O general ex-ministro e crítico do candidato derrotado Bolsonaro afirmou também que Lula “tem de mostrar governo de união nacional”
O general Carlos Alberto dos Santos Cruz afirmou, em entrevista ao jornal O Globo deste domingo (11/12), que o Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “vai governar, sabe como deve” e “quem perdeu se organize se quiser continuar influindo na política“. O militar também afirmou que Lula “tem de mostrar que é um governo de união nacional“. O ex-ministro é um dos maiores críticos do candidato derrotado e ainda presidente Jair Bolsonaro.
O militar reclama da tentativa de politização das Forças Armadas e diz que Lula precisa focar na despolarização do Brasil. Sobre a pessoa do novo Presidente, o general não vê “razão para que não seja bem recebido” e acrescenta que o fundador de seu próprio partido “é uma pessoa equilibrada, agradável, simpática, bem humorada para resolver as coisas“.
Santos Cruz diz que não há tensão na vida militar e que ela “segue normal“, acrescentando que “quem ganhou deverá governar, e quem perdeu deverá se organizar se quiser continuar influindo na política nacional“.
“Será o terceiro governo de Lula, não há novidade nenhuma. Quem vai fazer parte da oposição sabe como Lula vai governar, e ele sabe como deve governar para não cometer os erros anteriores, porque todo governo comete erros, e tem acertos. Não vejo nenhuma expectativa de crise no relacionamento com os militares. Já tivemos dois mandatos com Lula, nesse período o relacionamento foi normal“, afirmou.
“O Brasil está muito desunido. A transparência, por conta dos escândalos, será fundamental. Com Bolsonaro houve uma tentativa evidente de politizar as Forças Armadas. No comportamento presidencial, sim, ficou bem claro. No discurso, na narrativa”, diz o general.
“Uma coisa é o militar como pessoa, eleitor, mas no comportamento institucional tem uma estrutura sólida, lideranças fortes, disciplina militar. Em 47 anos em que fiquei no Exército nunca vi discussão política dentro de um quartel. Não adianta tentar tentar fazer política com as Forças Armadas, porque elas não respondem“, disse.
Santos Cruz diz que não não tinha necessidade nenhuma de convidar as Forças Armadas para compor o processo político do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). “Houve dois erros: convidar e aceitar“.
Desde que Bolsonaro foi derrotado, ele entrou em seu casulo, ficando em total silêncio. Para o general foi “uma reação descabida. Ganhamos para trabalhar. Não pode ficar dois meses sem falar nada“, afirma.
Quanto à possibilidade do presidente passar a faixa presidencial para Lula no dia 1° de janeiro, Santos Cruz opina que de Bolsonaro se espera “qualquer coisa, mas que “seria bom mostrar normalidade, se organizar para ser uma oposição produtiva e fiscalizadora“. Para o general, se o presidente derrotado “não for, quem vai perder é ele, em termos pessoais, políticos, porque não terá sabido se comportar da forma como deve“.
Sobre sua vida pessoal, Santos Cruz diz que continuará “participando, escrevendo, como cidadão“, mas “qualquer expectativa política terá de esperar mais um pouco“. Ele pretende “esperar a poeira baixar“.
O general lançou o livro ‘Democracia na Pática’, em que fala sobre “assuntos da vida pública, como fanatismo, violência, meio ambiente, indígenas, economia“. Ele pontua a entrevista afirmando que “temos um problema sério de fakenews, que está deixando a sociedade doente.

Para que a “unidade nacional” aconteça, é preciso que sejam atendidos alguns requisitos:
1. Que os derrotados reconheçam a derrota e acatem civilizadamente o resultado das eleições;
2. Que os atos de violência dos revoltados pela derrota sejam objeto de apreciação e responsabilização nos limites legais;
3. Que o pais como um todo (incluindo o “mercado”) respeite e legitime a implementação do projeto político que venceu as eleições.
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