Manifesto afirma que regras sob comando da Ministra da Segurança, Patricia Bullrich, tratam-se de um conjunto de diretivas que violam “as garantias mínimas” do sistema democrático por ser “violento, inconstitucional e fascista“
A organização ‘Mães da Praça de Maio‘, associação argentina de mães que tiveram seus filhos mortos ou que desapareceram durante a ditadura militar no país e se uniram para tentar descobrir seus paradeiros, estão manifestando repúdio às medidas do Governo de Javier Milei contra as manifestações populares, previstas após o anúncio do pacotaço ‘Motosserra’ do Ministro da Economia do país, Luiz ‘Toto’ Caputo, que fez subir os preços dos combustíveis e dos alimentos, pressionados pela supervalorização do dólar em detrimento do peso.
Um manifesto afirma que as regras sob o comando da Ministra da Segurança, Patricia Bullrich, tratam-se de um conjunto de diretivas que violam “as garantias mínimas” do sistema democrático por ser “violento, inconstitucional e fascista“.
Bullrich prometeu ser dura, caso ocorram “fechamentos de estradas“.
O manifesto das ‘Mães da Praça de Maio‘ tem como título “Pare sua mão, Milei” e rejeita o protocolo, que relembra a “comunicação nº 1 da Junta Militar de 24 de março de 1976“, durante o Processo de Reorganização Nacional – nome da ditadura civil-militar que governou a Argentina após o golpe de Estado dessa data até a transferência incondicional do poder para um governo constitucional e democrático em 10 de dezembro de 1983.
“Com a medida, o governo assume para si poderes específicos do Judiciário, violando as garantias mínimas que distinguem um sistema democrático de uma ditadura. Além disso, consagra a espionagem contra organizações sociais, políticas e sindicais sob o pretexto da segurança pública“, destaca o texto, conforme transcrito pelo ‘Página 12‘.
As Mães da Praça de Maio foram o primeiro grande grupo a se organizar contra essas violações de direitos humanos. O nome refere-se à Praça localizada em frente à Casa Rosada, sede do Goveno argentino.
Juntas, as mulheres criaram uma força dinâmica e inesperada, que existia em oposição às restrições tradicionais às mulheres na América Latina. Elas se reuniram e pressionaram por informações sobre seus filhos, destacando as violações de direitos humanos ocorridas e aumentando a conscientização em escalas locais e internacionais.
Leia o repúdio ao governo Milei, a seguir:

“PARE SUA MÃO, MILEI
As Mães da Praça de Maio repudiam como violento, inconstitucional e fascista o protocolo contra as mobilizações populares anunciado pela Ministra da Segurança, Patricia Bullrich.
Este documento contra as manifestações de protesto lembra-nos o comunicado nº 1 da Junta Militar de Março de 1976.
Com a medida, o governo assume competências que lhe são próprias do Poder Judiciário, violando as garantias mínimas que distinguem um sistema democrático de uma ditadura.
Além disso, consagra a espionagem contra organizações sociais, políticas e sindicais sob o pretexto da segurança pública.
A única insegurança é a que o governo decretou com as medidas económicas e o processo hiperinflacionário que estas desencadearam.
A resistência popular será irreprimível e, mais cedo ou mais tarde, se expressará nas ruas.
Nós, mães, lideramos 2.383 marchas pacíficas, mas profundamente políticas, na Plaza de Mayo todas as quintas-feiras. Continuaremos lá até que a cidade esteja feliz como nossos filhos queriam.
Hoje, mais do que nunca, dizemos: Pare com a mão, Milei!
Nem um passo atrás!
Associação das Mães da Praça de Maio”
