Em entrevista na Conferência de Segurança, o chanceler brasileiro reafirmou desejo do Presidente no sentido de iniciar diálogos para pôr fim à guerra travada entre o país europeu e a Rússia, além de argumentar sobre os prejuízos generalizados causados a todos os países
O ministro das Relações Exteriores do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Mauro Vieira, teve importante participação na abertura da Conferência de Segurança de Munique, nesta sexta-feira (17/02), onde afirmou que “em lugar de participar de uma guerra, preferimos falar de paz”.
Vieira levou, para o encontro, a mensagem com a proposta que Lula fez ao presidente dos EUA, Joe Biden, na ocasião de sua visita ao líder norte-americano, há duas semanas, em relação à criação de um grupo de países para a discussão de um cessar-fogo, após ter sugerido ao chanceler alemão, Olaf Scholz, quando este veio ao Brasil, que o Brasil faça parte, junto com a China, de um grupo mediador entre a Rússia e a Ucrânia, numa espécie de “clube da paz”.
Durante coletiva na reunião internacional que tem sido realizada anualmente, no mês de fevereiro, desde 1963, e se tornou o mais importante fórum sobre segurança no mundo, Vieira conseguiu o feito de colocar o Brasil na posição de principal protagonista para o início das discussões para a paz na Ucrânia.
O ministro transmitiu o posicionamento de Lula quanto ao não fornecimento de munição para tanques ucranianos e enfatizou a disposição do Brasil no sentido de participar de uma mediação para se chegar a uma trégua e depois para negociar a paz:
“O Brasil está pronto para ajudar, sempre que possível“, afirmou no encontro internacional, que foi encerrado neste domingo (19/2), após reunir cerca de 150 representantes governamentais e mais de 40 chefes de Estado e de governo.
Lula voltou a defender a formação do grupo em uma entrevista à CNN, na quinta-feira (15/2), e ressaltou que o Brasil não poderia fornecer munições, pois assim estaria participando do conflito:
“Se eu vendo as munições para o canhão que a Alemanha vai dar para a Ucrânia, significa que o Brasil está entrando na guerra. E eu não quero entrar na guerra, eu quero acabar com essa guerra“, afirmou o chefe do Executivo, que planeja uma viagem à China em março para se encontrar com o presidente Xi Jinping.
Durante encontro em Washington com o presidente americano, Lula adotou a mesma postura ao argumentar que está “convencido de que é preciso encontrar uma saída para colocar fim a essa guerra. E senti, da parte do presidente Biden, a mesma preocupação, porque ninguém quer que essa guerra continue“, afirmou na ocasião.
“É preciso que tenha parceiros capazes de construir um grupo de negociadores [em] que os dois lados acreditem“, afirmou Lula, que em janeiro negou pedido do governo da Alemanha para que o Brasil fornecesse munição de tanques para Berlim repassá-las à Ucrânia, que está sob uma invasão russa desde 24 de fevereiro de 2022.
A decisão foi tomada durante reunião com os chefes das Forças Armadas e o ministro da Defesa, José Múcio. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o Brasil embolsaria cerca de R$ 25 milhões por um lote de munição estocada para seus tanques Leopard-1. Além disso, desde abril de 2022 a Alemanha tenta convencer o governo brasileiro a enviar munições para blindados antiaéreos do tipo Gepard, de fabricação alemã.
Em Munique, Vieira também defendeu a postura do governo brasileiro de não apoiar sanções contra a Rússia. Ele lembrou que Lula, desde o início de seu governo, condenou a invasão da Ucrânia como uma violação do direito internacional. Segundo ele, o país não participa das sanções a Moscou porque a lei brasileira só permite tais medidas a partir de decisões do Conselho de Segurança da ONU.
Assista a um trecho das declarações de Mauro Vieira:

E mesmo que o “Conselho de Segurança da ONU” opte por se posicionar contra um dos lados, o Brasil poderá (e deverá!) continuar no seu “não”!
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