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Mauro Cid presta novo depoimento após Freire Gomes falar tudo o que sabia à PF durante mais de 8 horas

    Para um ministro do STF, as informações do ex-comandante do Exército são mais valiosas do que uma delação, pois vêm de uma testemunha e não de um criminoso em busca de benefício judicial

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    O tenente-coronel Mauro Cid, que está em liberdade provisória concedida sob medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, afastamento do Exército, cancelamento de passaporte, suspensão de porte de arma, prestará um novo depoimento na PF (Polícia Federal) na tarde desta segunda-feira (11/3).

    A oitiva trata da tentativa de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro (PL) no poder, após revelações à instituição policial feitas pelo ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, em oitiva de mais de 8 horas.

    Cid fechou acordo de delação premiada que pode ser cancelado, caso se comprovem mentiras ou ocultação de provas durante seus depoimentos.

    De acordo com o ‘UOL‘, um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) afirmou que as informações de Freire Gomes são mais valiosas do que uma delação, pois são de uma testemunha, e não de um criminoso em busca de benefício judicial.

    O ex-comandante disse que Bolsonaro convocou reunião para discutir golpe visando reverter a eleição do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que o ex-presidente, hoje inelegível, seria responsável pela manutenção dos acampamentos golpistas em Brasília.

    Aliados de Bolsonaro tentaram persuadir Freire Gomes a envolver as tropas do Exército no golpe pretendido, conforme se verificou em uma conversa analisada na investigação, em que o general Walter Braga Netto insultou o então comandante do Exército, chamando-o de “cagão” por não aceitar a proposta.

    Cid pode falar sobre o coronel Bernardo Romão Correa Neto, que foi solto por decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, após ele ser preso em fevereiro, suspeito de integrar um grupo que atuava elegendo alvos para amplificação de ataques pessoais contra militares em posição de comando. Seu advogado negou a existência de acordo para delação premiada, alegando que o assunto não foi abordado durante o interrogatório na Polícia Federal.

    O advogado de Cid, Cezar Bitencourt, refuta a suspeita de esconder informações, explicando que durante o interrogatório todas as perguntas foram respondidas e ressalta que, como interrogado, não é sua função realizar a conferência das respostas.

    Acredita-se que depoimentos anteriores sejam importantes para confirmar as funções e ações individuais dos suspeitos em cada investigação, além de explicar se houve uma ordem direta para cometer um crime e implicar novos nomes.

    A defesa de Bolsonaro afirmou que contestará a delação sem a autorização do Ministério Público e pediu acesso ao depoimento de Freire Gomes, enfatizando a importância do acesso ao conteúdo das audiências do ex-chefe do Exército e do ex-comandante da Aeronáutica, Carlos Baptista Júnior.

    Cid supostamente testemunhou ou participou de possíveis crimes investigados pela PF, incluindo falsificação da carteira de vacina, pagamentos suspeitos para Michelle Bolsonaro, suspeita de golpe de Estado para manter Bolsonaro no poder e envolvimento no escândalo das joias.

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