PDRN promete rejuvenescimento, mas falta de regulamentação no Brasil gera alertas de especialistas sobre segurança
Brasília, 26 de julho de 2025
A cantora e influenciadora Juliette, de 35 anos, surpreendeu seus seguidores ao compartilhar, na quarta-feira (23/jul), o resultado de um procedimento estético facial que deixou seu rosto visivelmente inchado e avermelhado.
O tratamento, realizado com esperma de salmão, utiliza uma substância chamada polidesoxirribonucleotídeo (PDRN), extraída do DNA do peixe, e promete rejuvenescimento da pele ao estimular a produção de colágeno e elastina.
Juliette, com bom humor, comparou-se a um “baiacu” nas redes sociais, alertando que o inchaço e a vermelhidão são efeitos temporários, mas esperava uma pele mais firme após alguns dias.
O procedimento, que ganhou fama na Coreia do Sul, é oferecido no Brasil, mas levanta preocupações devido à falta de estudos robustos sobre sua eficácia.
O PDRN, principal ativo do tratamento, é conhecido por suas propriedades regenerativas, especialmente na cicatrização de feridas, como demonstrado em um estudo de 2020 publicado na revista Nature, que avaliou seu uso em pacientes com diabetes.
No entanto, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alerta que não há evidências científicas sólidas que comprovem benefícios estéticos, como redução de rugas ou rejuvenescimento.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) libera o PDRN apenas como cosmético, proibindo seu uso injetável em procedimentos estéticos, o que é considerado irregular por especialistas.
Alguns profissionais, segundo a SBD, burlam as regras ao promover o ativo como injetável, aumentando os riscos de reações adversas, como as experimentadas por Juliette.
A popularização do tratamento no Brasil e em países como os Estados Unidos tem sido impulsionada por celebridades e influenciadores, como Jennifer Aniston e Virginia Fonseca, que também testaram o método.
Cada sessão, que dura cerca de 40 minutos, pode custar entre R$ 1.200 e R$ 2.000, mas os efeitos colaterais, como inchaço e vermelhidão, são comuns e podem durar horas ou dias.
A Peach & Lily, empresa sul-coreana de cuidados com a pele, defende que o PDRN penetra profundamente, promovendo renovação celular, mas a Anvisa reforça que produtos tópicos têm eficácia limitada e podem causar irritações.
A SBD recomenda que os interessados consultem dermatologistas qualificados para avaliar a segurança do procedimento, especialmente em peles sensíveis.
O caso de Juliette reacendeu o debate sobre a regulamentação de tratamentos estéticos inovadores no Brasil.
Enquanto a influenciadora mantém uma abordagem transparente, compartilhando tanto os benefícios quanto os desconfortos, especialistas pedem cautela.
A falta de comprovação científica e as restrições da Anvisa sugerem que o PDRN, embora promissor em contextos médicos, ainda não é uma solução confiável para a estética.
Para quem busca rejuvenescimento, a SBD indica alternativas consagradas, como botox ou peelings, realizadas por profissionais habilitados, evitando riscos desnecessários e garantindo resultados mais previsíveis.








