Mendonça não merece cadeira no STF por sua “mentira embrulhada na bandeira”, diz Miriam Leitão

23/08/2020 0 Por Redação Urbs Magna
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‘O ministro é o maior derrotado’, diz a colunista atacando os praticantes de uma perigosa antidemocracia no governo, incluindo Aras, a quem chama de submisso de Bolsonaro

Em sua coluna de domingo, a jornalista do Globo, Miriam Leitão, diz que o ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, não merece uma cadeira no STF (Supremo Tribunal Federal), após a revelação do dossiê secreto elaborado para identificação de ‘antipatizantes’ do governo Bolsonaro, além de colocar o PGR (Procurador-Geral da República), Augusto Aras, na posição de subalterno do Palácio do Planalto e ambos como claros antidemocratas.

Leitão comenta a derrota de Mendonça no STF, que proibiu sua pasta de produzir quaisquer dossiês e, segundo a jornalista, o ministro é o maior derrotado, após o contorcionismo exibido ao país como esforço para negar a existência de um ‘AntifasBook’.

Miriam releva trecho do discurso do ministro da Corte Luís Roberto Barroso que diz que a construção de uma lista de nomes para a finalidade de espionagem “é incompatível com a democracia”, além de destacar a quase unanimidade da decisão do STF, por nove a um, em condenar e proibir a arapongagem.

O ministro André Mendonça é o maior derrotado“, diz Leitão ressaltando que “a democracia, que parecia garantida, passou a ser ameaçada por governantes sem valores democráticos e com desprezo pelas instituições” e reforçando esta impressão ao afirmar que “o relevante é a atitude do Ministério da Justiça, de usar a máquina para investigar servidores que não concordam com o governo”.

O ministro é detonado pela colunista, quando ela diz que Mendonça “tentou escorregar” quando pressionado pela ministra Cármen Lúcia sobre uma resposta que confirmasse a existência ou não de um dossiê. Segundo Leitão, “o pior momento do ministro da Justiça foi alegar questão de segurança nacional para negar ao STF o acesso ao documento”.

Felizmente, a ministra Cármen não se deixou enganar pela mentira embrulhada na bandeira“, comemora a jornalista reproduzindo a fala da magistrada:

O Estado não pode ser infrator, menos ainda em afronta a direitos fundamentais que é sua função garantir e proteger”, disse Cármen Lúcia.

Leitão parabeniza o partido Rede Sustentabilidade, autor da ação contra o dossiê do Ministério da Justiça, ao dizer que “o país não caiu no erro de deixar passar para ver como é que fica” e, pela atitude da legenda, “o STF estabeleceu que o Ministério da Justiça não faça mais esse tipo de investigação, porque isso ameaça a democracia e é “desvio de finalidade”.

Mesmo que seja nomeado ministro do Supremo, André Mendonça não merece a cadeira. Ele se comportou mal com suas versões conflitantes, mas o pior foi não entender a função constitucional do Supremo“, destaca Miriam antes de mudar o foco da questão para o PGR (Procurador-Geral da República) Augusto Aras.

Leitão diz que ficou explícito uma “constrangedora submissão” ao citar que “colocando-se, na prática, como assistente do advogado-geral da União, Augusto Aras traiu o papel que a Constituição entregou ao chefe do Ministério Público“.

A jornalista entra no epílogo de sua matéria valorizando os defensores da democracia ocasionalmente ameaçada, tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo, especialmente nos EUA sob a administração de Donald Trump.

A convenção democrata americana “trouxe um recado real”, diz Miriam antes de reproduzir as falas de Barack Obama e Joe Biden, que vêem Trump como a maior ameaça às instituições americanas. Eles disseram:

“É isso que está em jogo neste momento, a nossa democracia. Essa administração já mostrou que destroçará a nossa democracia, se é isso que precisa para ganhar”, disse Obama.

O caráter nacional está em disputa nas urnas. A decência, a ciência, a democracia”, afirmou Biden. “O melhor caminho para superar a dor, a perda e a desolação é encontrar um propósito”.

Sobre a fala de Biden, Mirian Leitão diz que “o propósito final tem que ser sempre ampliar a inclusão de todos os grupos da sociedade”.

A convenção democrata trouxe de volta à cena a nova demografia da América, colorida, diversa, multicultural, ecumênica, que está explícita na exuberante diversidade de Kamala Harris, negra, filha de imigrantes — mãe indiana e pai jamaicano — e que estará na chapa que enfrentará Donald Trump”, conclui a jornalista do Globo em bela mensagem que representa, de fato, como verdadeiramente deve ser qualquer democracia.

Há pelo menos um bom motivo para argumentar que uma derrota de Donald Trump na eleição presidencial deste ano nos Estados Unidos fará bem ao Brasil. E esse motivo é a má influência que Trump exerce sobre o presidente Jair Bolsonaro“, disse Diogo Schelp, do UOL, há pouco mais de um mês.

Mas em sua matéria, Schelp se referia apenas, em sua visão limitada, à crise do coronavírus. Não haveria outros bons motivos então, supõe-se.

É preocupante saber que a mesma democracia em questão é a principal responsável por sujeitar a liberdade do povo em realizar suas escolhas, que muitas vezes ocorrem de maneira confusa, se permitindo enganar e se render, em grande parte das vezes por pura ignorância, aos discursos criativos de seus líderes. E em todos os casos, a mídia tem papel relevante nessa democracia limitante.

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