Para governo brasileiro, defesa por transição democrática na Venezuela gerou desgaste; avaliação é que ‘dificilmente’ Acordo de Barbados — que prevê, entre outros pontos, a realização de eleições limpas e democráticas — se sustentará
Diplomatas e assessores do Palácio do Planalto avaliam com preocupação a denúncia da filósofa Corina Yoris, opositora de Nicolás Maduro, de não ter conseguido se registrar para disputar as eleições presidenciais na Venezuela, cujo prazo de inscrições terminou nos últimos minutos de segunda-feira (25/3). Tais fontes citadas pelo ‘g1‘ disseram ao site de notícias que isso faz das eleições venezuelanas um “caminho sem volta” e “coloca o processo eleitoral sob suspeita“.
Segundo a matéria desta terça-feira (26/3), assessores demonstraram ontem a impossibilidade de fazer o registro quando se conectaram à página do ‘Conselho Nacional Eleitoral‘ daquele país, onde a candidata da oposição denuncia que não consegue registro para a eleição.
Nas redes sociais, a ex-deputada María Corina Machado, que até a última sexta-feira (22/3) era a candidata de oposição ao pleito, afirmou que havia uma manobra para impedir o registro de Corina Yoris.
Em 2023, María Corina recebeu 92% dos votos nas primárias da oposição. Mas, em janeiro de 2024, o ‘Tribunal Supremo da Venezuela‘ confirmou a suspensão dos direitos políticos dela por 15 anos. Depois, o procurador-geral Tarek William Saab, aliado de Nicolás Maduro, pediu a prisão dela por traição à pátria, informa o canal de notícias brasileiro, do grupo Globo‘.
Ainda segundo o site, enquanto a oposição ainda busca registrar o nome de Corina Yoris, o atual presidente Nicolás Maduro foi confirmado como candidato da situação e teve a candidatura registrada com sucesso.
“Maduro perde o discurso de que as eleições serão limpas e transparentes“, teria afirmado, segundo a mídia brasileira, um integrante do Ministério das Relações Exteriores. Segundo a publicação, no Planalto, a avaliação também é de “desgaste” e de “estafa“, diante de tantas tentativas de garantir o processo democrático na Venezuela, mesmo quando o atual governo venezuelano parecia dar sinais contrários à intenção.
O texto lembra que o Assessor especial da Presidência da República e ex-chanceler, Celso Amorim, conversou na semana passada com a oposição venezuelana e com representantes da Noruega, país que mediou o Acordo de Barbados, sobre o diálogo político na Venezuela, feito em 2023, quando aquele governo e a oposição se tornaram signatários de um documento em que se comprometeram à ‘Promoção dos Direitos Políticos e Garantias Eleitorais e para Garantia dos Interesses Vitais da Nação‘, em 17 de outubro, em Barbados.
Uma nota divulgada no portal Gov.br informou à imprensa que tais “Acordos, assinados no contexto de processo de mediação conduzido pela Noruega“, foram “resultado dos esforços de diálogo promovidos por diversos países, inclusive o Brasil, junto aos atores políticos venezuelanos, com vistas à construção de consensos que permitam ao país realizar eleições presidenciais em 2024“.
Segundo a nota, o governo comemorou, na ocasião, “o anúncio da libertação de oposicionistas presos, pela Venezuela, bem como o levantamento parcial, pelos Estados Unidos, de sanções impostas àquele país“.
Ontem, apesar da preocupação manifestada sobre o processo eleitoral na Venezuela, o portal de notícias brasileiro observou que o Brasil não assinou um documento de países da América Latina, que critica a ausência de inscrição da candidata Corina Yoris nas inscrições presidenciais.
O texto informa que comunicado foi assinado por Argentina, Costa Rica, Equador, Guatemala, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai.
Nicolás Maduro, que é presidente do país desde março de 2013, busca se reeleger para o terceiro mandato. Em 2018, Maduro foi eleito com 67% dos votos, quando menos da metade dos eleitores inscritos participaram. Eleições que ficaram marcadas por denúncias de fraude e de falta de transparência, destaca o portal de notícias brasileiro do grupo ‘Globo‘.
