“A interferência seria indefensável, como tem provado a indiferença do Telegram à Justiça brasileira”, mas “o Pegasus opera equipamentos alheios com mais eficiência do que os donos“, escreve o jornalista
“Até que comece a campanha fervente, é mais a cibernética da direita extremista de Israel, e menos a cibernética eleitoreira da Rússia, que deve engrossar a expectativa de diferentes violências na disputa pela desprestigiada presidência brasileira“, escreve Janio de Freitas em artigo no jornal Folha de S. Paulo.
“A interferência de Moscou na derrota de Hillary Clinton para Trump, por cerrada emissão de fake news ao eleitorado americano, se feita no Brasil seria indefensável, como tem provado a indiferença do simples Telegram às restrições da Justiça Eleitoral”, prossegue o jornalista.
Mas, segundo Freitas, a grande “expectativa” supramencionada deveria dar lugar ao “Pegasus (…), criado em Israel, é invasor de qualquer aparelhagem, para captar o uso ou introduzir os chamados conteúdos, mesmo que encontre as melhores defesas” e “opera equipamentos alheios com mais eficiência do que os donos“.
O jornalista diz que Bolsonaro “foi a Moscou (…) com intermediação mensageira de Carlos Bolsonaro“, porque “a ação russa nos Estados Unidos” ficou “conhecidamente “escandalosa”, mas “os propósitos de transgredir a eleição brasileira ficaram comprovados com a tentativa de compra, por Bolsonaro, do equipamento” Pegasus, em Israel, cujo aparelho provocou “escândalo de sustos e temores” nos israelenses “com a descoberta de que governantes, parlamentares e figuras de destaque, em número alto e ainda incompleto, estiveram invadidos desde o período de Netanyahu”.
“Os israelenses disseram que a venda aos Bolsonaro foi recusada. (…) E, se feita a venda em uma das investidas dos Bolsonaro, é óbvio que os dois lados a negariam. Não se sabe se o Pegasus será, ou não, disputante eleitoral em outubro. Em alguma escala, é provável que sim“, argumenta o jornalista.
“Apesar de motivo da preocupação, a interferência russa é incerta, até improvável, talvez. (…) É possível que algum mais, digamos, por concorrência comercial, sabido que Bolsonaro é garantia de retrocesso em todas as atividades positivas. Marginal, cercado de ignorâncias negacionistas, ridicularizado, Bolsonaro nada significa no nível em que Putin faz sua esgrima“, argumentou Janio de Freitas.
