📷 Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) / Foto: Alex Silva / Estadão |•| André Mendonça e Jair Bolsonaro / Foto: Alan Santos |•| ARTE URBS MAGNA
| Brasília (DF)
02 de agosto de 2026
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou dois inquéritos distintos contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um intervalo de apenas 48 horas — movimento que reacendeu o debate sobre até que ponto decisões judiciais recentes têm respondido a pressão política simétrica, e não apenas a fatos investigativos novos.
O que aconteceu, dia a dia
Na quinta-feira (30/jul), Mendonça autorizou a Polícia Federal (PF) a abrir inquérito para apurar suposto tráfico de influência de Lulinha em negociações envolvendo a comercialização de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde.
No dia seguinte, sexta-feira (31/jul), o ministro autorizou um segundo inquérito, desta vez sobre a atuação de Lulinha em negócios ligados à Dataprev, empresa pública responsável pela base de dados do INSS.
Horas depois da segunda decisão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, usou o caso publicamente em sua campanha, publicando no X críticas que associavam Lulinha ao escândalo do INSS — mesmo sem indiciamento formal do empresário nesse processo específico.
A tese do “doisladismo jurídico”
Foi nesse contexto que o Professor de Ciências Sociais da UFRN, Daniel Menezes, publicou no X uma leitura crítica da conduta de Mendonça, argumentando que o ministro teria cedido a uma cobrança da oposição por simetria — a ideia de que, havendo investigação contra Flávio Bolsonaro, teria de haver também contra o filho de Lula, mesmo sem novos indícios concretos, segundo essa interpretação.
A tese encontra eco parcial na fala pública da defesa de Lulinha. O advogado Marco Aurélio de Carvalho disse ter recebido a decisão com “absoluta tranquilidade”, mas também com perplexidade, e chegou a declarar que, se Fábio Luís não fosse filho do presidente, o inquérito anterior já teria sido arquivado e o novo sequer teria sido aberto, por falta de elementos.
O que o STF e a PF dizem em contrapartida
A versão institucional é mais matizada do que a tese de perseguição pura sugere. Os próprios inquéritos contra Lulinha partiram de pedidos formais da Polícia Federal, não de iniciativa unilateral de Mendonça — e o ministro vem, na verdade, em rota de tensão crescente com a cúpula da PF, cobrando mais celeridade na análise do material apreendido na Operação Sem Desconto, que já teve nove fases e 27 pessoas presas.
Há também um elemento factual que complica a leitura de “inquérito sem qualquer indício”: investigadores identificaram uma viagem a Portugal custeada pelo próprio “Careca do INSS” em benefício de Lulinha — vínculo que, mesmo limitado, é o tipo de fato concreto que costuma justificar abertura de apuração, ainda que não configure, por si só, prova de crime.
Os dois lados do debate carregam elementos verdadeiros: é factualmente correto que os inquéritos vieram de pedido da própria PF, e não de decisão espontânea de Mendonça; mas também é verdade que a decisão chegou publicamente em um momento politicamente carregado, horas antes de virar munição de campanha para Flávio Bolsonaro — o que alimenta, ainda que sem prová-la, a leitura de que a Justiça Eleitoral e o próprio STF operam hoje sob pressão por equivalência simétrica entre os dois lados do espectro político.
Tratar decisões judiciais como resposta automática a cobranças de “equilíbrio” é um risco real para a independência da investigação — mas afirmar que não há fato concreto por trás dela, como fez parte da militância bolsonarista, também não corresponde ao que mostram os autos.
FAQ rápido
Por que Mendonça abriu dois inquéritos contra Lulinha em dois dias?
Segundo o STF, ambos os pedidos partiram da Polícia Federal, um sobre negócios de cannabis medicinal e outro sobre atuação envolvendo a Dataprev, ligados ao esquema de fraudes no INSS.
Existe alguma prova concreta contra Lulinha nos dois casos?
Até agora, o vínculo mais citado é uma viagem a Portugal paga pelo empresário conhecido como “Careca do INSS”; a defesa nega irregularidade e fala em “pescaria probatória”.
A tese do “doisladismo” de Mendonça tem comprovação?
Não há comprovação de que o ministro tenha agido por pressão política; a tese é uma interpretação — defendida por parte da imprensa e da militância bolsonarista — sobre o timing e o contexto das decisões.
Atualização:
a defesa de Lulinha ainda pode recorrer das duas autorizações de inquérito.icas recebidas. Mais detalhes em breve.
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Esses dois senhores Bolsonaristas, defensores de facções criminosas, que atuam como ministros do STF, indicados por Bolsonaro, teriam que ser cassados, não pelo fato de investigar o filho do presidente, já demostraram o lado que defendem, a justiça não pode ser seletiva