Fachada do edifício da Bursa Malaysia (antiga Bolsa de Valores de Kuala Lumpur) na Malásia. Registro feito em 13 de abril de 2026 (Foto: China Foto Press/VCG)
Kuala Lumpur (MY) · 17 de abril de 2026
O governo da Malásia colocou em prática a política de Trabalho Remoto (WFH) para o setor público federal como resposta à crise energética desencadeada pelo conflito no Oriente Médio.
A medida busca reduzir o consumo de combustível e aliviar a pressão sobre os subsídios estatais, sem comprometer a prestação de serviços à população, conforme reporta a mídia local The Star.
Cerca de 200 mil servidores públicos federais podem ser afetados pela diretriz, conforme informou o secretário-chefe do governo, Tan Sri Shamsul Azri Abu Bakar.
A implementação ocorre de forma gradual e seletiva, com aprovação a critério de cada chefe de departamento, que avalia as necessidades operacionais e a adequação da função.
“O sistema WFH existente pode acomodar até 200.000 servidores públicos, mas nem todos serão aprovados, uma vez que isso está sujeito à discrição de cada chefe de departamento”, declarou Tan Sri Shamsul Azri Abu Bakar após evento em Shah Alam.
A política aplica-se apenas a servidores federais que atuam em Putrajaya, Kuala Lumpur, Selangor e capitais estaduais e que residem a mais de 8 km de distância de seus escritórios.
Setores essenciais como segurança, defesa, saúde e educação permanecem fora do escopo para garantir a continuidade dos serviços públicos.
Em Putrajaya, sede administrativa federal, os prédios governamentais apresentaram menor movimento, com redução no uso de luzes e elevadores.
O primeiro-ministro Datuk Seri Anwar Ibrahim havia anunciado a medida no início de abril, durante reunião de gabinete, destacando a necessidade de preservar a sustentabilidade do suprimento energético do país.
A iniciativa também busca reduzir os gastos do governo com os subsídios ao combustível RON95 — o tipo de gasolina mais usado no país. Atualmente, o governo malaio mantém o preço da RON95 artificialmente baixo, em torno de RM 1,99 por litro (equivalente a cerca de R$ 3,10, dependendo da cotação), graças a um subsídio generoso.
Com a alta dos preços internacionais do petróleo causada pelo conflito no Oriente Médio, esse subsídio passou a custar ao governo até RM 4 bilhões por mês (aproximadamente R$ 6,2 bilhões).
Reduzir o deslocamento diário dos servidores com o trabalho remoto ajuda a diminuir o consumo de combustível e, consequentemente, alivia essa pesada conta que o Estado paga todos os meses.
Fontes oficiais garantem que o atendimento ao público, especialmente nos balcões de serviços, transcorre sem interrupções. “Os serviços do governo, particularmente as transações de balcão, estão funcionando normalmente em todo o país”, reforçou o The Star.
Atividades de campo e atribuições externas continuam inalteradas.
A política reflete uma estratégia mais ampla de resiliência econômica diante das disrupções globais no fornecimento de óleo.
O setor privado também recebe estímulo para adotar modelos semelhantes, embora sem obrigatoriedade.
Tan Sri Wan Ahmad Dahlan Abdul Aziz, diretor-geral do Departamento de Serviço Público, assegurou que metas de desempenho (KPIs) e monitoramento em tempo real manterão a produtividade dos servidores em home office.
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:
