AIJE acusa Antonio Denarium e seu vice, Edilson Damião, de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022
Brasília, 02 de novembro 2025
O ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), André Mendonça, apresentou dois pedidos de vista e interrompeu o julgamento da ação que pode cassar o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), seis meses após uma empresa de ensino privado fundada pelo também ministro da Corte máxima de Justiça do Brasil, o STF (Supremo Tribunal Federal) fechar um contrato de R$ 273 mil com a gestão roraimense, segundo informações de O Globo.
O caso envolve um possível conflito de interesses no TSE, onde o magistrado indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro – condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, tem atuado em um julgamento sensível relacionado ao governador de Roraima.
A ação em questão é uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que acusa Denarium e seu vice, Edilson Damião (Republicanos), de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Denarium já foi cassado quatro vezes pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE–RR) por práticas como distribuição irregular de cestas básicas (Programa Cesta da Família), reformas habitacionais (Programa Morar Melhor) e repasses milionários a municípios aliados no período eleitoral.
A relatora do processo, ministra Isabel Gallotti, votou em agosto de 2025 pela cassação imediata dos mandatos, inelegibilidade por oito anos e realização de novas eleições em Roraima.
A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, sinalizou apoio ao voto da relatora, destacando a gravidade das irregularidades. No entanto, o julgamento foi suspenso pela segunda vez por pedidos de vista de Mendonça, adiando o desfecho sem data definida para retomada.
O Contrato e o Possível Conflito de Interesses
Seis meses antes do segundo pedido de vista (em fevereiro de 2025), o governo de Roraima firmou um contrato de R$ 273.600 com o Instituto Iter S/A, uma empresa de capacitação e ensino fundada por Mendonça em 2023.
O acordo, sem licitação, foi assinado pela Secretaria de Licitação e Contratos do estado, chefiada pelo coronel Everson Cerdeira, e pelo CEO do Iter, Victor Godoy (ex-ministro da Educação no governo Bolsonaro e sócio único registrado na Receita Federal).
O objetivo era capacitar servidores públicos em temas como a Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021) e planejamento de obras públicas, com duração de seis meses e pagamento integral antecipado.
Mendonça é apresentado como sócio-fundador e “rosto” da marca em materiais promocionais do Iter, que usa o slogan “conhecimento é o caminho“.
A instituição, focada em cursos de direito e gestão pública, faturou R$ 4,8 milhões em contratos públicos desde 2024, incluindo palestras e formações para prefeituras e tribunais. Inicialmente, a esposa de Mendonça, Janey Mendonça, era sócia-administradora, mas deixou o cargo em 2024.
O caso é comparado ao do ministro Gilmar Mendes e seu Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), mas levanta questionamentos sobre a Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que proíbe juízes de exercerem atividades comerciais, exceto como acionistas passivos.
Mendonça não comentou o caso via assessoria do TSE. Críticos apontam o timing como suspeito: o primeiro pedido de vista ocorreu em agosto de 2025 (após o fim do contrato), e o segundo, recentemente, paralisou o processo novamente.
Defensores argumentam que pedidos de vista são rotina para análise aprofundada, especialmente em casos complexos.
Linha do Tempo Principal
| Data | Evento |
|---|---|
| 2022 | Denarium é reeleito no 1º turno (56,47% dos votos); AIJE protocolada pela coligação de Teresa Surita (MDB). |
| Jan/2024 | TRE-RR cassa mandatos por terceira vez (abuso de poder); recurso vai ao TSE. |
| Ago/2024 | Julgamento inicia no TSE, mas é suspenso por pedido de vista inicial. |
| Fev/2025 | Governo de RR contrata Iter por R$ 273.600 (sem licitação). |
| Ago/2025 | Gallotti vota pela cassação; Mendonça pede vista pela primeira vez (prazo de 30 dias estendido). |
| Out/2025 | Prazo para Mendonça vence; segundo pedido de vista suspende julgamento novamente. |
| Nov/2025 | Reportagem de O Globo revela contrato; repercussão nacional e nas redes. |
Repercussão nas Redes Sociais (X/Twitter)
O caso viralizou no X, com críticas majoritárias de perfis de esquerda e centro-esquerda, chamando Mendonça de “Terrivelmente Evangélico” (alusão à indicação por Bolsonaro) e questionando imparcialidade.
O usuário @Pobre_d_Direita compartilhou vídeo da Folha BV, chamando de “escândalo” e ridicularizando Mendonça como “Anta Arambaia“. o perfil @ZurockProxy disse: “Explique esse escândalo: Mendonça pediu vista logo depois de contrato de 200 mil reais.” @che_zl: “Não falha um. Terrivelmente malacheia“. E @LilliunAzules: “Pqp! Interrompeu julgamento 6 meses após contrato de R$ 273 mil.“
Poucos posts defendem Mendonça, focando em “rotina processual”. A discussão soma centenas de interações, com hashtags como #Mendonça e #CassaçãoDenarium.
Se o TSE confirmar a cassação, novas eleições ocorreriam em Roraima, com o presidente da Assembleia Legislativa (Soldado Sampaio, Republicanos) assumindo interinamente.
O caso reforça debates sobre ética judicial e influência bolsonarista no STF/TSE. Não há indícios formais de investigação, mas a transparência do Iter (com Mendonça em divulgações) pode atrair escrutínio da Corregedoria ou do CNJ.
O julgamento deve retornar em breve, dependendo da devolução dos autos por Mendonça.
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André Mendonça, miliciano terrivelmente evangélico indicado pelo inelegível até 2050, tem 52 anos, aposenta aos 75, nesses 23 anos esse pilantra vai fazer muitas lambanças
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