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Lula enfrenta o império, manda recados a Trump e republicano, sem saída, diz que “deu química” (vídeos)

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    Os presidentes
    Os presidentes do Brasil e dos EUA, LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA (PT), e DONALD TRUMP, durante seus discursos na ONU |23.9.2025| Imagens reprodução


    O estadista brasileiro fez um discurso eloquente na ONU contra as ameaças dos EUA ao Brasil e, na sequência, Trump discursou e disse que se reunirá com Lula na semana que vem – SAIBA MAIS



    Brasília, 23 de setembro de 2025

    Em um momento de alta tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, com um discurso contundente que ecoou como um “recado” direto ao governo de Donald Trump.

    Nesta terça-feira (23/set), Lula criticou abertamente as “ameaças” e “sanções arbitrárias” impostas pelos EUA ao Brasil, defendendo a soberania nacional e o multilateralismo em meio a uma guerra comercial desencadeada por tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

    O pronunciamento, que tradicionalmente abre os debates da assembleia como tradição desde 1955, foi seguido imediatamente pelo discurso de Trump, que surpreendeu ao anunciar uma reunião bilateral com Lula para a próxima semana, sugerindo uma possível trégua nas hostilidades.

    O estadista brasileiro, ao subir ao púlpito da ONU, não poupou palavras contra o que chamou de “imperialismo disfarçado de defesa de interesses”.

    Em sua fala, Lula destacou que a recente condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado representa um “recado aos candidatos a autocratas do mundo e àqueles que os apoiam”.

    Analistas interpretam essa declaração como uma alfinetada velada a Trump, que impôs as sanções em retaliação ao julgamento de Bolsonaro, incluindo restrições a vistos de autoridades brasileiras como o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, além de barreiras a nomes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    “Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra”, enfatizou Lula, referindo-se às tarifas que afetam exportações chave do Brasil, como aço e soja, e que já custam bilhões à economia nacional.

    A resposta de Trump veio logo em seguida, em um tom que mesclou defesa de sua agenda “America First” com um gesto de distensão.

    Durante seu pronunciamento, o presidente americano revelou ter encontrado Lula brevemente nos corredores da assembleia e trocado impressões sobre os atritos bilaterais.

    “Encontrei o presidente Lula e conversamos um pouco; ele é um homem forte, deu química entre nós. Vamos nos reunir na semana que vem, se isso for de interesse mútuo”, declarou Trump, usando uma expressão coloquial que pegou observadores de surpresa e que, em português, soou como “deu química”.

    O republicano, sem saída aparente para justificar as sanções em um fórum global como a ONU, evitou menções diretas às críticas de Lula, mas reiterou sua visão de que os EUA atuam para “proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”, uma justificativa que o governo brasileiro repudiou como “ameaça de uso da força” em comunicados anteriores.

    A escalada das tensões remonta a agosto de 2025, quando Trump aplicou o tarifaço em resposta ao julgamento de Bolsonaro, que terminou com a condenação do ex-presidente por 4 a 1 na Primeira Turma do STF.

    O governo Lula reagiu com reuniões ministeriais para alinhar um discurso de soberania, inclusive usando bonés com a frase “O Brasil é dos brasileiros” em eventos internos.

    Na véspera da ONU, sanções adicionais foram impostas a membros da equipe de Moraes e do TSE, o que levou diplomatas a apelidarem a assembleia de “reuniões do inferno”.

    Apesar disso, Lula chega fortalecido ao palco internacional: ele copresidirá, na quarta-feira (24/set), o evento “Em Defesa da Democracia”, ao lado do presidente chileno Gabriel Boric e do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, excluindo os EUA da iniciativa pela primeira vez – um barramento explícito organizado por Brasil e Espanha.

    Fontes internacionais cobriram o embate com detalhes atualizados. A BBC News Brasil relatou o anúncio da reunião bilateral por Trump e o tom conciliatório inesperado, destacando o encontro informal como um “possível ponto de virada”.

    Já a Folha de S. Paulo enfatizou o risco de novas sanções, como ampliações de tarifas e restrições via Lei Magnitsky, e a ausência de uma cúpula formal confirmada.

    A CNN Brasil analisou as agendas divergentes, com Lula defendendo multilateralismo e sustentabilidade contra o unilateralismo de Trump.

    O Correio Braziliense antecipou os recados sobre soberania e democracia, enquanto o O Tempo cobriu os eventos paralelos, como o debate sobre a solução de dois Estados para a Palestina, apoiado por cerca de 150 nações e barrado pelos EUA no Conselho de Segurança da ONU.

    O anúncio da reunião bilateral injeta otimismo cauteloso nas negociações. Perguntado pela PBS sobre retaliações tarifárias, Lula respondeu que o Brasil busca resolver as diferenças com “tranquilidade” e está aberto a diálogos.

    Analistas como o professor Matias Spektor, da FGV, veem o púlpito da ONU como um espaço doméstico para ambos os líderes: Lula mira eleitores brasileiros com defesa de instituições, enquanto Trump ataca o “radicalismo da esquerda” para sua base.

    Resta saber se o encontro da próxima semana, possivelmente em Washington, avançará em temas como o fim das tarifas ou a revogação de sanções a autoridades do STF.

    Enquanto isso, o mundo observa: a assembleia segue até o final da semana, com discursos do Irã sobre ataques nucleares dos EUA e debates sobre guerras na Ucrânia e Gaza.

    Para o Brasil, o foco é claro – defender sua autonomia sem ceder ao “império”, como Lula rotulou em reuniões ministeriais recentes.

    O desfecho pode redefinir as relações bilaterais, que datam de mais de 200 anos, em um ano eleitoral tanto no Brasil (2026) quanto nos EUA.



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