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Manifestantes invadem área restrita da COP30: ONU e Brasil investigam (vídeos)

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    Manifestantes /
    Manifestantes / COP30 11.11.2025 | CRÉDITO: @ALE_SBLACK/x


    Incidente resultou em ferimentos leves em dois seguranças e danos superficiais à estrutura do local – Negociações do evento continuam normalmente



    Brasília, 12 de novembro 2025

    A COP30 em Belém (Pará) foi interrompida por um protesto radical que expôs as fraturas entre ativistas locais e a estrutura oficial do evento.

    Na noite de terça-feira (11/nov), um grupo de cerca de 100 manifestantes, incluindo indígenas do Baixo Tapajós e Tupinambás, além de membros dos coletivos Juntos (braço jovem do PSOL), Quarta Internacional e Movimento Esquerda Socialista (MES), forçou a entrada na Zona Azul – o coração restrito da conferência, gerido pela ONU e reservado a delegações diplomáticas, conforme reportou o Sumauma Jornalismo, no Instagram.

    O incidente, amplamente documentado em vídeos virais nas redes sociais, começou logo após o término da Marcha Global Saúde e Clima, que reuniu cerca de 3 mil participantes em um percurso de 1,5 km pela Avenida Duque de Caxias até o Parque da Cidade.


    Os manifestantes, armados com faixas, cassetetes, arcos e flechas simbólicos, romperam detectores de metal, arrombaram a porta principal do pavilhão e avançaram até cerca de 20 metros dos espaços de negociação.


    Gritavam slogans como “Governo Lula, que papelão, destrói o clima com essa perfuração” e “Taxar os bilionários”, criticando a exploração de petróleo na Foz do Amazonas e a suposta priorização de interesses empresariais sobre povos originários.

    Helen Cristine, integrante do Juntos, justificou a ação em declaração à imprensa: “A gente quis invadir justamente para mostrar quais são os povos que deveriam estar neste evento. A gente acha que a COP30 não representa os povos originários. A organização é feita para os empresários”.

    O grupo acusou a cúpula de ser uma “fachada” para avançar mudanças climáticas sem escuta real das comunidades afetadas, ecoando demandas por maior inclusão em mesas de decisão sobre perda e dano, adaptação e o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).

    A resposta da segurança foi imediata: guardas da ONU (UNDSS) e bombeiros formaram um cordão de isolamento com mesas improvisadas como barricadas, isolando a saída e evacuando participantes credenciados.

    Dois seguranças sofreram ferimentos leves – um com cortes no braço, segundo relatos –, e houve danos superficiais à estrutura, como portas quebradas e mobiliário danificado.

    A área foi temporariamente fechada por cerca de 30 minutos, mas as negociações recomeçaram sem maiores interrupções, conforme confirmou o secretário extraordinário da COP30, Valter Correia.

    “Estamos tomando todas as providências para manter a segurança e a ordem no evento”, declarou ele.

    A ONU e autoridades brasileiras, incluindo a Polícia Militar do Pará, anunciaram investigações conjuntas para apurar responsabilidades, com foco em possíveis violações de protocolos de segurança.

    Até o momento, não há registros de detenções, mas o episódio gerou debates sobre o equilíbrio entre liberdade de expressão e restrições em eventos internacionais.

    A Marcha Global Saúde e Clima, organizada por entidades como Fiocruz, Médicos pelo Clima e Instituto Ar, emitiu nota de repúdio:

    “Os atos que ocorreram após a marcha não fazem parte da organização do evento que tratou de saúde e clima. Todos os participantes da marcha cumpriram integralmente o trajeto e os acordos previamente firmados com a organização da COP30”.

    Os organizadores enfatizaram o caráter pacífico da mobilização, que cobrava políticas integradas de saúde pública e sustentabilidade na Amazônia.

    Esse não é um incidente isolado na história das cúpulas climáticas, mas ganha contornos únicos por ocorrer no coração da floresta mais ameaçada do planeta.

    Protestos semelhantes marcaram edições anteriores da COP, como a de Glasgow (2021), onde ativistas da Extinction Rebellion colaram-se a ruas para denunciar a inação global, ou a de Copenhague (2009), com invasões simbólicas de delegações para pressionar por cortes de emissões.

    No contexto brasileiro, o episódio remete a ações indígenas em Brasília contra o licenciamento de perfurações na Foz do Amazonas, aprovadas pelo governo Lula em 2023 e criticadas por cientistas por riscos a ecossistemas sensíveis. Relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) reforçam que tais explorações agravam secas históricas na região, como a de 2024, que elevou casos de dengue e afetou a saúde de milhões.

    Para André Corrêa do Lago, presidente da COP30, o protesto, embora disruptivo, “reforça a urgência de integrar vozes locais às negociações”.

    Com mais de 140 itens na pauta – incluindo novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e financiamento de US$ 100 bilhões anuais para países em desenvolvimento –, a conferência prossegue até 21 de novembro.

    Analistas veem no incidente um lembrete de que, apesar do otimismo com a presidência brasileira, a credibilidade da COP depende de ações concretas além dos discursos.



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