O Presidente Lula concede entrevista aos jornalistas Leandro Demori e Eduardo Moreira, do ICL Notícias, no Palácio do Planalto |8.4.2026| Imagem reprodução/Lula/YouTube
Brasília (DF) · 08 de abril de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os Estados Unidos buscam os minerais estratégicos brasileiros da mesma forma que historicamente extraíram ouro, prata, diamante e recursos florestais.
Em entrevista neta quarta-feira (8/abr) a Leandro Demori e Eduardo Moreira, do ICL Notícias, Lula classificou como “vergonha” propostas de entrega de terras raras em estado bruto ao exterior, comparando a situação ao petróleo: “É como se eu pegasse o petróleo e falasse: ‘O petróleo não vai ser meu, o petróleo vai ser dos Estados Unidos’”.
Lula ressaltou que as terras raras — descritas como “resíduos químicos” presentes no solo — são essenciais para baterias de carro elétrico, chips de celular e toda a tecnologia digital atual. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses minerais, com cerca de 23% do total global, embora apenas 30% do território nacional tenha sido pesquisado.
Fontes oficiais do Serviço Geológico do Brasil e do USGS confirmam esse posicionamento, reforçando o potencial de crescimento com novas prospecções.
O mandatário defendeu a transformação desses recursos dentro do país, com geração de empregos e agregação de valor. Ele mencionou que a Europa demonstra disposição para “compartilhar com o Brasil, mas a gente quer transformar dentro do Brasil. Industrializar o Brasil”.
Essa abordagem contrasta com visões que priorizam a exportação pura de matéria-prima. Lula criticou diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, em discurso na CPAC nos Estados Unidos no final de março, apresentou o Brasil como “solução” para os norte-americanos reduzirem dependência da China em minerais críticos.
O presidente questionou: “Ele quer vender para os Estados Unidos, sabe, uma coisa que é tão importante para o Brasil”.
O governado Ronaldo Caiado (União Brasil) também foi mencionado. Lula considerou inadequado o memorando de entendimentos assinado por Goiás com autoridades americanas em meados de março, que prevê cooperação em exploração de minerais críticos.
Segundo o Presidente, trata-se de concessão de algo que compete à União, o que gerou debates sobre limites constitucionais da atuação estadual.
Essas declarações ocorrem em contexto de disputa global por minerais estratégicos para a transição energética e digital.
Lula vinculou o tema à luta política mais ampla e ao projeto de “novo Brasil”, citando avanços na indústria de defesa e farmacêutica como exemplos de desenvolvimento interno.

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