Diálogo reforça multilateralismo e compromissos climáticos, com destaque para a cúpula ambiental em Belém
Brasília, 06 de setembro de 2025
Em uma ligação de cerca de 20 minutos na manhã de sexta-feira (5/set), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, discutiram avanços expressivos nas relações bilaterais e globais.
O foco principal foi o progresso do Acordo UE-Mercosul, que visa criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de pessoas e representando 26% do PIB global.
Lula expressou otimismo para a assinatura do tratado ainda em 2025, durante a Cúpula do Mercosul, que será realizada no Brasil sob a presidência rotativa do país.
Ele também destacou a importância de que “qualquer regulamento sobre salvaguardas adotado internamente pela UE esteja em plena conformidade com o espírito e os termos pactuados no acordo”.
Von der Leyen reforçou o compromisso da União Europeia com o multilateralismo, escrevendo na rede social X: “Excelente conversa com Lula hoje sobre nosso interesse mútuo em promover o Acordo UE-Mercosul. Este é um sinal importante da nossa forte parceria e do compromisso com o multilateralismo”.
A líder europeia também expressou “apoio total” aos preparativos para a COP30, que ocorrerá em Belém, no Pará, em novembro de 2025.
Ela destacou a liderança do Brasil nos mercados de carbono, afirmando que a conferência será “um verdadeiro marco para o planeta”.
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Além do comércio, os líderes reafirmaram o compromisso com o Acordo de Paris e metas ambiciosas de descarbonização.
Lula enfatizou que a COP30 será a “COP da verdade”, uma oportunidade para líderes mundiais combaterem o negacionismo climático e apresentarem compromissos concretos para uma economia verde.
Apesar de críticas recentes à infraestrutura hoteleira e aos altos custos de hospedagem em Belém, Von der Leyen garantiu o respaldo da UE para a organização do evento.
A conversa entre Lula e Von der Leyen foi planejada há semanas, refletindo a prioridade dada ao fortalecimento das relações entre o Brasil e a UE.
O acordo comercial enfrenta resistência de países como a França e a Polônia, devido a preocupações com a concorrência de produtos agrícolas do Mercosul.
Para mitigar isso, a Comissão Europeia propôs salvaguardas, como uma reserva agrícola de 6,3 bilhões de euros e uma cota máxima de 99 mil toneladas anuais para importação de carne bovina, equivalente a 1,5% da produção europeia.
Lula também abordou preocupações com o protecionismo comercial de Donald Trump, reforçando a necessidade de uma parceria estratégica frente às incertezas globais.







