“Senhores da Paz se converteram em Senhores da Guerra”, diz manchete do artigo do Presidente Lula no El País da Espanha |17.4.2026| Imagem reprodução/El País/@LulaOficial
Brasília (DF) · 17 de abril de 2026
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tem o direito de “acordar pela manhã e ameaçar um país”, ao comentar a escalada de tensões diplomáticas e comerciais entre as duas nações. A declaração foi feita em entrevista ao jornal espanhol El País, na qual Lula abordou ainda o cenário internacional, o avanço da extrema direita, as eleições brasileiras e sua própria trajetória política.
Ao ser questionado sobre sua permanência na política após décadas de atuação, incluindo prisão, doença e derrotas eleitorais, Lula afirmou que sempre viveu intensamente cada fase de sua vida. Disse não acreditar em impossibilidades e defendeu que deixar de agir tem um custo maior do que persistir. Segundo ele, sua motivação permanece intacta e sua atuação pública continua guiada pelo compromisso com resultados concretos.
Sobre a crise com os Estados Unidos, Lula declarou que os argumentos apresentados por Trump não correspondem à realidade e criticou o uso de poder econômico e militar como instrumento de pressão internacional. Defendeu o diálogo como caminho preferencial e afirmou que líderes experientes devem agir com responsabilidade e maturidade. Acrescentou que prefere ser respeitado a ser temido e rejeitou a ideia de governar pelo medo.
Ao definir Trump, Lula afirmou que o presidente norte-americano adota uma estratégia equivocada baseada na imposição de força, o que, segundo ele, gera instabilidade global e pode prejudicar inclusive a própria economia dos Estados Unidos. Citou ações militares e alertou para seus impactos econômicos e sociais, defendendo que os recursos gastos em conflitos deveriam ser direcionados ao combate à fome, ao analfabetismo e a problemas estruturais.
Questionado sobre o papel das instituições internacionais, Lula afirmou que organismos como a ONU precisam passar por reformas para recuperar credibilidade. Criticou o desrespeito de grandes potências às decisões multilaterais e defendeu mudanças no Conselho de Segurança, incluindo o fim do poder de veto. Para ele, a atual estrutura global não reflete mais a realidade geopolítica contemporânea.
Diante da possibilidade de rearmamento global, Lula se posicionou contra, afirmando que o mundo caminha para uma corrida armamentista perigosa. Destacou que o Brasil optou por não desenvolver armas nucleares e reiterou a prioridade em investimentos sociais. Mencionou diálogos com líderes como Xi Jinping, Narendra Modi, Vladimir Putin e Emmanuel Macron como parte de seus esforços diplomáticos.
Ao comentar a concessão de refúgio político na Argentina a um condenado pelos atos de 8 de janeiro, Lula afirmou não manter relação com o presidente Javier Milei e disse que cada governo responde por suas próprias decisões.
Sobre o cenário político interno, Lula demonstrou confiança na escolha da população brasileira pela democracia, apesar da polarização. Atribuiu o crescimento da extrema direita à disseminação de desinformação, ao uso intensivo das redes sociais e ao avanço da inteligência artificial. Questionado sobre possíveis interferências externas nas eleições, afirmou não ter receio, mas destacou a importância de garantir acesso à informação de qualidade.
Lula confirmou ainda sua intenção de disputar um novo mandato presidencial, afirmando estar em boas condições de saúde e motivado. Comparou o processo eleitoral a uma partida de futebol, na qual o resultado depende do desempenho em campo.
Ao analisar o avanço de forças autoritárias, o presidente defendeu que a democracia precisa apresentar resultados concretos, como geração de emprego, melhoria de renda e acesso à educação. Reconheceu falhas na construção do Estado de bem-estar social e afirmou que é necessário demonstrar, na prática, a superioridade do regime democrático.
Sobre um encontro internacional em Barcelona, Lula negou que o objetivo seja confrontar Trump e afirmou que o foco será discutir os desafios da democracia. Ressaltou a importância de coerência entre discurso e prática por parte dos governantes.
Em relação a episódios de racismo no futebol europeu, classificou como inaceitável a persistência de práticas discriminatórias, mesmo em países considerados desenvolvidos, e reiterou que qualquer forma de racismo é inadmissível.
Ao final da entrevista, Lula refletiu sobre sua trajetória e afirmou que o momento mais difícil de sua carreira não foi a prisão, mas a derrota eleitoral de 1982. Disse que chegou a considerar abandonar a política, mas foi incentivado por Fidel Castro a continuar. Concluiu afirmando que sua vida pública tem sido positiva, embora ainda haja desafios a enfrentar.
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