Cidadãos vão reforçar segurança nacional enquanto forças navais americanas se aproximam, intensificando tensões geopolíticas na região
Brasília, 24 de agosto de 2025
No sábado (23/ago), centenas de cidadãos venezuelanos responderam ao apelo de seu presidente Nicolás Maduro para se alistarem em milícias populares, conforme as tensões com os Estados Unidos aumentam.
Maduro anunciou a mobilização de mais de 4,5 milhões de milicianos em todo o país, em resposta ao que ele descreveu como “ameaças extravagantes, bizarras e ultrajantes” dos EUA, que posicionaram três destróieres de mísseis guiados da classe Aegis – USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson – próximo à costa da Venezuela.
A ação militar americana faz parte de uma operação antidrogas liderada pelo presidente Donald Trump, que acusa Maduro de liderar o “Cartel de los Soles”, um suposto grupo de tráfico de drogas, e dobrou a recompensa por sua captura para US$ 50 milhões.
A convocação de Maduro foi feita durante um evento televisionado em Caracas, onde ele pediu que “homens e mulheres se inscrevam em bases militares e praças públicas” para reforçar a Milícia Bolivariana, um corpo civil criado por Hugo Chávez em 2007 e integrado às Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB).
Em Caracas, voluntários, incluindo funcionários públicos, donas de casa e aposentados, foram registrados e assistiram a um documentário sobre a resistência venezuelana a bloqueios históricos, enquanto armas como metralhadoras e lança-granadas foram exibidas.
No entanto, analistas questionam a viabilidade do número de 4,5 milhões de milicianos, com estimativas independentes apontando cerca de 343 mil membros em 2020, segundo o International Institute for Strategic Studies.
A movimentação dos EUA inclui não apenas os destróieres, mas também aviões de patrulha P-8 Poseidon, um submarino de ataque nuclear e outros navios de guerra, com cerca de 4.000 marinheiros e fuzileiros navais envolvidos na operação, que pode se estender por meses em águas e espaço aéreo internacionais Miami Herald.
A Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, afirmou que “o regime de Maduro não é o governo legítimo da Venezuela” e que Trump está disposto a usar “todos os elementos do poder americano” para combater o tráfico de drogas, incluindo possíveis “ataques direcionados”.
Em resposta, Maduro denunciou a operação como “imoral, criminosa e ilegal” e proibiu temporariamente a operação de drones no espaço aéreo venezuelano, indicando temores de ataques aéreos.
A escalada também atraiu a atenção de potências globais. A China, aliada de Caracas, condenou o envio de forças americanas, com a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, pedindo que os EUA promovam “ações que favoreçam a paz e a segurança na América Latina”.
Enquanto isso, o Ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil, rejeitou as acusações de tráfico de drogas, afirmando que elas revelam “a falta de credibilidade e o fracasso das políticas de Washington na região”.
Nas ruas da Venezuela, a reação à convocação de Maduro varia entre apoio fervoroso e ceticismo. Muitos venezuelanos, como Pedro Martínez, motorista de Valencia, expressaram descrença em uma possível intervenção americana, afirmando que “os anúncios são feitos, mas nada acontece”, segundo transcrição no The New York Times.
Apesar disso, a mobilização reflete o clima de tensão e a retórica de confronto que domina as relações entre Caracas e Washington, reacendendo memórias da invasão americana do Panamá em 1989, quando o líder Manuel Noriega foi capturado sob acusações semelhantes de narcotráfico.
A presença de forças navais americanas no Caribe coincide com a passagem do furacão Erin, uma tempestade de categoria 4 que atingiu partes da região, segundo a Associated Press.
Embora não diretamente relacionada à operação militar, a tempestade pode complicar as movimentações navais, já que o Iwo Jima Amphibious Ready Group, parte da operação antidrogas, foi forçado a retornar a Norfolk devido às condições climáticas.







