“As empresas que estão aqui querem ir mais longe e acho que têm razão. Quando vejo Brasil e França, e nos últimos dias, mais de perto, acho que podemos e devemos confiar na força do Brasil, no futuro do Brasil, não só como economia, mas como nação“, disse Macron
O presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a criticar um acordo de livre comércio negociado há mais de vinte anos entre o Mercosul e a União Europeia, o qual chamou de muito ruim.
O mandatário francês deu a declaração durante um discurso na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, após participar, junto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do lançamento do Submarino ‘Toneleiro‘, em Itaguaí, no sul do estado do Rio de Janeiro.
“Vocês têm um modelo de baixíssima emissão de carbono“, disse Macron, conforme noticiou a
[Agence France-Presse]. “Eu acredito que precisamos repensar nossas regras de comércio sob a perspectiva dessa vantagem”.
“É por isso que fui muito crítico ao dizer que o acordo negociado com o Mercosul é muito ruim para nós e para vocês“, afirmou o francês.
“Vamos colocar um fim ao Mercosul de vinte anos atrás. Vamos criar um novo acordo que reflita nossos objetivos e nossa realidade“, prosseguiu. “Um acordo que seja responsável do ponto de vista do desenvolvimento, do clima e da biodiversidade. Um acordo da nova geração“, pontuou.
Macron, que também já esteve em Belém, realiza uma intensa viagem de três dias pelo Brasil.
O presidente francês encerra a agenda em território nacional com uma visita a Brasília, nesta quinta-feira (28/3), onde vai assinar diversos acordos com Lula.
O Acordo Mercosul/UE
O acordo, que teve negociação iniciada há 25 anos, prevê a promoção de comércio entre os dois blocos econômicos Mercosul e União Europeia.
O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é uma organização intergovernamental regional fundada a partir do Tratado de Assunção, em 26 de março de 1991, e estabelece uma integração regional, inicialmente econômica, configurada atualmente em uma união aduaneira, na qual há livre-comércio intrazona e política comercial comum entre os países-membros, todos situados na América do Sul, cuja forma original era Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Mais tarde, a ele aderiu a Venezuela, que no momento se encontra suspensa, e o bloco se expandiu pela segunda vez em 7 de dezembro de 2023, quando foi assinada, no Rio de Janeiro, a ratificação da adesão oficial da Bolívia como membro-pleno do bloco após oito anos em processo de adesão.
Quanto à União Europeia (UE), o bloco reune economica e politicamente 27 Estados-membros independentes situados principalmente na Europa.
A França já havia demonstrado oposição à negociação em diferentes ocasiões e hoje há um racha na União Europeia, conforme revelou o jornalista do ‘UOL’, Jamil Chade. A Alemanha defende o acerto, principalmente diante do interesse exportador do setor de carros.
Pressionado internamente, o francês propõe o alinhamento de uma nova proposta, mas também disse que “as empresas francesas acreditam no Brasil” e que “elas têm razão“, disse, completando que “as empresas brasileiras deveriam acreditar mais na França. E, através da França, entrar na Europa“.
“As empresas que estão aqui querem ir mais longe e acho que têm razão. Quando vejo Brasil e França, e nos últimos dias, mais de perto, acho que podemos e devemos confiar na força do Brasil, no futuro do Brasil, não só como economia, mas como nação“.
DEMOCRACIA
Segundo Macron, “o Brasil conseguiu enfrentar períodos muito desestabilizadores nos últimos tempos como Covid, crise política. Tem crescimento sólido. Soube controlar inflação e soube resistir às agitações que às vezes sofrem as democracias do mundo“, disse se referindo implicitamente às investidas contra o Estado Democrático de Direito por parte do ex-presidente declarado pela Justiça brasileira “inelegível“, Jair Bolsonaro (PL), sem contudo citá-lo nominalmente.
Passagem de Macron pelo Brasil
Macron chegou ao Brasil na terça (26/3), em Belém (PA), onde esteve com o Presidente Lula em um passeio de barco pela baía de Guajará, com parada na Ilha do Combu. Lá, encontram lideranças indígenas.
O presidente francês concedeu a Ordem Nacional da Legião de Honra ao cacique Raoni Metuktire, líder indígena do povo Caiapó.
Ao lado de Lula lançou submarino, na manhã de quarta (27/3), em Itaguaí (RJ), o Tonelero (S42), fruto de uma parceria entre os dois países.
A primeira-dama, Rosângela Lula Silva, foi convidada pela Marinha para ser madrinha da embarcação.
À noite, participou da inauguração no Instituto Pasteur na Universidade de São Paulo (USP). Na sequência, estava previsto encontro com o ex-jogador Raí Oliveira, da Fundação Gol de Letra, e jovens atendidos pelo projeto.
Em São Paulo, o francês jantaria com personalidades brasileiras da cultura e esportes. Antes a previsão era que se encontrasse com membros da comunidade francesa.
Nesta quinta-feira, Macron segue para Brasília, onde reencontrará o presidente Lula e visitará o Senado.
