“Eduardo Bolsonaro, Bia Kicis, Nikolas Ferreira, Gustavo Gayer, Marcos Pollon, Filipe Barros, Cabo Gilberto Silva, Rodrigo Valadares e Eduardo Girão vivem “de abastardar o conceito de liberdade de expressão para levar a cabo uma campanha de desinformação e desqualificação de adversários políticos e instituições democráticas“, escreve o jornal
![]()
Uma matéria intitulada ‘Receita de um liberticida‘, na coluna ‘Política‘, do jornal ‘O Estado de S. Paulo’ desta quinta-feira (30/5), critica intensamente parlamentares bolsonaristas e suas fake news disseminadas nas redes sociais, após a viagem de uma comitiva para o Capitólio, nos Estados Unidos.
“Durante uma audiência na Câmara dos Representantes daquele país, entre a gravação de um vídeo e outro”, os deputados alardearam “que aqui haveria “perseguição” e “censura” contra opositores” do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), “sob o tacão de uma assim chamada “ditadura do Judiciário“.
O jornalão lembra que “já sublinhou há cerca de um mês“, toda mentirada, por meio do editorial ‘Não, o Brasil não está sob uma ditadura‘. E lamenta que “a verdade factual é irrelevante para o bolsonarismo“.
A mídia diz que, “entre outras trapaças retóricas“, o movimento que nasceu sob o hoje inelegível e primeiro chefe do Executivo a não conseguir se reeleger para o Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro (PL), “vive de abastardar o conceito de liberdade de expressão para levar a cabo uma campanha de desinformação e desqualificação de adversários políticos e instituições democráticas, particularmente o Supremo Tribunal Federal (STF).
Os “mentirosos” e “trapaceiros“, segundo o texto sem endosso que, por este motivo, expressa o que pensam os editores, seriam os “nove parlamentares que embarcaram nessa excursão infame“. São eles “os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF), Nikolas Ferreira (PL- MG), Gustavo Gayer (PL-GO), Marcos Pollon (PL-MS), Filipe Barros (PL-PR), Cabo Gilberto Silva (PL- PB) e Rodrigo Valadares (União-SE), além do senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Segundo a publicação, “ao menos cinco, até o momento, pediram ressarcimento das despesas de viagem” e a Câmara dos Deputados “já desembolsou quase R$ 53 mil” para aquelas despesas, “entre passagens aéreas e diárias para os que alegaram cumprir “missão oficial” no exterior“.
A postagem revelou que, “sobre a natureza dos gastos realizados às expensas dos contribuintes, nenhum dos parlamentares se dignou a responder, numa inequívoca demonstração de descaso com a sociedade“. Apenas o deputado Gayer respondeu ao jornal enviando “uma receita de bolo“. Segundo os editores, o parlamentar “é useiro e vezeiro em debochar de jornalistas quando instado a prestar contas do mandato“.
Sobre a atitude de Gayer, o ‘Estadão‘ explica que, com os envios, ele repetiu o que o jornal fez “durante um dos períodos mais violentos da ditadura militar, em 1973“, quando, juntamente com “o Jornal da Tarde (JT), foram impedidos de publicar aquilo que o regime preferia manter ao abrigo do escrutinio público” e, “como forma de protesto contra a censura“, a qual destacou para os leitores bolsonaristas que “esta, sim, real e violenta“, os editores passaram “a publicar poemas no espaço reservado aos textos censurados pelos militares e o JT, receitas culinárias“.
“Foi a isso que o sr. Gayer aludiu com sua infame resposta a este jornal, bem ao gosto do cinismo bolsonarista“, escrevem os editorialistas. “Agindo dessa forma indigna, o sr. Gayer se engana se acredita estar ridicularizando a história de resistência do Grupo Estado. E nem teria como fazê-lo, pois oito anos antes de ele nascer os jornalistas desta casa já lutavam contra as barreiras à liberdade de imprensa impostas por uma ditadura que ele nem conheceu e pela qual nutre escancarada simpatia“.
Por fim, o ‘Estadão‘ conclui, ainda que tardiamente, que “o sr. Gayer, a bem da verdade, debocha mesmo é do Congresso Nacional. E debocha mesmo, e principalmente, é dos eleitores goianos que o honraram com um mandato parlamentar“.
