Estudo da PNAS desmente o mito do macho alfa em primatas, mostrando que fêmeas lideram em muitos casos e o poder é equilibrado na maioria das sociedades. Conheça a pesquisa da Universidade de Montpellier e Instituto Max Planck
Brasília, 15 de julho de 2025
Um estudo revolucionário publicado em 7 de julho na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) desmonta o mito do “macho alfa dominador” entre primatas.
Conduzida por pesquisadores da Universidade de Montpellier, Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig e Centro Alemão de Primatas em Göttingen, a pesquisa analisou 253 populações de 121 espécies, incluindo macacos, lêmures, társios e lóris.
Os resultados mostram que a dominância clara de um sexo é rara: em apenas 17% das 151 populações com dados quantitativos (25 casos), os machos venceram mais de 90% das disputas com fêmeas, enquanto em 13% (16 casos), as fêmeas dominaram.
Na maioria (70%), o poder é fluido, sem viés claro de gênero, sugerindo uma “democracia” nas dinâmicas sociais. Ao contrário da visão de que machos prevalecem pela força, disputas entre machos e fêmeas representam metade das interações agressivas.
Espécies como bonobos e lêmures-de-cauda-anelada destacam-se pela liderança feminina, muitas vezes via estratégias reprodutivas, como alianças em bonobos que garantem controle social Communications Biology.
A pesquisadora Elise Huchard explica que, enquanto machos usam força ou coerção, fêmeas empregam manipulação reprodutiva. A dominância masculina é mais comum em espécies terrestres, onde machos são maiores ou têm caninos desenvolvidos, mas não é universal.
Em espécies monogâmicas ou arbóreas, fêmeas têm maior controle reprodutivo, favorecendo sua liderança. Em algumas, como os talapoins angolanos, a dominância varia entre grupos, sem padrão fixo.
Os cientistas testaram cinco hipóteses, constatando que habitat, estrutura social e ecologia moldam essas dinâmicas. Em populações onde machos acasalam com múltiplas fêmeas, a força masculina prevalece, mas a variabilidade é grande.
Esses achados desafiam a ideia de que o patriarcado humano é um “legado primata“. Como destacado pelo Instituto Max Planck, humanos compartilham traços com primatas de dinâmicas igualitárias, reforçando que relações de gênero devem ser analisadas em contextos sociais e ecológicos, não como algo “natural” baseado em estereótipos simplistas.









Marxistas sabem muito bem sobre este princípio – “relações de gênero devem ser analisadas em contextos sociais e ecológicos, não como algo ‘natural’ baseado em estereótipos simplistas” – já que Karl Marx expõe como as relações sociais de classe são determinantes para as sociedades humanas, ao longo da História. E, em adendo, o resultado deste estudo foi enunciado em “A Origem do Homem”, de Charles Darwin.
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