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Ex-ajudante de ordens revela que o líder da tentativa de golpe de estado tentou manipular relatório do Ministério da Defesa para descredibilizar o processo eleitoral em 2022: “Queria que escrevesse que tivesse fraude” – ASSISTA AO VIVO E SAIBA MAIS
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Brasília, 09 de junho de 2025
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, confirmou em interrogatório na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que Bolsonaro exerceu pressão sobre o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, para que um relatório sobre as urnas eletrônicas em 2022 apontasse “fraude” no processo eleitoral.
A revelação reforça suspeitas de tentativa de deslegitimar as eleições vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante o depoimento, Cid detalhou que Bolsonaro insistiu para que o documento tivesse um tom “duro” contra o sistema de votação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “O presidente queria que escrevesse que desse fraude”, afirmou Cid.
O relatório inicial, elaborado pelas Forças Armadas, não encontrou irregularidades, mas Bolsonaro teria pressionado por alterações que sugerissem vulnerabilidades, mesmo sem evidências.
A pressão, segundo Cid, levou Paulo Sérgio a desmarcar uma reunião com o TSE para entrega do relatório técnico.
“Havia uma tendência de fazer algo mais político”, relatou Cid, destacando que o documento final adotou um tom ambíguo, sem afirmar fraudes, mas também sem descartá-las.
Essa estratégia, conforme a Procuradoria-Geral da República (PGR), visava criar um clima de desconfiança para justificar possíveis ações contra o resultado eleitoral.
O caso é parte do inquérito que investiga o chamado “núcleo crucial” da trama golpista, com Bolsonaro como figura central.
A PGR aponta que a manipulação do relatório era um passo para descredibilizar o processo eleitoral e abrir caminho para questionamentos jurídicos ou até intervenção militar.
“O objetivo era propiciar condições políticas para um atentado contra a ordem constitucional”, diz a denúncia.
Bolsonaro já havia questionado a segurança das urnas desde 2018, sem apresentar provas. Em 2021, ele exibiu vídeos desmentidos pelo TSE em uma live, alegando “indícios” de fraude.
A insistência em deslegitimar o sistema eleitoral culminou na condenação de Bolsonaro à inelegibilidade pelo TSE em 2023, por ataques infundados às urnas.
A delação de Cid traz novos detalhes sobre as pressões internas no governo Bolsonaro.
O depoimento reforça a narrativa de que o ex-presidente buscava, de forma deliberada, minar a confiança no sistema democrático brasileiro.
O STF segue investigando o caso, que pode resultar em novas implicações judiciais para Bolsonaro e aliados.
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