fechamento do texto final será feito durante o encontro e cada país membro revisará a parte comercial: “O primeiro benefício” que os países terão “é a eliminação de tarifas em 70% dos produtos exportáveis“, destacou Paganini.
Ao chegar em Montevidéu, antes de se reunir com Lacalle Pou, Von der Leyen escreveu uma mensagem que publicou em sua conta na rede social X, onde deu pistas sobre o que pode vir a acontecer: “A meta do acordo UE-Mercosul está à vista. Vamos trabalhar. Temos a oportunidade de criar um mercado de 700 milhões de pessoas. A maior associação comercial e de investimento que o mundo já viu. Ambas as regiões se beneficiarão“, afirmou.
Ao sair do encontro com o presidente uruguaio, a alemã compartilhou uma foto da reunião e disse estar “feliz de pisar Montevidéu” 30 anos após seu antecessor Jacques Delors. Ele esteve à frente da Comissão Europeia entre 1985 e 1995. Delors faleceu em 27 de dezembro do ano passado: “Durante todo esse tempo, o Uruguai sempre foi um amigo confiável e com ideias afins. Hoje também é um centro chave para o comércio e o investimento no Mercosul“, destacou a presidente Von der Leyen.
A 65ª Cúpula do Mercosul marca o encerramento da presidência pro tempore do Uruguai e a transferência para a Argentina, sob o polêmico líder ultradireitista Javier Milei.
A Bolívia participa pela primeira vez como integrante pleno e o bloco passa a abranger 73% do território da América do Sul e a representar cerca de 65% da população, além de 70% do PIB da região.
Durante o encontro, o Panamá será oficialmente integrado como Estado Associado, tornando-se o primeiro país da América Central a obter esse status.
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