Imagens com milhares de cubanos com bandeiras e tochas viralizaram nas redes sociais durante toda a quarta-feira – ENTENDA ESSE EVENTO
O vídeo da Marcha das Antorchas é de terça-feira (27/jan), em Havana, homenageando José Martí e o centenário de Fidel Castro. Liderada por Miguel Díaz-Canel, reuniu milhares em tom antimperialista, condenando agressão dos EUA à Venezuela e homenageando 32 cubanos caídos. Fontes oficiais destacam participação massiva; críticas apontam apatia, obrigatoriedade e contradição com apagões. Evento evoca marcha de 1953, reafirmando soberania em meio a tensões geopolíticas.
Havana (CU) · 29 de janeiro de 2026
Milhares de cubanos, predominantemente jovens, tomaram as ruas de Havana na noite de terça-feira (27/jan) para a tradicional Marcha das Antorchas, em meio a um cenário de tensões crescentes com os Estados Unidos e uma crise energética que assola a ilha.
Também conhecida como Marcha das Tochas, o evento é uma das manifestações patrióticas mais profundas de Cuba, realizada anualmente na noite de 27 de janeiro para celebrar o nascimento de José Martí, o maior herói nacional da ilha.
O evento teve origem em 1953, quando a “Geração do Centenário“, liderada por Fidel Castro, organizou uma caminhada iluminada por tochas para homenagear o centenário de Martí e desafiar a censura da ditadura de Fulgencio Batista.
Tradicionalmente, a mobilização começa na imponente escadaria da Universidade de Havana e segue até a Fragua Martiana, local onde Martí foi preso e forçado a trabalhos pesados na juventude.
Atualmente, o ato é liderado por organizações estudantis e conta com a presença da alta cúpula do governo, incluindo o presidente Miguel Díaz-Canel, funcionando como um símbolo de unidade nacional, renovação do compromisso revolucionário e resistência política diante das pressões internacionais.
O vídeo viral que circulou nas redes sociais durante toda a quarta-feira foi capturado pelo canal estatal Canal Caribe. As imagens mostram exatamente esse momento, datado de 27 de janeiro de 2026, véspera do 173º aniversário do nascimento de José Martí, o herói nacional cubano.
A marcha ,que seguiu até a Fragua Martiana – local onde Martí sofreu trabalhos forçados aos 16 anos –, evocou não apenas o legado do Apóstol, mas também o centenário de Fidel Castro Ruz, fundador da tradição em 1953.
Naquela época, como estudante, Castro liderou o primeiro desfile em desafio ao regime de Fulgencio Batista, prelúdio ao assalto ao Quartel Moncada e ao triunfo da Revolução em 1959.
Em 2026, o evento completou 73 anos, reforçando sua essência como juramento coletivo pela soberania.
Encabeçada pelo presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez, primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, a procissão contou com a presença de altos dirigentes, como Esteban Lazo Hernández, presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular, e Roberto Morales Ojeda, secretário de Organização do Partido Comunista.
🇺🇸 USA: Cuba is going to fall any day….
— DD Geopolitics (@DD_Geopolitics) January 28, 2026
🇨🇺 Cuba yesterday in support of Fidel Casto, Jose Martí, and Cuban pride.
Patria o Muerte, Venceremos!!! pic.twitter.com/EiZpZrrIgu
A Federação Estudantil Universitária (FEU), organizadora principal, teve em Litza Elena González Desdín, sua presidenta nacional, a voz central. Em discurso inflamado, ela proclamou: “Este não é um ato de nostalgia, é um chamado à ação”, enfatizando a defesa ideológica ante ameaças externas.
González Desdín condenou a “agressão imperialista recente contra a Venezuela”, homenageando os 32 combatentes cubanos caídos em 3 de janeiro durante a operação militar norte-americana que capturou Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores.
“Com a mesma unidade e ferocidade deles, juramos que não haverá silêncio nem indiferença. Sentinelas serenas da dignidade”, afirmou, posicionando a juventude como “anticapitalista, que não se ajoelha, não se vende, não cai”.
Fontes oficiais, como o jornal Granma, órgão do Partido Comunista, descreveram a participação como um “mar de antorchas” multitudinário, com jovens, oficiais e cadetes reafirmando o caráter antimperialista.
Similarmente, a Prensa Latina e o Cubadebate destacaram milhares de participantes iluminando as ruas, simbolizando a continuidade geracional da Revolução. O teleSUR, veículo latino-americano, enfatizou o fogo como emblema de resistência, ligando Martí a Fidel em uma peregrinação que une memória e compromisso soberano.
Contudo, perspectivas críticas revelam contrastes. A revista independente Alas Tensas reportou baixa assistência, com apatia juvenil evidente e ausências notáveis, como a de Raúl Castro e Ramiro Valdés – pela primeira vez em uma década. O evento, segundo eles, mostrou sinais de desgaste, com menos estudantes e maior presença de trabalhadores estatais e cadetes, sugerindo controle organizacional.
Já o portal CiberCuba, baseado em Miami, destacou reações irônicas nas redes sociais ante a postagem de Díaz-Canel, com usuários questionando: “As antorchas são pela falta de luz em Cuba?”, em alusão aos apagões prolongados que excedem 15 horas na capital e 30 em províncias.
Muitos denunciaram participação forçada, sob pena de perda de emprego ou expulsão universitária, e criticaram o gasto de combustível em propaganda enquanto a ilha enfrenta escassez de alimentos, água e energia.
No contexto geopolítico, a marcha respondeu diretamente às declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que previu a queda iminente de Cuba sem o petróleo venezuelano. O chanceler cubano Bruno Rodríguez rebateu via redes: “Em resposta aos vaticínios de ‘queda’ emitidos por Trump desde Iowa, milhares de cubanos marcham nas ruas de Havana em honra ao prócer independentista José Martí e com ele, sua firme posição antimperialista e inabalável”.
O Resumen Latinoamericano, publicação argentina, ecoou o tom de resistência, descrevendo milhares de patriotas desfilando em defesa da independência e exigindo a liberação de Maduro e Flores.
Um fato exclusivo anunciado durante o evento, conforme o Granma, foi o lançamento do Primeiro Colóquio Internacional Fidel: Legado e Futuro, agendado para 10 a 13 de agosto de 2026 em Havana, convidando jovens globais, movimentos sociais e estudiosos a debater o legado de Castro.

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