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Lula e Tinubu selam acordos para fortalecer laços Brasil-Nigéria em comércio, energia e clima

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    “Foi uma honra receber o Presidente Tinubu no Palácio do Planalto. Esta é a terceira viagem do Presidente Tinubu ao Brasil em menos de um ano. Ele veio ao Rio de Janeiro para as Cúpulas do G20 e do BRICS. Por anos, a Nigéria foi nosso maior parceiro comercial na África. Mas, na última década, o intercâmbio diminuiu drasticamente. De 10 bilhões de dólares em 2014, passamos a 2 bilhões de dólares, em 2024. Não foi por acaso. Nos últimos governos, o Brasil se distanciou da África. Duas das maiores economias da América Latina e da África devem ter um intercâmbio muito maior. Quando o presidente Tinubu e eu nos encontramos à margem da Cúpula da União Africana, em 2024, decidimos que essa situação precisava mudar” (LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA – Presidente do Brasil) 25.8.2025 / FOTO: Ricardo Stuckert.


    Visita de Estado marca retomada de parcerias estratégicas com foco em livre comércio, segurança e sustentabilidade, mirando a COP30 e a soberania econômica



    Brasília, 26 de agosto de 2025

    Em um encontro histórico no Palácio do Planalto, em Brasília, na segunda-feira (25/ago), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente da República Federal da Nigéria, Bola Tinubu, em uma visita de Estado que sinaliza a retomada das relações bilaterais entre os dois países.

    A agenda incluiu uma reunião privada com a presença de ministros, a assinatura de cinco novos acordos de cooperação e uma declaração conjunta à imprensa, reforçando compromissos em áreas como comércio, energia, segurança e mudanças climáticas.

    A visita, a primeira de um chefe de Estado nigeriano à Brasília desde 2009, ocorre em um momento em que Brasil e Nigéria buscam reverter a queda no intercâmbio comercial, que despencou de US$ 10 bilhões em 2014 para US$ 2 bilhões em 2024.

    “Isso precisa mudar”, afirmou Lula, destacando a necessidade de revitalizar a parceria com o maior parceiro comercial do Brasil na África no passado.

    Os cinco acordos assinados abrangem setores estratégicos: cultura, serviços aéreos, ciência e tecnologia, formação de diplomatas e cooperação financeira entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco de Agricultura da Nigéria.

    Um dos destaques é a aprovação de um voo direto entre Lagos e São Paulo, operado pela companhia nigeriana Air Peace, que promete fortalecer os laços culturais e econômicos.

    “São muitas as possibilidades de sinergias dos dois maiores países de população negra do mundo”, destacou Lula, citando oportunidades em agricultura, petróleo, gás, fertilizantes, aeronaves e maquinaria.

    Tinubu reforçou a importância da soberania econômica, declarando: “Somente juntos poderemos desenvolver nossas economias para auxiliar na nossa soberania”.

    Ele também propôs uma parceria com a Petrobras para explorar as vastas reservas de gás natural da Nigéria, reforçando que “não vejo por que a Petrobras não entre como parceira da Nigéria o quanto antes”.

    Tinubu afirmou que Lula prometeu acelerar essa colaboração, um movimento estratégico em meio às tensões comerciais globais, especialmente após o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sobretaxou produtos brasileiros em 50% e nigerianos em 15%.

    COMBATE AO PROTECIONISMO E MULTILATERALISMO

    Em um contexto de crescente protecionismo, ambos os líderes defenderam o livre comércio e a integração produtiva.

    “Neste momento em que ressurgem o protecionismo e o unilateralismo, Nigéria e Brasil reafirmam sua aposta no livre comércio e na integração produtiva”, declarou Lula, em uma crítica velada às políticas de Trump.

    A assinatura de uma Medida Provisória para apoiar exportadores brasileiros reforça essa posição, com Lula enfatizando que “nossa soberania é intocável”.

    Lula também defendeu a inclusão da Nigéria no G20 e maior representatividade no Conselho de Segurança da ONU, destacando a convergência de visões sobre o papel do Sul Global em uma ordem multipolar.

    “A Nigéria possui todas as credenciais para se tornar membro pleno do G20”, afirmou. Além disso, anunciou o envio de um adido da Polícia Federal a Abuja para intensificar a cooperação contra o crime transnacional, alertando que “nenhum país isoladamente conseguirá debelar a criminalidade transnacional”.

    COP30 E FUNDO FLORESTAS TROPICAIS

    A pauta ambiental foi central no encontro, com Lula convidando a Nigéria a apoiar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que será lançado na COP30, em Belém, em novembro de 2025.

    O fundo visa remunerar países que preservam florestas tropicais, com Lula destacando que “os instrumentos internacionais hoje existentes são insuficientes para recompensar de forma eficaz a proteção das florestas”.

    Ele também enfatizou a vulnerabilidade da África às mudanças climáticas: “A África é a região do mundo que menos emite gases de efeito estufa, mas uma das que mais sofre as consequências perversas do aquecimento global”.

    Lula tem intensificado esforços para garantir a participação de países africanos na COP30, enviando convites pessoais a líderes globais, incluindo uma tentativa simbólica de engajar Trump, apesar do ceticismo de diplomatas brasileiros.

    LAÇOS HISTÓRICOS E SOLIDARIEDADE

    Lula fez uma reflexão profunda sobre os laços históricos entre Brasil e Nigéria, marcados por 350 anos de escravidão.

    A única forma da gente pagar não pode ser mensurada em dinheiro, tem que ser mensurada em solidariedade, em alinhamento político, econômico e cultural”, afirmou, destacando a importância de uma relação fraterna e igualitária.

    Tinubu ecoou o sentimento, declarando que “Brasil e Nigéria estão aqui para crescer juntos”.

    A visita, a terceira de Tinubu ao Brasil em menos de um ano, simboliza, segundo Lula, “a volta do Brasil ao continente africano”.

    Ele reforçou que a parceria não busca hegemonia, mas prosperidade mútua, com Tinubu concluindo: “Brasil e Nigéria estão juntos para transformar nossas riquezas em prosperidade para nossos povos”.

    CONTEXTO E PERSPECTIVAS

    A retomada das relações com a Nigéria ocorre em um momento estratégico, com o Brasil buscando diversificar parcerias frente às tensões comerciais com os Estados Unidos.

    O Brasil abriu 400 novos mercados globais desde 2023, reforçando sua soberania econômica.

    Além disso, a intensificação de laços com a África reflete a reconstrução da política externa brasileira, iniciada em 2023, após anos de isolamento.

    A parceria com a Nigéria, maior economia da África, também abre portas para colaborações em setores como tecnologia e medicamentos genéricos, com Tinubu citando o interesse em modelos como o da Embrapa para o setor agropecuário.

    A expectativa é que a COP30 e os acordos firmados impulsionem ainda mais essa reaproximação, consolidando Brasil e Nigéria como atores centrais no Sul Global.



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