Estadista participa de reunião em Santiago com líderes do país, Espanha, Colômbia e Uruguai para discutir multilateralismo, combate à desinformação e fortalecimento democrático frente ao avanço da ultradireita
Brasília, 20 de julho de 2025
O presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embarcou na tarde deste domingo (20/jul) para Santiago, no Chile, onde participará, na segunda-feira (21/jul), de uma reunião de alto nível sobre a defesa da democracia.
O evento, intitulado “Democracia Sempre”, é organizado pelo presidente chileno Gabriel Boric e contará com a presença dos líderes da Espanha, Pedro Sánchez, da Colômbia, Gustavo Petro, e do Uruguai, Yamandú Orsi.
Em suas redes sociais, Lula compartilhou uma imagem ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, no aeroporto, em frente à aeronave oficial do governo, destacando que Alckmin assumirá a presidência durante sua ausência. “Desejo um bom trabalho ao companheiro @geraldoalckmin, que assume a presidência neste período”, escreveu o presidente.
A cúpula em Santiago tem como objetivo dar continuidade às discussões iniciadas em 2024, durante a 79ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em um encontro coordenado por Lula e Sánchez intitulado “Em defesa da democracia: combatendo o extremismo”.
A reunião abordará três eixos principais: defesa da democracia e do multilateralismo, combate às desigualdades e regulação de tecnologias digitais para enfrentar a desinformação e o avanço da ultradireita no cenário global.
As propostas resultantes serão apresentadas na 80ª Assembleia-Geral da ONU, em setembro, em Manhattan, Nova Iorque. O evento incluirá uma reunião reservada entre os presidentes, seguida de um almoço e um encontro com representantes da sociedade civil, acadêmicos e centros de reflexão (think tanks).
Entre os participantes estão a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, o economista americano Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel, o sul-coreano Ha-Joon Chang e a filósofa americana Susan Neiman.
A viagem de Lula ocorre em um momento de tensão diplomática com os Estados Unidos, devido a tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump a produtos brasileiros, vistas pelo governo brasileiro como uma “ingerência à soberania”.
Segundo o Jornal do Comércio, a cúpula também discutirá o “uso de tarifas como arma” para fins político-eleitorais e propostas de taxação de grandes empresas tecnológicas (big techs), além da governança digital e da inteligência artificial.
A ausência da presidente mexicana Claudia Sheinbaum, que também enfrenta pressões de Trump, foi notada, embora ela tenha sido convidada por Boric, conforme informado pelo WebtvParacatu.
A reunião reflete a crescente preocupação com a polarização política e a fragmentação global, agravadas pela proliferação de fake news e pelo avanço de governos de extrema-direita.
A iniciativa busca consolidar uma frente progressista para enfrentar desafios globais, como destacou a deputada Gleisi Hoffmann em postagem no X, afirmando que a extrema-direita e decisões do governo dos EUA representam “ameaças à democracia brasileira e mundial”.








