Mais de 100 mil franceses querem a cloroquina que Bolsonaro também defende para tratar o covid-19

05/04/2020 0 Por Redação Urbs Magna

Enquanto o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, deixa os brasileiros perplexos com suas falsas alegações sobre a “cura para o novo coronavírus” por meio da substância cloroquina – chegando ao ponto de ter vídeos derrubados no Facebook e Instagram -, uma petição online lançada pelo ex-ministro da Saúde da França, Philippe Douste-Blazy, que exige o fim das restrições à prescrição da droga, ultrapassou as cem mil assinaturas na tarde deste sábado (4), no mesmo dia em que foi criada.

Esse tratamento, que também causa polêmica no país, ganha cada vez mais a adesão dos franceses, conforme publicou a Folha, que pedem, por meio da plataforma Change.org sob a hashtag #NePerdonsPlusDeTemps (#Nãopercamosmaistempo), a disponibilização imediata da hidroxicloroquina ou, em sua falta, a cloroquina.

A França é hoje um dos países mais afetados pela pandemia de coronavírus, tendo ultrapassado a China com surpreendentes registros de 89.953 casos de infecção e 7.560 mortes.

worldometers.info

PAÍSN° DE CASOSMORTES
MUNDO1.203.10164.743
EUA311.6378.454
ESPANHA126.16811.947
ITÁLIA124.63215.362
ALEMANHA96.0921.444
FRANÇA89.9537.560

O que os franceses querem é que cada médico de hospital possa “prescrever a medicação a todos os pacientes que sofrem de formas sintomáticas da Covid-19, particularmente aqueles que sofrem de distúrbios pulmonares, se a condição deles exigir”, enfatizando a necessidade de se “evitar a automedicação a todo custo“, diz a matéria na FSP que continua a transcrição do texto da petição em seguida: “Pedimos ao Estado que faça reservas de hidroxicloroquina para que, se a eficácia for confirmada nos próximos dias, não tenhamos falta de remédio“. A publicação também foi feita no jornal Le Parisien com assinaturas de personalidades do mundo médico regional.

A Folha destaca que pesquisas chinesas e francesas relatam resultados positivos com a droga em pacientes com Covid-19. Na França, por exemplo, o professor Didier Raoult e sua equipe concluíram, em duas publicações (com vinte pacientes com 80 anos), “a eficácia da hidroxicloroquina associada à azitromicina” no tratamento. Mas cientistas e a OMS (Organização Mundial da Saúde) dizem que os estudos não foram conduzidos de acordo com protocolos científicos padrão.

Aqui no Brasil, ocorre o contrário. Bolsonaro insiste no tratamento com cloroquina, tendo até mesmo solicitado ao 1º ministro da Índia o desbloqueio de insumos para sua fabricação, conforme publicou o portal InfoMoney.

Diante da paralisação das exportações dos insumos daquele país, o presidente brasileiro apelou para a compra de 31,6 toneladas dos ingredientes que serão usados na fabricação de remédios por nossa indústria farmacêutica, mesmo que o medicamento não tenha a eficácia comprovada contra a doença.

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