Tensões diplomáticas e sanções em foco no primeiro encontro potencial com o presidente dos EUA, sob risco de novas retaliações econômicas e restrições migratórias
Nova Iorque, EUA, 21 de setembro de 2025
O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embarcou neste domingo (21/set) para Nova Iorque, onde abrirá o debate geral da 80ª Assembleia Geral da ONU na terça-feira (23/set), em um momento de alta tensão diplomática com os Estados Unidos.
Pela primeira vez desde o início do atual mandato de Donald Trump, os dois líderes estarão no mesmo local – a sede da Organização das Nações Unidas (ONU) –, mas fontes indicam que uma reunião bilateral não está prevista, embora um encontro casual nos corredores seja inevitável devido à sequência de discursos.
A viagem ocorre sob a sombra de possíveis novas sanções americanas ao Brasil, incluindo tarifas elevadas e restrições a vistos de autoridades brasileiras, em retaliação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com reportagens recentes, o governo Trump tem sinalizado um “recado velado” ao retardar a emissão de vistos para parte da comitiva brasileira, o que já levou o Itamaraty a protestar formalmente junto à ONU.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, por exemplo, abriu mão de participar do evento após constrangimentos com a liberação de seu documento, enquanto o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, teve seu visto revogado e posteriormente restaurado.
“A demora nos vistos é um recado dos EUA a Lula”, analisou um especialista em relações internacionais, destacando o atrito crescente entre Brasília e Washington.
No discurso de abertura, tradicionalmente reservado ao Brasil desde 1955 (com poucas exceções), Lula deve enfatizar temas como soberania nacional, multilateralismo, democracia, mudanças climáticas e a guerra em Gaza, sem citar diretamente Trump para evitar mal-estar diplomático.
Auxiliares do Planalto afirmam que referências veladas à independência da Justiça brasileira e à defesa de reformas no Conselho de Segurança da ONU servirão como contraponto às ações americanas.
“Seria desrespeitoso e provocaria um mal-estar diplomático”, justificou uma fonte palaciana sobre a ausência de menções explícitas.
No entanto, caso novas sanções sejam anunciadas durante a assembleia – como punições financeiras ao ministro Alexandre de Moraes ou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros –, o script pode ser ajustado.
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A agenda de Lula em Nova Iorque, de 22 a 24 de setembro, inclui eventos estratégicos sobre fortalecimento da democracia, ação climática rumo à COP30 e defesa do multilateralismo.
O presidente participará de uma conferência sobre Israel e de um encontro pela criação do Estado Palestino, mas notavelmente não convidou os EUA para a reunião sobre democracia, o que gerou especulações de provocação em postagens no X (antigo Twitter).
O secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente da assembleia, Annalena Baerbock, abrirão a sessão antes de Lula, seguido imediatamente por Trump – o que aumenta a chance de um “cruzamento” na tribuna.
Essa será a primeira oportunidade de interação presencial entre os líderes desde a posse de Trump, após um frustrado encontro no G7 em junho, quando o americano deixou o evento precocemente.
A assembleia marca os 80 anos da ONU, criada em 1945, e deve abordar crises globais como a guerra na Ucrânia e o conflito Hamas-Israel.
Para o Brasil, o foco está em posicionar o país como voz dos emergentes, especialmente com a COP30 no horizonte.
Nas redes sociais, o tema destacado por alguns perfis é o de que há um clima de “humilhação” e “surpresa” preparada por Trump, com vídeos virais especulando sobre um confronto ao vivo.
No entanto, o governo brasileiro minimiza os rumores, priorizando a defesa de princípios multilaterais.








Trump é um fanfarrão
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