Homenagem musical eterniza o legado de lutadoras sociais em canção que denuncia violência estatal e exalta a resiliência humana em meio a conflitos globais – ASSISTA
Brasília, 08 de dezembro 2025
A vereadora assassinada em 2018 no Rio de Janeiro, Marielle Franco, é citada por Roger Waters, 82, fundador, baixista e multi instrumentista da banda inglesa de rock progressivo/psicodélico Pink Floyd, na letra de sua nova música, intitulada “Sumud“.
No contexto da obra, o nome de Marielle aparece em uma estrofe que lista diversas mulheres descritas como “irmãs de muitas terras”.
Ela é mencionada em um intervalo de tempo de aproximadamente 6 segundos, ao lado de outras figuras, como Rachel Corrie, Shireen Abu Akleh, Sophie Scholl, Anne Frank e Iman Al-Hams.
Rachel Corrie (1979–2003): Uma ativista pacifista americana e membro do Movimento Internacional de Solidariedade (ISM). Ela viajou para a Faixa de Gaza, Palestina, para protestar contra a demolição de casas palestinas pelas Forças de Defesa de Israel. Em 16 de março de 2003, ela foi esmagada até a morte por uma escavadeira militar israelense enquanto tentava impedir a demolição da casa de uma família palestina em Rafah. Ela se tornou um ícone do ativismo pró-Palestina.
Shireen Abu Akleh (1971–2022): Uma proeminente jornalista palestino-americana e correspondente veterana da rede de notícias Al Jazeera por 25 anos. Ela era uma das repórteres mais conhecidas no mundo árabe, cobrindo o conflito israelo-palestiniano. Em 11 de maio de 2022, ela foi morta a tiros enquanto cobria uma operação militar israelense na cidade de Jenin, na Cisjordânia. Sua morte gerou comoção internacional e pedidos de investigação.
Sophie Scholl (1921–1943): Uma estudante alemã e uma figura central no grupo de resistência não violenta antinazista “A Rosa Branca” (Die Weiße Rose) durante a Segunda Guerra Mundial. Ela e seu irmão, Hans Scholl, distribuíram panfletos na Universidade de Munique denunciando os crimes de Hitler e o regime nazista. Ela foi presa, julgada e executada por guilhotina por alta traição aos 21 anos. Sua coragem a tornou um símbolo da resistência moral alemã contra o Terceiro Reich.
Anne Frank (1929–1945): Uma adolescente judia alemã que se tornou uma das vítimas mais famosas do Holocausto. Ela e sua família se esconderam por mais de dois anos em um anexo secreto em Amsterdã, durante a ocupação nazista da Holanda. Durante esse tempo, ela escreveu um diário detalhando suas experiências, medos e esperanças. A família foi descoberta em 1944, e Anne foi enviada para campos de concentração, morrendo de tifo em Bergen-Belsen em 1945, pouco antes do fim da guerra. Seu diário, publicado postumamente por seu pai (o único sobrevivente da família), tornou-se um dos livros mais lidos do mundo e um poderoso testemunho das atrocidades do Holocausto.
Iman Al-Hams (2004–2004): Uma menina palestina de 13 anos que foi morta por soldados israelenses perto de um posto militar em Rafah, Gaza, em outubro de 2004. O incidente, que envolveu a menina sendo baleada repetidamente mesmo após cair ferida, tornou-se um caso controverso e um símbolo das vítimas civis no conflito.
Todas essas mulheres, com suas histórias trágicas, representam a perda de vidas inocentes em tempos de conflito e opressão, e suas narrativas continuam a inspirar debates sobre justiça, direitos humanos e ativismo.
O contexto específico dessa citação é de homenagem e memória à resistência: A música invoca essas figuras para que ajudem a “abrir os olhos” das pessoas, dentro de um tema maior que Waters define como “perseverança inabalável“, especialmente na resistência à ocupação.
Waters canta que se lembra bem “onde vocês ficaram, onde vocês caíram“.
Ele afirma que, embora essas mulheres tenham sido “brutalmente assassinadas“, seus “espíritos permanecem“.
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Em maio de 2024, Roger Waters recebeu a Medalha Pedro Ernesto, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, onde expressou profunda emoção ao ouvir os relatos de vereadoras, mães e amigas de Marielle Franco, comparando o sentimento ao encontro que teve anteriormente com as mães das Malvinas na Argentina.
O músico apontou o Brasil como um exemplo evidente da necessidade de combater a violência consagrada pelo Estado, criticando especificamente as milícias e vigilantes que, segundo ele, estariam fazendo o “trabalho de Bolsonaro“.
Além do contexto brasileiro, Waters declarou que o mundo está em uma encruzilhada e enfatiza a importância de defender os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.
Ele estendeu sua solidariedade ao povo de Gaza, argumentando que o conflito atual não é um drama novo iniciado em outubro de 2023, mas a continuação de 75 anos de opressão sistemática e apartheid contra o povo palestino, remetendo à Nakba de 1948.
Ao final, ele agradeceu aos presentes por tornarem sua tarefa de carregar esse “presente e fardo” imensamente mais fácil.
Em outubro de 2018, durante um show realizado no Brasil, a poucos dias da realização do segundo turno da eleição presidencial que elegeu Bolsonaro, Roger Waters fez um discurso emocionado relatando que leu a história da morte de Marielle Franco em seu quarto de hotel, algo que partiu seu coração e o fez guardar o artigo consigo para levar para casa.
Ele descreveu Marielle como uma líder do país e ressaltou que diversas mulheres seriam eleitas após sua morte, representando as sementes que ela desejava plantar.
No segundo momento da homenagem, Waters revelou à plateia que convidou a família de Marielle, mencionando a presença de sua esposa, Monica, e de sua filha no local.
Ele afirmou que Marielle era uma grande defensora dos direitos humanos, convicção que ele compartilha junto com o público no Brasil e no mundo todo, incluindo explicitamente seus “irmãos e irmãs na Palestina“.

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Muitas MARIELES já se foram precocemente, mundo agora, a morte da Mariele não foi esclarecida, a verdade ainda nao foi mostrado
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