📷 O Presidente Lula e o ministro Alexandre Padilha durante evento para sanção da ‘Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde’ / Imagem reprodução / Lula/YouTube | Ao fundo, os três ex-ministros da pasta citados, Marcelo Queiroga, Nelson Teich e Eduardo Pazuello / Imagens redes sociais |•| Arte Urbs Magna
| Brasília (DF)
20 de julho de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou os ex-ministros da Saúde de Jair Bolsonaro de “mequetrefes” durante a sanção da lei que cria a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, nesta segunda-feira (20/jul), no Palácio do Planalto.
O que Lula disse
A fala, feita ao elogiar o atual ministro, Alexandre Padilha, não citou nomes, mas mirou os antecessores da pasta na gestão anterior.
Ao se dirigir a Padilha, o presidente declarou: “vendo os três ministros mequetrefe que o governo passado teve”, completando que, em comparação, o país havia feito “uma revolução na saúde”.
Quem foram os ministros da Saúde
O governo Bolsonaro teve quatro ministros da Saúde: Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga. A conta de Lula bate com os três últimos, excluindo Mandetta — e a razão está na própria trajetória de cada um durante a pandemia de Covid-19.
Mandetta
Mandetta foi demitido em abril de 2020 justamente por divergir publicamente de Bolsonaro, defendendo isolamento social e questionando a eficácia da cloroquina. À CPI da Covid, ele reforçou essa distância, criticando a condução do governo.
Essa postura de confronto com o presidente rendeu a ele uma imagem mais alinhada à ciência, mesmo dentro de um governo negacionista — o que provavelmente o poupou da crítica presidencial.
Nelson Teich
Sucessor de Mandetta, ele durou pouco menos de um mês no cargo. Nelson Teich enfrentou críticas principalmente pela sua gestão diante da pandemia, incluindo a falta de uma estratégia clara de vacinação e a resistência a medidas de isolamento social.
Além disso, sua abordagem em relação a medicamentos sem comprovação científica gerou controvérsias, assim como sua saída do cargo, que foi interpretada por muitos como um sinal de descontentamento com a política de saúde do governo.
Apesar de ser citado por Lula, ele deixou o ministério por divergências com Bolsonaro — em especial a pressão para prescrever cloroquina como tratamento contra a Covid-19, remédio considerado ineficaz pela Organização Mundial da Saúde.
Eduardo Pazuello
O general do Exército Pazuello, sem formação médica, comandou a pasta durante o período mais crítico da pandemia, incluindo a crise de falta de oxigênio em Manaus. O militar foi alvo direto da CPI da Covid, que o transformou em investigado junto com Queiroga.
O relator da comissão, senador Renan Calheiros, chegou a acusar sua gestão de contribuir para mortes evitáveis.
As principais críticas à gestão de Eduardo Pazuello como Ministro da Saúde incluem a demora na aquisição de vacinas, a falta de planejamento na distribuição de insumos essenciais, e a comunicação inconsistente com a população e profissionais de saúde.
Além disso, Pazuello foi amplamente criticado por sua resposta à pandemia, especialmente em relação à sua defesa de medicamentos sem comprovação científica adequada e pela gestão das unidades de saúde, que enfrentaram sobrecarga e falta de recursos.
Essas questões geraram descontentamento público e a percepção de que a saúde pública não foi tratada com a seriedade necessária durante sua administração.
Marcelo Queiroga
O quarto e último ministro do período Bolsonaro assumiu a pasta em meio a críticas ao antecessor. Ele foi indicado após Pazuello anunciar publicamente que o presidente buscava sua saída para “reorganizar” o ministério.
Em depoimento à CPI, Queiroga evitou se posicionar sobre cloroquina, o que irritou senadores.
As principais críticas a Marcelo Queiroga focaram em seu alinhamento político com o presidente Jair Bolsonaro, o que o levou a evitar a condenação do “tratamento precoce” ineficaz, a criar barreiras ideológicas contra a vacinação de crianças e adolescentes e a se posicionar contra o uso obrigatório de máscaras e o passaporte vacinal.
Ele também foi duramente contestado por falhas logísticas, abandono da testagem em massa, o apagão de dados do ‘ConecteSUS’ e episódios polêmicos de conduta pública, culminando no pedido de seu indiciamento no relatório final da CPI da Pandemia por atos considerados omissivos e contrários aos consensos científicos.
A escolha de Lula por excluir Mandetta da crítica não é aleatória: ela reforça uma narrativa política de que a ruptura com o negacionismo começou dentro do próprio governo Bolsonaro, antes de se tornar bandeira de oposição — e serve, também, para evitar generalizar contra alguém que hoje transita razoavelmente bem com parte do espectro político mais moderado.
A Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde
A cerimônia reuniu, além de Lula e Padilha, o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ministra da Casa Civil Miriam Belchior, o ministro da Fazenda Dario Durigan, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços Márcio Elias Rosa, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação Luciana Santos, o ministro da Secretaria de Comunicação Social Sidônio Palmeira, o diretor-presidente da Anvisa Leandro Pinheiro, o presidente do grupo Farma Brasil Reginaldo Arcuri, o presidente da AFOB (Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil) Dijalma Dantas e representante do BNDES.
A Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), integrada à Nova Indústria Brasil, visa elevar a participação da produção nacional no abastecimento do SUS de 42% para 70% até 2026.
A política foca na fabricação local de medicamentos, vacinas e equipamentos para reduzir a vulnerabilidade do sistema de saúde a crises globais e fomentar a inovação tecnológica.
Com previsão de R$ 42 bilhões em investimentos até 2026, a estratégia combina recursos do Novo PAC, financiamentos do BNDES e aporte privado, utilizando o poder de compra do SUS para fortalecer a indústria local.
O plano prioriza Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) focadas em tratamentos avançados, como câncer e vacinas, visando a autossuficiência setorial.
Oradores
Reginaldo Arcuri
destacou avanços recentes do setor, como o pleno funcionamento da Anvisa, a nova regra de precificação de medicamentos e a lei de pesquisa clínica, classificando a indústria farmacêutica nacional como “a nova Embraer brasileira”.
Dijalma Dantas
ressaltou o papel dos laboratórios públicos na garantia de autonomia sanitária do país.
Alexandre Padilha
apresentou números da gestão — aumento de 77% no orçamento do Ministério da Saúde, retorno da produção nacional de insulina após 20 anos e redução expressiva das filas de registro na Anvisa.
Luciana Santos
citou investimentos do FNDCT em projetos ligados à saúde, incluindo um laboratório de biossegurança máxima em construção no interior de São Paulo.
Márcio Elias Rosa
relacionou o tema à política industrial do governo, citando alta de 11,5% na produção de farmoquímicos no semestre.
Alckmin,
em fala mais breve, destacou avanços na reforma tributária para o setor e na redução do tempo de registro de patentes pelo INPI.
FAQ rápido
O que Lula quis dizer com “três ministros mequetrefes”?
Uma crítica indireta a Nelson Teich, Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga, ex-ministros da Saúde de Bolsonaro, feita ao elogiar a gestão atual de Alexandre Padilha.
Por que Mandetta não foi incluído na crítica?
Porque ele foi demitido por divergir publicamente de Bolsonaro durante a pandemia, defendendo medidas científicas — postura que o diferenciou dos sucessores.
Qual lei foi sancionada no evento?
O Projeto de Lei 2.583/2020, que cria a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, voltada a reduzir a dependência externa de medicamentos e insumos.
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