Ato ‘Acorda Brasil’ reúne poucos participantes: 4,7 mil transeuntes curiosos? Movimento normal na área de lazer supera as 100 mil pessoas atraídas pelo sol e belezas naturais da ‘Princesinha do Mar’
Rio de Janeiro (RJ) · 01 de março de 2026
Em um domingo típico na icônica orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, onde o movimento habitual supera as 100 mil pessoas atraídas pelo sol e lazer, um ato político organizado pela extrema-direita chamou atenção por sua modesta presença.
Convocado nacionalmente sob o lema “Acorda Brasil“, o evento visava protestar contra o Excelentíssimo Senhor Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além de defender a anistia para envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e a liberdade para o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No entanto, estimativas independentes revelam um público bem aquém do esperado, levantando questionamentos sobre se os presentes eram majoritariamente apoiadores convictos ou meros transeuntes curiosos.
De acordo com levantamento preciso do grupo Monitor do Debate Político, ligado ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e coordenado pelos pesquisadores Pablo Ortellado e Márcio Moretto, da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a ONG More in Common, o ato em Copacabana alcançou o pico de 4,7 mil participantes por volta das 11h20.
Utilizando imagens aéreas e inteligência artificial via método Point to Point Network (P2PNet), com acurácia de 69,5% e precisão de 72,9%, o estudo aponta margem de erro de 12%, variando entre 4,1 mil e 5,3 mil pessoas.
Essa contagem representa o menor registro de manifestações bolsonaristas no Rio pelo grupo, inferior aos 18,3 mil de domingo (16/mar) de 2025 e aos 65 mil de 7 de setembro de 2022.
O evento contou com discursos do carro de som, incluindo a primeira aparição pública do deputado estadual Douglas Ruas (PL) como pré-candidato ao governo do Rio, ao lado do prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), que busca o Senado, reportou o jornal O Globo.
Outras fontes corroboram o esvaziamento. O BNews destaca que o ato, apesar de convocações por figuras como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor Silas Malafaia, não superou 5 mil, contrastando com expectativas infladas nas redes sociais.
Já o Agenda do Poder enfatiza o declínio progressivo da mobilização bolsonarista, atribuindo-o a fadiga política e restrições judiciais sobre Bolsonaro.
Em falas capturadas durante o protesto, manifestantes ecoaram “Fora Lula, fora Toffoli, fora Moraes”, conforme registrado em vídeos e relatos do Metrópoles, que cobre atos simultâneos em pelo menos 27 cidades, como São Paulo e Brasília.
Quanto ao fluxo habitual na orla, pesquisas indicam que Copacabana atrai mais de 100 mil visitantes em domingos ensolarados, impulsionados por atividades recreativas e turismo.
Um estudo da Prefeitura do Rio estima picos de 150 mil em períodos de alta temporada, como março, quando o clima favorece banhistas e esportistas — número que ofusca os 4,7 mil do ato, sugerindo que muitos ali poderiam ser curiosos integrados ao movimento cotidiano da praia, sem vínculo ideológico profundo.
Essa discrepância entre a convocação virtual e a adesão real sinaliza um enfraquecimento da capacidade de mobilização da extrema-direita, em meio a investigações judiciais e polarização nacional.
O evento transcorreu pacificamente, sem incidentes reportados pela Polícia Militar do Rio de Janeiro.

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